sábado, 27 de agosto de 2011

As Drogas e suas Implicações Espirituais

I - Introdução
Um dos problemas mais graves da sociedade humana, na atualidade, é o consumo indiscriminado, e cada vez mais crescente, das drogas, por parte não só dos adultos, mas também dos jovens e, lamentavelmente, até das crianças, principalmente nos centros urbanos das grandes cidades.
A situação é tão preocupante, que cientistas de várias partes do Planeta, reunidos, chegaram à seguinte conclusão: "Os viciados em drogas de hoje podem não só estar pondo em risco seu próprio corpo e sua mente, mas fazendo uma espécie de roleta genética, ao projetar sombras sobre os seus filhos e netos ainda não nascidos."
Diante de tal flagelo e de suas terríveis conseqüências, não poderia o Espiritismo, Doutrina comprometida com o crescimento integral da criatura humana na sua dimensão espírito-matéria, deixar de se associar àqueles segmentos da sociedade que trabalham pela preservação da vida e dos seus ideais superiores, em seus esforços de erradicação de tão terrível ameaça.
O efeito destruidor das drogas é tão intenso que extrapola os limites do organismo físico da criatura humana, alcançando e comprometendo, substancialmente, o equilíbrio e a própria saúde do seu corpo perispiritual. Tal situação, somada àquelas de natureza fisiológica, psíquica e espiritual, principalmente as relacionadas com as vinculações a entidades desencarnadas em desalinho, respondem, indubitavelmente, pelos sofrimentos, enfermidades e desajustes emocionais e sociais a que vemos submetidos os viciados em drogas.
Em instantes tão preocupantes da caminhada evolutiva do ser humano em nosso planeta, cabe a nós, espíritas, não só difundir as informações antidrogas que nos chegam do plano espiritual benfeitor que nos assiste, mas, acima de tudo, atender aos apelos velados que esses amigos espirituais nos enviam, com seus informes e relatos contrários ao uso indiscriminado das drogas, no sentido de envidarmos esforços mais concentrados e específicos no combate às drogas, quer no seu aspecto preventivo, quer no de assistência aos já atingidos pelo mal.
 
II - A Ação das Drogas no Perispírito
Revela-nos a ciência médica que a droga, ao penetrar no organismo físico do viciado, atinge o aparelho circulatório, o sangue, o sistema respiratório, o cérebro e as células, principalmente as neuroniais.
Na obra "Missionários da Luz" - André Luiz ( pág. 221 - Edição FEB), lemos: "O corpo perispiritual, que dá forma aos elementos celulares, está fortemente radicado no sangue. O sangue é elemento básico de equilíbrio do corpo perispiritual." Em "Evolução em dois Mundos", o mesmo autor espiritual revela-nos que os neurônios guardam relação íntima com o perispírito.
Comparando as informações dessas obras com as da ciência médica, conclui-se que a agressão das drogas ao sangue e às células neuroniais também refletirá nas regiões correlatas do corpo perispiritual, em forma de lesões e deformações consideráveis que, em alguns casos, podem chegar até a comprometer a própria aparência humana do perispírito. Tal violência concorre até mesmo para o surgimento de um acentuado desequilíbrio do Espírito, uma vez que "o perispírito funciona, em relação a esse, como uma espécie de filtro na dosagem e adaptação das energias espirituais junto ao corpo físico e vice-versa.
Por vezes o consumo das drogas se faz tão excessivo, que as energias, oriundas do perispírito para o corpo físico, são bloqueadas no seu curso e retornam aos centros de força.

III - A Ação dos Espíritos Inferiores Junto ao Viciado
Esta ação pode ser percebida através das alterações no comportamento do viciado, dos danos adicionais ao seu organismo perispiritual, já tão agredido pelas drogas, e das conseqüências futuras e penosas que experimentará quando estiver na condição de espírito desencarnado, vinculado a regiões espirituais inferiores.
Sabemos que, após a desencarnação, o Espírito guarda, por certo tempo, que pode ser longo ou curto, seus condicionamentos, tendências e vícios de encarnado. O Espírito de um viciado em drogas, por exemplo, em face do estado de dependência a que ainda se acha submetido, no outro lado da vida, sente o desejo e a necessidade de consumir a droga. Somente a forma de satisfazer seu desejo é que varia, já que a condição de desencarnado não lhe permite proceder como quando na carne. Como Espírito precisará vincular-se à mente de um viciado, de início, para transmitir-lhe seus anseios de consumo da droga, posteriormente, para saciar sua necessidade, valendo-se para tal do recurso da vampirização das emanações tóxicas impregnadas no perispírito do viciado, ou da inalação dessas mesmas emanações quando a droga estiver sendo consumida.
"O Espírito de um viciado em drogas, em face do estado de dependência a que se acha submetido, no outro lado da vida, sente o desejo e a necessidade de consumir a droga."
Essa sobrecarga mental, indevida, afeta tão seriamente o cérebro, a ponto de ter suas funções alteradas, com conseqüente queda no rendimento físico, intelectual e emocional do viciado. Segundo Emmanuel, "o viciado, ao alimentar o vício dessas entidades que a ele se apegam, para usufruir das mesmas inalações inebriantes, através de um processo de simbiose em níveis vibratórios, coleta em seu prejuízo as impregnações fluídicas maléficas daquelas, tornando-se enfermiço, triste, grosseiro, infeliz, preso à vontade de entidades inferiores, sem o domínio da consciência dos seus verdadeiros desejos".

IV - Contribuição do Centro Espírita no trabalho antidrogas desenvolvido pelos Benfeitores Espirituais
A Casa Espírita, como Pronto-Socorro espiritual, muito pode contribuir com os Espíritos Superiores, no trabalho de prevenção e auxílio às vítimas das drogas nos dois lados da vida.
Com certeza, essa contribuição poderia ocorrer através de medidas que, no dia-a-dia da Instituição, ensejassem:
Um incentivo cada vez mais constante às atividades de evangelização da infância e da juventude, principalmente com sua implantação, caso a Instituição ainda não tenha implantado.
Estimular seus freqüentadores, em particular a família do viciado em tratamento, à prática do Evangelho no Lar. Essas pequenas reuniões, quando realizadas com o devido envolvimento e sinceridade de propósitos, são fontes sublimes de socorro às entidades sofredoras, além, naturalmente, de concorrer para o estreitamento dos laços afetivos familiares, o que decerto estimulará o viciado, por exemplo, a perseverar no seu propósito de libertar-se das drogas ou a dar o primeiro passo nesse sentido.
Preparar devidamente seu corpo mediúnico para o sublime exercício da mediunidade com Jesus, condição essencial ao socorro às vítimas das drogas, até mesmos as desencarnadas.
No diálogo fraterno com o viciado e seus familiares, sejam-lhes colocados à disposição os recursos socorristas do tratamento espiritual: passe, desobsessão, água fluidificada e reforma íntima.
Criar, no trabalho assistencial da Casa, uma atividade que enseje o diálogo, a orientação, o acompanhamento e o esclarecimento, como fundamentação doutrinária, ao viciado e a seus familiares.

V - Conclusão
Diante dos fatos e dos acontecimentos que estão a envolver a criatura humana, enredada no vício das drogas, geradoras de tantas misérias morais, sociais, suicídios e loucuras, nós, espíritas, não podemos deixar de considerar essa realidade, nem tampouco deixar de concorrer para a erradicação desse terrível flagelo que hoje assola a Humanidade. Nesse sentido, urge que intensifiquemos e aprimoremos cada vez mais as ações de ordem preventiva e terapêutica, já em curso em nossas Instituições, e que, também, criemos outros mecanismos de ação mais específicos nesse campo, sempre em sintonia com os ensinamentos do Espiritismo e seu propósito de bem concorrer para a ascensão espiritual da criatura humana às faixas superiores da vida.

* O artigo acima é de autoria de Xerxes Pessoa de Luna e foi publicado originalmente na revista Reformador, de março de 1998 e publicado no jornal Mundo Espírita, de abril de 1998.
Foi disponibilizado na Rede Amigo Espírita em 27/08/2011.

sexta-feira, 26 de agosto de 2011

Quando eu for para a vida espiritual o que pode acontecer?

Excelente palestra apresentada por Américo Luís Sucena de Almeida, do Projeto Imagem, foi realizada no dia 20/07/2009 no Centro Espírita Discipulos de Jesus, da cidade de Buritama-SP e foi disponibilizada pela Rede Amigo Espírita.
Américo fundamenta a palestra principalmente na obra Nosso Lar, de André Luiz, na psicografia de Chico Xavier, que com bom humor nos faz refletir sobre temas importantes que com certeza impactam o nosso dia a dia. Muito interessante, não deixe de assistir.

sábado, 6 de agosto de 2011

O que é a verdade?

    Contam as lendas que a verdade foi enviada por Deus ao mundo em forma de um gigantesco espelho.
    E quando o espelho estava chegando sobre a face da terra, quebrou-se, partiu-se em inumeráveis pedaços que se espalharam por todos os lados.
    As pessoas sabiam que a verdade era o espelho, mas não sabiam que ele havia se partido.
    E por essa razão, as que encontravam um dos pedaços, acreditavam que tinham nas mãos a verdade absoluta, quando na realidade possuíam apenas uma pequena parte.
    E quem deterá a verdade absoluta?
    A verdade absoluta só Deus a possui e a vai revelando ao homem na medida em que este esteja apto para conhecê-la.
    Assim é que os inventores, os cientistas, os pesquisadores, vão descobrindo a cada século novas verdades que se acumulam e fomentam o progresso da humanidade.
    É como se fossem juntando os pedaços do grande espelho e conseguissem abranger uma parcela maior.
    E assim, a verdade é conquistada graças aos esforços dos homens e não por uma revelação bombástica sem proveito para quem a recebe.
    Ademais, depois que a verdade é descoberta, ninguém pode encarcerá-la, nem guardá-la só para si.
    Quem experimenta o sabor da verdade, não mais permanece o mesmo. Toda uma evolução nele se opera e uma transformação radical e libertadora é inevitável.
    Por vezes a nossa cegueira não nos deixa vê-la, mas ela está em toda parte, latente, dentro e fora do mundo e é, muitas vezes, confundida com a ilusão.
    Retida na consciência humana, é, a princípio, uma chispa que as forças do autoconhecimento e do auto-aperfeiçoamento transformarão em uma estrela fulgurante.
    A verdade emancipa a alma e a completa. Infinita, vitaliza o microcosmo e expande-se nas galáxias.
    Vibra na molécula, agiganta-se no espaço ilimitado, e encontra-se ao alcance de todos.
    É perene e existe desde todos os tempos e sobreviverá ao fim das eras.
    A verdade é Deus. E para penetrá-la faz-se necessário diluir-se em amor como os grãos de açúcar em um cálice de água em movimento.
    Só agora podemos compreender o motivo pelo qual Jesus calou-se quando Pilatos Lhe perguntou: “o que é a verdade?”
***
    A verdade é luz que se expande.
    Aquece sem queimar e vivifica sem produzir cansaço.
    A meditação facilita-lhe o contato, a oração aproxima o homem da sua matriz e a caridade propicia a vivência com ela.
    A humildade abre a porta para que adentre no coração do homem e a fé facilita-lhe a hospedagem nos sentimentos.

fonte: Equipe de Redação do Momento Espírita, com base no capítulo "Verdade e Vida", do livro "A um passo da Imortalidade", editora LEAL.

segunda-feira, 4 de julho de 2011

Literatura recomendada: Loucura e Obsessão

Editora FEB. Autoria: Divaldo Pereira Franco, pelo Espírito Manoel Philomeno Miranda - Sinopse: Estuda a presença da obsessão na maioria dos casos de loucura. Confirma que  "ansiedades e frustrações, afetos e animosidades, calma e pavor, confiança e suspeita, inquietação e segurança, que se manifestam no comportamento do indivíduo, tem a sua gênese, às vezes, na atual existência, todavia, na sua quase totalidade, são efeitos das ocorrências pretéritas, que o tempo arquivou na memória perispiritual, mas não consumiu.”
O livro objetiva orientar os estudiosos e os que sofrem de processos obsessivos , além de estudar as causas da obsessão. Também relata a terapia desobsessiva adotada por Espíritos abnegados, sob direção do Dr. Bezerra de Menezes. Aprofunda-se na análise de casos dolorosos de obsessão, oferecendo soluções calcadas na renovação interior e na prática do bem.

Yundi Li executando o Noturno de Chopin

domingo, 3 de julho de 2011

Civilizações extraterrestres serão descobertas num prazo de 20 anos?

Lendo a notícia publicada em 27/06/2011, na seção Estadão/Ciências,  sobre a humanidade terrena encontrar civilizações alienígenas nas próximas duas décadas (ver link e cópia abaixo), lembrei de Nicolau Copérnico (1473-1543), polonês de Torun, que foi o astrônomo e matemático que desenvolveu a teoria do heliocentrismo, que contrariava a teoria do geocentrismo defendida pela Igreja e que só não foi condenado por heresia (podendo ser condenado a morte em fogueira) por não ter publicado a sua tese.
Hoje felizmente a Igreja perdeu seu status de controlar as informações, do que deve ser publicado ou não. E cada vez mais respeita-se a liberdade de imprensa, oportunizando a cada um acreditar naquilo que a razão lhe permite compreender, como também confrontar uma ideia com outras e com outros interessados.
Lembrei também do Auto de Fé de Barcelona, que ocorreu em 1861, em que o bispo da cidade espanhola ordena a queima de livros espíritas encomendados pelo livreiro Lachâtre ao Sr. Rivail, entre os quais vários exemplares de "O Livro dos Espíritos", que naquela época já falava de habitantes extraterrenos.
Sobre essa questão de civilizações extraterrestres, destacamos uma nota explicativa à pergunta nº 188 em que Allan Kardec pergunta aos espíritos: Os Espíritos puros habitam mundos especiais ou estão no espaço universal sem estarem mais ligados a um mundo que a outro? e respondem:
- Os Espíritos puros habitam certos mundos, mas não estão confinados neles como os homens sobre a Terra; eles podem, melhor que os outros, estar por toda parte.
Aí em nota explicativa, Kardec diz:
"Segundo os Espíritos, de todos os globos que compõem o nosso sistema planetário, a Terra é um daqueles onde os Espíritos são os menos avançados, física e moralmente. Marte seria ainda inferior e Júpiter, o mais superior em relação a todos..." a nota continua ainda com informações sobre o Sol e outros planetas do nosso sistema.
Vejam que essas e muitas outras informações foram publicadas originariamente em 1857 e lentamente a ciência vai confirmando o contido nessa obra magnífica. O que temos que compreender é que existem planos distintos, o material e o imaterial, com faixas vibratórias distintas, exigindo processos de demonstração ainda não assimilados completamente  pela ciência positivista.
Temos dificuldades para compreender e comprovar esses planos distintos aqui no nosso próprio planeta, devido aos meios ainda precários que nossos centros científicos mais adiantados dispõem, quanto mais comprovarmos a vida inteligente em outros orbes, tanto do nosso sistema planetário, quanto de distintos sistemas espalhados por todo o Universo, ou Multiversos (leia também: Universos Paralelos, a teoria do Dr. Michio Kaku).
Notícias como essa muitas vezes passam despercebidas pelas pessoas, mas refletindo, verificamos que muitos cientistas ao redor do nosso planeta dedicam grande parte do seu tempo a investigarem a certeza da vida inteligente fora desse pontinho minúsculo da Via Láctea denominado Terra. Falta "apenas" descobrir em que faixa vibratória encontram-se essas civilizações alienígenas.
Ronaldo São Romão Sanches, e-mail: ronaldosaoromao@gmail.com

Cientistas russos esperam encontrar vida alienígena até 2031
MOSCOU (Reuters Life!) - Cientistas russos esperam que a humanidade se depare com civilizações alienígenas nas próximas duas décadas, disse um importante astrônomo russo na segunda-feira.
"A gênese de vida é tão inevitável como a formação de átomos... A vida existe em outros planetas e vamos encontrá-la dentro de 20 anos", disse Andrei Finkelstein, diretor do Instituto de Astronomia Aplicada da Academia Russa de Ciências, segundo a agência de notícias Interfax.
Falando num fórum internacional sobre a busca de vida extraterrestre, Finkelstein disse que 10 por cento dos planetas conhecidos orbitando ao redor de estrelas parecem a Terra.
Se for encontrada água, então também pode ser encontrada a vida, disse ele, acrescentando que muito provavelmente os alienígenas serão parecidos com os humanos, com dois braços, duas pernas e uma cabeça.
"Eles podem ter uma cor de pele diferente, mas mesmo isso nós temos", disse ele.
O instituto de Finkelstein é responsável por um programa lançado nos anos 1960, no auge da corrida espacial da Guerra Fria, para observar e emitir sinais de rádio ao espaço.
"O tempo inteiro ficamos buscando por civilizações extraterrestres; basicamente esperamos por mensagens do espaço e não o outro lado", disse ele.
(Por Alissa de Carbonnel)

O que foi o "Auto-de-fé de Barcelona"?

Foi a queima, em praça pública, em Barcelona, Espanha, de 300 volumes de obras espíritas, que Kardec havia remetido ao livreiro Maurice Lachâtre, em 09 de outubro de 1861, às 10:30 horas.
Maurice Lachâtre era um intelectual e editor francês que achava-se estabelecido em Barcelona com uma livraria, quando solicitou a Kardec seus livros para divulgá-los na Espanha. Só não contava com a intolerância do bispo da cidade que havia ordenado que as obras fossem apreendidas e queimadas numa grande fogueira. O episódio, ocorrido a 9 de outubro de 1861, conhecido como o Auto-de-fé de Barcelona, apenas serviu para revigorar a coragem do livreiro.
O livreiro Maurice Lachâtre foi um grande propagandista do Espiritismo na Espanha e havia encomendado trezentos volumes de diversos títulos espíritas a Allan Kardec. O material chegou à Espanha através de tramitação legal, com impostos e taxas devidamente pagos por Kardec e com a documentação correta. O destinatário pagou os direitos de entrada dos volumes, mas antes que os mesmos fossem entregues, uma relação dos títulos foi entregue ao bispo de Barcelona, pois a liberação de livros e/ou sua censura, competia à autoridade eclesiástica. O bispo tomando conhecimento da natureza dos livros ordenou que fossem apreendidos e queimados em praça pública pela mão do carrasco.
Os livros deveriam em tal situação ser devolvidos ao remetente em seu país de origem - a França. Contudo, tal não aconteceu e o espetáculo - só assim pode-se classificar tal ato de intolerância e intransigência - foi marcado para o dia 9 de outubro de 1861. Naquela data, às 10:30 horas, os volumes foram queimados como se fossem réus da inquisição.
Essa atitude intransigente prosseguiu, dissimulada, mas acirradamente, por muito tempo após a queima dos livros, porém contribuiu enormemente para a propaganda da doutrina espírita.
Na "Revista Espírita", de novembro de 1861, Kardec diz: Não informamos nada, aos nossos leitores, sobre esse fato, que já não saibam pela via da imprensa; o que ocorreu de admirar, foi que os jornais, que passam geralmente por bem informados, hajam podido colocá-lo em dúvida; essa dúvida não nos surpreende; o fato em si mesmo parece tão estranho para o tempo em que vivemos, e está de tal modo longe de nossos costumes que, alguma cegueira que se reconhecesse ao fanatismo, crê-se sonhar ouvindo dizer que as fogueiras da inquisição se acendem ainda em 1861, à porta da França; a dúvida, nessa circunstância, é uma homenagem prestada à civilização européia, ao próprio clero católico. Em presença de uma realidade incontestável hoje, o que deve mais espantar, é que um jornal sério, que cai cada dia, sem dó nem piedade, sobre os abusos e as usurpações do poder sacerdotal, não haja encontrado, para assinalar esse fato, senão algumas palavras zombeteiras, acrescentando: "Em todo caso, não seremos nós que nos divertiremos, neste momento, em fazer girar as mesas na Espanha." ("Siècle", de 14 de outubro de 1861) (...)
(...) O que não é menos exorbitante, e o que contra o qual se espanta, é não se ter visto um protesto enérgico, é a estranha pretensão que se arroga o bispo de Barcelona de fazer a polícia na França. Ao pedido que foi feito de reexportar as obras, respondeu com uma recusa assim motivada: A Igreja católica é universal, e os livros, sendo contrários à fé católica, o governo não pode consentir que eles vão perverter a moral e a religião de outros países. Assim, eis um bispo estrangeiro, que se institui em juiz do que convém ou não convém à França! A sentença, portanto, foi mantida e executada sem mesmo isentar o destinatário das despesas de alfândega, que se teve muito cuidado em fazê-lo pagar.
Eis a narração que nos foi pessoalmente dirigida: "Este dia, nove de outubro de mil oitocentos e sessenta e um, às dez horas e meia da manhã, sobre a esplanada da cidade de Barcelona, no lugar onde são executados os criminosos condenados ao último suplício, e por ordem do bispo desta cidade, foram queimados trezentos volumes e brochuras sobre o Espiritismo, a saber:
"A Revista Espírita", diretor Allan Kardec;
"A Revista Espiritualista", diretor Piérard;
"O Livro dos Espíritos", por Allan Kardec;
"O Livro dos Médiuns", pelo mesmo;
"O que é o Espiritismo", pelo mesmo;
"Fragmento de sonata", ditado pelo Espírito Mozart;
"Carta de um católico sobre o Espiritismo", pelo doutor Grand;
"A História de Jeanne d'Arc", ditada por ela mesma à Srta. Ermance Dufaux;
"A realidade dos Espíritos demonstrada pela escrita direta", pelo barão de Guldenstubbé.
Assistiram ao Auto-de-Fé:
"Um padre revestido das roupas sacerdotais, trazendo a cruz numa mão e a tocha na outra mão;
"Um notário encarregado de redigir a ata do Auto-de-Fé;
"O escrevente do notário;
"Um empregado superior da administração da alfândega;
"Três moços (serventes) da alfândega, encarregados de manter o fogo;
"Um agente da alfândega representando o proprietário das obras condenadas pelo bispo.
Uma multidão inumerável encobria os passeios e cobria a imensa esplanada onde se elevava a fogueira. Quando o fogo consumiu os trezentos volumes ou brochuras Espíritas, o padre e seus ajudantes se retiraram, cobertos pelas vaias e as maldições dos numerosos assistentes que gritavam: "Abaixo a inquisição!"
Numerosas pessoas, em seguida, se aproximaram da fogueira, e recolheram as suas cinzas. Uma parte dessas cinzas nos foi enviada; com elas se encontra um fragmento de "O Livro dos Espíritos" consumido pela metade. Nós o conservamos preciosamente, como um testemunho autêntico desse ato insensato. Toda opinião à parte, esse assunto levanta uma séria questão de direito internacional. Reconhecemos ao governo espanhol o direito de proibir a entrada, sobre o seu território, das obras que não lhe convém, como a de todas as mercadorias proibidas. Se essas obras tivessem sido introduzidas clandestinamente e em fraude, nada haveria a dizer; mas são expedidas ostensivamente e apresentadas na alfândega; era, pois, uma permissão legalmente solicitada. Esta acreditou dever referi-la à autoridade episcopal que, sem outra forma de processo, condena as obras a serem queimadas pela mão do carrasco.
Examinando-se este assunto do ponto de vista de suas consequências, diremos primeiro que não houve senão uma voz para dizer que nada podia ser mais feliz para o Espiritismo. A perseguição sempre foi aproveitável à idéia que se quis proscrever; por aí se lhe exalta a importância, se lhe desperta a atenção, e fazendo-o conhecer por aqueles que o ignoram. Graças a esse zelo imprudente, todo o mundo, em Espanha, vai ouvir falar do Espiritismo e quererá saber o que é; é tudo o que desejamos. Podem-se queimar os livros, mas não se queimam as idéias; as chamas das fogueiras as super-excitam em lugar de abafá-las. As idéias, aliás, estão no ar, e não há Pirineos bastante altos para detê-las; e quando uma idéia é grande e generosa, ela encontra milhares de peitos prontos para aspirá-la. O que se lhe haja feito, o Espiritismo já tem numerosas e profundas raízes na Espanha; as cinzas da fogueira vão fazê-las frutificar. Mas não será só na Espanha que esse resultado será produzido, é o mundo inteiro que lhe sentirá o contragolpe. Vários jornais da Espanha estigmatizaram esse ato retrógrado, como o merece. "Las Novedades de Madrid", de 19 de outubro, entre outros, contém, sobre esse assunto, um notável artigo. (...)
Espíritas de todos os países! Não vos esqueçais desta data de 9 de outubro de 1861; ela será marcada, nos fastos do Espiritismo; que ela seja para vós um dia de festa e não de luto, porque é a garantia do vosso próximo triunfo!
Entre as numerosas comunicações que os Espíritos ditaram sobre esse acontecimento, não citaremos senão as duas seguintes, que foram dadas espontaneamente na Sociedade de Paris; elas dele resumem todas as causas e todas as consequências:
"O amor da verdade deve sempre se fazer ouvir: ela dissipa a névoa, e por toda a parte brilha ao mesmo tempo. O Espiritismo chegou para ser conhecido por todos; logo será julgado e colocado em prática; quanto mais houver perseguições, mais depressa esta sublime Doutrina chegará ao seu apogeu; seus mais cruéis inimigos, os inimigos do Cristo e do progresso, com isso se surpreendem de maneira que ninguém ignore que Deus permite àqueles que deixaram esta Terra de exílio de retornar para aqueles que amaram. Tranquilizai-vos; as fogueiras se extinguirão por si mesmas, e se os livros são lançados ao fogo, o pensamento imortal lhes sobrevive." (DOLLET)
Nota. Este espírito, que se manifestou espontaneamente, disse ser o de um antigo livreiro do século dezesseis.
"Era preciso alguma coisa que ferisse, com um golpe violento, certos Espíritos encarnados para que se decidissem ocupar-se desta grande Doutrina que deve regenerar o mundo. Nada é inutilmente feito sobre a vossa Terra, para isso, e nós, que inspiramos o Auto-de-Fé de Barcelona, sabíamos bem que, assim agindo, faríamos dar um passo imenso para a frente. Esse fato brutal, inaudito nos tempos atuais, foi consumado para atrair a atenção dos jornalistas que permaneciam indiferentes diante da agitação profunda que abalava as cidades e os centros Espíritas; deixavam dizer e deixavam fazer; mas se obstinavam em fazer ouvido de mercador, e respondiam pelo mutismo ao desejo de propaganda dos adeptos do Espiritismo. Por bem ou por mal, é preciso que dele falem hoje; uns constatando o histórico do fato de Barcelona, os outros desmentindo-o, deram lugar a uma polêmica que dará volta ao mundo, e da qual só o Espiritismo aproveitará. Assim, hoje, a retaguarda da inquisição fez seu último Auto-de-Fé, porque assim o quisemos." (SAINT DOMINIQUE)
Prossegue Kardec na "Revista Espírita" de dezembro de 1861: Os jornais espanhóis não foram tão moderados em reflexões, sobre esse acontecimento, quanto os jornais franceses. Qualquer que seja a opinião que se professe com respeito às idéias espíritas, há, no próprio fato, alguma coisa de tão estranha para o tempo em que vivemos, que ele excita mais piedade do que cólera contra as pessoas que parecem ter dormido há vários séculos, e despertado sem ter consciência do caminho que a humanidade percorreu, crendo-se, ainda, no ponto de partida. (...)
Em "Obras Póstumas", Kardec pergunta (À Verdade): – Não ignorais, sem dúvida, o que vem de se passar em Barcelona a respeito das obras espíritas; teríeis a bondade de me dizer se convém perseguir a sua restituição?
Resposta. – Em direito podes reclamar essas obras, e delas, certamente, obtereis a restituição, dirigindo-se ao Ministro dos Assuntos Estrangeiros da França. Mas a minha opinião é que resultará desse Auto-de-Fé um bem maior que não produziria a leitura de alguns volumes.  A perda material não é nada em comparação com a repercussão que semelhante fato dará à Doutrina.  Compreendes o quanto uma perseguição tão ridícula e tão atrasada poderá fazer o Espiritismo progredir na Espanha.  As idéias se difundirão com tanto mais rapidez, e as obras serão procuradas com tanto mais diligência, quanto as tiver queimado. Tudo está bem.
Nas palavras de Amílcar Del Chiaro Filho, o Auto-de-Fé de Barcelona foi a consagração do Espiritismo. Literalmente o seu batismo de fogo. Mas a Espanha levantou-se como um só homem, para saber o que era essa doutrina que aterrorizava o clero. A comissão episcopal foi vaiada pelo povo, e assim que a guarda armada se retirou da Praça do Quemadero, onde muitos mártires tiveram seus corpos incinerados no intuito de salvar as suas almas, o povo simples recolheu as cinzas dos livros e fragmentos que não foram consumidos pelas chamas, e levaram para as suas casas.
Um exemplar de "O Livro dos Espíritos", carbonizado pela metade, foi enviado a Allan Kardec, que o guardou como uma doce lembrança em uma urna. Lamentavelmente, a intransigência que ainda perdurou na primeira metade do século XX, fez com os nazistas, durante a 2a. Grande Guerra Mundial, destruissem a urna.
Muitas outras perseguições viriam. Muitas lágrimas ainda seriam derramadas. É por isso que o movimento espírita tem que respirar liberdade, tem que ser compreensivo, mas não conivente, porque venceu a ditadura de Napoleão 3º - a força esmagadora da perseguição religiosa, o orgulho acadêmico das ciências, o esnobismo filosófico, para firmar-se como doutrina consoladora e iluminadora.
Prof. Hermes Edgar Machado Junior
Fontes e sugestões de Leitura:
- "Revista Espirita", Allan Kardec, novembro e dezembro de 1861
- "Obras Póstumas", Allan Kardec
- "Auto de Fé de Barcelona", Amílcar Del Chiaro Filho, em www.espirito.org.br/portal/artigos/amilcar/audo-de-fe-de-barcelona.html
- "Auto-de-Fé em Barcelona", postado por Sergio Ribeiro, no blog http://aprendizdeespirita.blogspot.com/2009/10/auto-de-fe-em-barcelona.html
- Gravura "Auto-de-Fé": www.bezerramenezes.org.br/imagens/Auto_de_fe.jpg
O autor, Professor Hermes Edgar Machado Jr (ISSARRAR BEN KANAAN), é estudioso de temas relacionados à espiritualidade universalista e eclética, meditação, esperanto, hebraico, psicologia, filosofia, história, arqueologia, naturismo e informática (principalmente linux). http://benkanaan.blogspot.com - http://twitter.com/benkanaan - e-mail: benkanaan@gmail.com e benkanaan@hotmail.com 
O artigo foi publicado em 09/10/2010 no Artigonal.
A ilustração, no topo do artigo, encontrei no blog "O servidor espírita", que trás também o artigo do Amílcar Del Chiaro Filho

O Espírito da Verdade é Jesus?

As instruções dos Espíritos, no capítulo VI da obra "O Evangelho Segundo o Espiritismo", são assinadas pelo "Espírito da Verdade".
Na mensagem recebida em Paris em 1860, o "Espírito da Verdade" diz que vem como outrora, entre os filhos desgarrados de Israel, trazer a verdade e dissipar as trevas, como outrora  a minha palavra. Diz que revelou a Doutrina Divina e disse: Vinde a mim, todos vós que sofreis!. No final da mensagem diz que todas as verdades se encontram no Cristianismo; que os erros que nele se enraizaram são de origem humana. Que Jesus Cristo é o vencedor do mal.
Na mensagem recebida em Paris, em 1861 faz referência à dor presente no Jardim das Oliveiras.
Na mensagem recebida em Bourdeaux em 1861, diz que é "o grande médico das almas". Que invocando o Pai do fundo do coração, Ele enviará o seu Filho bem amado para nos instruir.
Parece-nos que seja Jesus.
Alguns dizem que o "Espírito da Verdade" era uma equipe de espíritos superiores encarregados de transmitirem a Codificação da Doutrina Espírita. Creio que fica meio confuso de compreender quando a gente lê em "O Livro dos Espíritos" quando assinam os prolegômenos, vários Espíritos, entre eles "Espírito de Verdade".
Pois bem, a questão que proponho é: Por que o espírito comunicante não se identificou como Jesus? Deve haver um motivo?
Na minha pequenês, arrisco uma teoria:
Por si a Doutrina Espírita é revolucionária sob o ponto de vista religioso, então talvez a necessidade ainda de uma referência como Jesus, mesmo deixando algumas questões sem as devidas explicações. Deixar ainda por um tempo as versões reconhecidas pela Igreja.
Kardec e os Espíritos Superiores que o assistiam deviam ter suas razões.
Abraço a todos
Ronaldo São Romão Sanches

sábado, 2 de julho de 2011

Kardec e a unificação

O Espiritismo sustenta princípios que, por se fundarem nas leis da Natureza e não em abstrações metafísicas, tendem a tornar-se, e um dia certamente o serão, os da universalidade dos homens; todos os aceitarão, porque encontrarão neles verdades palpáveis e demonstradas, como aceitaram a teoria do movimento da Terra; mas, pretender-se que o Espiritismo chegue a estar, por toda parte, organizado da mesma forma; que os espíritas do mundo inteiro se sujeitarão a um regime uniforme, a uma mesma forma de proceder; que terão de esperar lhes venha de um ponto fixo a luz, ponto em que deverão fixar os olhos, fora utopia tão absurda como a de pretender-se que todos os povos da Terra formem um dia uma única nação, governada por um só chefe, regida pelo mesmo código de leis e submetida aos mesmos usos. Há, é certo, leis gerais que podem ser comuns a todos os povos, mas que sempre, quanto às minúcias da aplicação e da forma, serão apropriadas aos costumes, aos caracteres, aos climas de cada um.

Outro tanto se dará com o Espiritismo organizado. Os espíritas do mundo todo terão princípios comuns, que os ligarão à grande família pelo sagrado laço da fraternidade, mas cujas aplicações variarão segundo as regiões, sem que, por isso, a unidade fundamental se rompa; sem que se formem seitas dissidentes a atirar pedras e lançar anátemas umas às outras, o que seria absolutamente anti-espírita. Poderão, pois, formar-se, e inevitavelmente se formarão, centros gerais em diferentes países, ligados apenas pela comunidade da crença e pela solidariedade moral, sem subordinação de uns aos outros, sem que o da França, por exemplo, nutra a pretensão de impor-se aos espíritas americanos e vice-versa.

É perfeitamente justa a comparação, de que acima nos valemos, com os observatórios. Há-os em diferentes pontos do globo; todos, seja qual for a nação a que pertençam, se fundam em princípios gerais firmados pela Astronomia, o que, entretanto, não os torna tributários uns dos outros. Cada um regula como entende os respectivos trabalhos. Permutam suas observações e cada um se utiliza da Ciência e das descobertas dos outros. Assim acontecerá como os centros gerais do Espiritismo; serão os observatórios do mundo invisível, que permutarão entre si o que obtiverem de bom e de aplicável aos costumes dos países onde funcionarem, uma vez que o objetivo que eles colimam é o bem da Humanidade e não a satisfação de ambições pessoais. O Espiritismo é uma questão de fundo; prender-se à forma seria puerilidade indigna da grandeza do assunto. Daí vem que os centros (espíritas) que se acharem penetrados do verdadeiro espírito do Espiritismo deverão estender as mãos uns aos outros, fraternalmente, e unir-se para combater os inimigos comuns: a incredulidade e o fanatismo.

(Alan Kardec, Obras Póstumas, Constituição do Espiritismo, item VI, ps .362/364, FEB, 37ª ed.)

sexta-feira, 1 de julho de 2011

Divaldo Franco e o Padre ( como ele se tornou espírita )

Certa vez, fui a um padre confessar (antes de tornar-me Espírita). Contei-lhe sobre minhas comunicações com os mortos. Para ele, eram forças demoníacas tentando me afastar da Igreja. Veio-me uma mágoa de Deus e comecei a questionar:
- Sou um bom católico, bom sacristão, adoro a Igreja, faço jejum, passo a semana da Páscoa sem comer até o meio-dia. Se Deus não pode com o diabo, eu vou aguentar? O diabo vai me vencer. Como um garoto de 17 anos, do interior, ingênuo, pode vencer o diabo se nem Deus consegue?
Entrei em depressão e fiquei com mágoa de Deus. Confessei-me ao padre:
- Eu vou me matar. Nossa Senhora do Carmo vai ter pena de mim, vai me colocar o escapulário e me tirar do inferno.
Ele me olhou demoradamente e respondeu:
- Não tome nenhuma atitude agora. O demônio às vezes nos perturba para testar a nossa fé; quando não consegue, abandona. Volte para a Igreja.
Era um homem honesto, acreditava piamente em suas ideias.
Um dia, ao confessar-me a ele, vi aproximar-se um Espírito. Tive outro conflito:
- Como pode o diabo entrar na sacristia?
Aliás, eu via sempre os Espíritos. No momento da Eucaristia, a hóstia tornava-se luminosa quando colocada na minha boca. Às vezes, em Feira de Santana, via o cônego Mário Pessoa aureolado. No meu entendimento (católico), ele era um santo. As pessoas na hora da fé se iluminavam e eu julgava tudo alucinação.
Quando o Espírito entrou, exclamei:
- Olha, o diabo está vindo, e é mulher!
- Você vê algum sinal particular no rosto dela? - indagou-me o Padre.
- Vejo uma verruga acima do lábio.
- E o que mais?
- O cabelo está partido ao meio, penteado com um coque atrás.
- E o que mais?
- Vejo um xale sobre os ombros, com pontas, um xale negro de xadrez.
- Pode ficar tranquilo, é a minha mãe – disse o Padre.
Ela se conectou com os centros de força da minha voz e conversou com o Padre. Quando despertei, ele me esclareceu:
- Divaldo, mamãe veio me alertar. A sua missão não é aqui, vá seguir a tarefa que Deus lhe confiou, porque o bem está em todo lugar.
Fiquei mais tumultuado, porque eu não era Espírita, tinha medo, sentia-me de certo modo alijado da Igreja, mas continuava a frequentá-la e ao Centro Espírita.
Tinha conflitos de fé, principalmente quando morreu minha irmã, por suicídio. Mamãe foi encomendar missa a esse mesmo sacerdote, um homem bom, e ouviu dele:
- Dona Ana, não posso celebrar, porque o suicida está no inferno e Deus não o tira de lá.
Foi quando aprendi a primeira lição de lógica e de psiquiatria, com uma mulher iletrada - a minha mãe:
- Padre, então eu renego o seu Deus. Se Ele não é capaz de perdoar não é digno de ser Deus. Sou lavadeira modesta e analfabeta, mas a filha que perdi, eu a perdôo; como é que Deus, que a tem, não a perdoa? Digo mais, quem se mata não está no seu juízo.
Mais tarde eu viria saber que muitos portadores de psicose maníoco-depressiva (PMD) vão ao suicídio. Aprendi muito com esse homem, com mamãe, e quando eu lhe disse que não iria mais à igreja, ela me respondeu:
- Deus está em todo lugar. Se você for justo e agir com retidão, Ele estará com você. Faça o bem, meu filho, porque a verdadeira religião é aliviar o sofrimento alheio.
A partir desse acontecimento integrei-me lentamente ao Espiritismo.
Divaldo Franco

domingo, 26 de junho de 2011

A Pedagogia Espírita e a família - Reflexões

Quando falamos em Espiritismo, o imaginário popular já povoa nosso cérebro com fenômenos como a psicografia, aparição de espíritos, premonições, vidências etc.

Apesar de os estudiosos da doutrina espírita terem uma visão mais ampla sobre a origem do Espiritismo, com suas raízes pedagógicas que remontam a séculos nas vozes de Sócrates, Comenius, Rousseau e Pestalozzi, há entre eles uma resistência terrível, ou quiçá, uma ignorância, de como colocarmos em prática essa herança longínqua, porém reveladora do Espiritismo.

Quando a questão é a caridade assistencialista, parece fácil aos espíritas praticarem o desprendimento e se disporem a ajudar o próximo. Já dizia o velho provérbio popular que ser bom para os outros é muito mais fácil do que ser bom dentro de casa.

A Educação familiar faz parte de um mosaico de ações e de sentimentos que devem ser foco de análise e reflexão contínua. A relação entre pais e filhos, entre cônjuges e entre os irmãos deve ser alvo de preocupação constante. A estrutura familiar não deve ser vista como obra do acaso. Quando um casal recebe a responsabilidade de formar uma família assina um “contrato diante da eternidade”. O bem-estar financeiro, material, que os pais devem oferecer aos filhos, é apenas a ponta de um iceberg quando pensamos na educação de um espírito. O compromisso com os filhos, antes de qualquer coisa, deve fazer parte da proposta de melhoria individual.

Quando somos jovens, parece-nos que teremos todo o tempo do mundo para apararmos as arestas de nossa evolução, porém, diante da formação de um núcleo familiar, essa transformação se torna urgente. Essa visão não significa que a função de pais deve andar com a busca da perfeição, entretanto urge a necessidade de estarmos alertas e vigilantes. Todo esse compromisso diz respeito ao ponto chave da educação: que é o exemplo. Não se pode educar contra o vício, se o carregamos em nós mesmos.

Outra questão importante é e o atrelamento da felicidade individual com a felicidade dos filhos. Essa premissa, de rompimento com o individualismo, demonstra o caráter evolucionista da educação espírita - como posso ser feliz como individualidade se aquele que está sob meus cuidados vai sofrer diante de minhas escolhas?

O trabalho mediúnico ilustra para os céticos e comprova para os espíritas que os laços familiares perduram ao longo da eternidade: filhos que reencontram pais, pais que resgatam seus filhos de séculos de sofrimento corroboram com a ideia de que mesmo que nos afastemos ou abdiquemos de nossas responsabilidades paternas e maternas, não seremos felizes sem a felicidade de nossos filhos.
Essa questão é fundamental, porém não é única.

A convivência no ambiente familiar é extremamente complexa do ponto de vista espiritual. Há uma diversidade de razões para que os espíritos reencarnem numa mesma família, entretanto perde-se muito tempo querendo-se saber quais as relações anteriores que moldam as relações atuais. Ora, a questão é como administrar essas novas relações. Pestalozzi usava a palavra Anschauung, ou percepção em português, como o ponto chave da educação e sua proposta se estendem à perspectiva espírita. A mãe, carinhosa e presente, tem a condição de, já muito cedo, delinear as características da personalidade de seu filho e assim traçar um plano de ação em relação à educação.

Verificar esses traços não é de modo algum observar o espírito encarnado como uma cobaia de laboratório, mas é tentar vislumbrar quais as reações que esse espírito vai apresentar de acordo com os estímulos que receber. O próprio Pestalozzi já diria que o amor incondicional é a fórmula infalível para a educação de um espírito endurecido, porém faço uma ressalva, referindo-me aos casos em que o educador é parte de uma relação intrincada do passado, tentando reconquistar o espírito que foi massacrado por ele mesmo em vidas passadas.

A situação pode se tornar então complicada para a expressão de um amor incondicional. Os pais que, de alguma forma, se apresentam em condições de receber esse espírito, devem se concentrar em desenvolver um amor muito maior do que aquele que faria qualquer educador para obter sucesso. Esse amor deve vir revestido de humildade para conquistar o perdão do outro, por ter sido talvez seu algoz no passado e de perseverança para não desistir de transformar o sentimento entre ambos num amor paterno/materno/filial. Essa é uma das empreitadas de maior dificuldade no âmbito familiar.

Outra é que a sociedade, erroneamente, concedeu aos pais, não apenas a guarda legal de seus filhos, como também a autoridade máxima diante da sociedade. Essa concessão veio se deturpando ao longo da história da humanidade, com casos, não raros, de autoritarismo e abuso de poder (quando não resvala para a violência explícita ou o abuso sexual, que não raro, se dá dentro da própria família). E atualmente, além dessas situações de autoritarismo, também encontramos casos opostos, de total negligência familiar.

Quando Rousseau postulou que o homem nasce puro e a sociedade o corrompe, estava propondo que a sociedade protegesse incondicionalmente suas crianças das mazelas e dos vícios da própria sociedade; propunha assim que a criança fosse educada sob os princípios Divinos, para que não se contaminasse com as fraquezas dos homens.

Ouve-se com frequência pais preocupados com a manutenção financeira de sua família, porém despreocupados com sua influência moral sobre os filhos. Frases como: “vá atrás de seus sonhos, vire-se, eu já fiz a minha parte,” são algumas pérolas que são repetidas à exaustão. A pressa pela desincumbência do “fardo”, que é a educação dos filhos, mais uma vez demostra a falta de conhecimento sobre as questões e implicações da educação espírita. A responsabilidade sobre os filhos não tem uma data limite para acabar. Educamo-los para a eternidade.

Mas essa influência nossa sobre eles não significa modelá-los à nossa imagem e semelhança. Nosso metro não é o metro que serve para eles. É comum pais dizerem : “eu consegui tudo por minhas próprias custas”. O espiritismo e a pedagogia espírita em particular nos alertam para a singularidade do espírito. Cada qual é cada qual, embora devamos nos esforçar para que a singularidade de cada um se desenvolva no bem.

Janusz Korczak, grande educador polonês dizia em seu livro Quando eu voltar a ser criança, que deve haver um esforço enorme dos adultos para subirem ao nível (espiritual) da criança para entenderem a grandeza desse ser. Sendo assim, como podemos nos colocar como moldes para educação desses seres tão especiais que nos chegam despidos de defesas?

O trabalho deve ser de intuirmos quais são suas fraquezas mais recônditas e não os deixarmos cair novamente... Tomarmos como preciosos sua qualidades e talentos, fazendo com que estes possam ser suas molas propulsoras em direção à evolução. Cabe aos cônjuges, esse trabalho de edificação de espíritos, começando por si mesmos.

O casal que, humildemente, se coloca no papel de aprendiz, que têm seu amor baseado numa relação que transcende ao amor carnal e se funda na admiração mútua pelas qualidades do outro, como espírito, se vê muitas vezes na posição de reconsiderar seus atos, de ver a situação pelo prisma do outro e tomar atitudes mais maduras em relação a si e principalmente em relação à sua família. Esses têm muito mais chance de oferecerem uma educação mais adequada a seus filhos por não estarem comprometidos pela vaidade – “sou mãe ou pai e sei o que é melhor para meu filho...”

Nutrir uma família espiritualmente não é um fardo, porém, sem dúvida é um trabalho árduo, que permanecerá por gerações. Encontros e desencontros, acertos e desacertos fazem parte desse processo - o resultado só será visto ao longe, porém a dor e a frustração pelo abandono da oportunidade de crescer e fazer crescer o outro espírito serão incomensuráveis.

Claudia Mota

Páscoa/2011
Artigo publicado no site da Associação Brasileira de Pedagogia Espírita dia 2 de maio de 2011

quinta-feira, 23 de junho de 2011

Para se compreender a proposta de Allan Kardec

Então fica claro que, na verdade, o germe do nihilismo contemporâneo já estava nos grandes sistemas do século XIX. O homem do desejo, sem substância espiritual era já o homem entrevisto por Freud. O relativismo já era proclamado por Comte, que anunciava: "o único absoluto é o relativo". O materialismo dialético de Marx e Engels já dissolvia a moral universal e a natureza humana. Foi exatamente o que Kardec percebeu, apontando as consequencias do materialismo.
Trecho do livro "Para entender Allan Kardec" (capítulo 3: Uma ciência não-positivista - A desconstrução pós-moderna), da Professora Dora Incontri, editado pela Lachâtre.
Leitura essencial para a compreensão das questões por que passa a humanidade, na sua caminhada evolutiva. 
Descrição (4ª capa): Esta obra é uma inovadora contribuição para se compreender a proposta de Allan Kardec. Dora Incontri analisa, aqui, a personalidade do codificador do espiritismo, o contexto em que atuou e sua produção intelectual, fazendo conexões e paralelos com outras correntes de pensamento. De maneira lúcida, clara e, ao mesmo tempo, apaixonante, defende a idéia de que o espiritismo ainda está longe de ter sido compreendido. O valor científico, social, religioso e, em todos os campos, revolucionário, do pensamento espírita oculta-se na simplicidade didática da linguagem de Kardec. A abordagem cultural, pedagógica e histórica da doutrina espírita feita pela jornalista, escritora e educadora Dora Incontri, sem dúvida, traz novas e importantes reflexões sobre o papel que o espiritismo poderá representar no terceiro milênio.

domingo, 19 de junho de 2011

Miserere, de Gregorio Allegri

Essa versão musicada do Salmo 51, foi executada por coral na abertura da cerimônia de recepção a Órion, nobre visitante da Constelação de Plêiades, na Colônia Redenção (aqui no nosso planeta), conforme narrado pelo Espírito Manoel Philomeno de Miranda, no livro Transição Planetária, na psicografia de Divaldo Pereira Franco, editado pela LEAL-Livraria Espírita Alvorada Editora, 2ª edição, 2010 (p. 26, capítulo 2 - O visitante especial).
Ronaldo São Romão Sanches, e-mail: ronaldosrs@hotmail.com
Miserere executada pelo The Choir of New College, Oxford
Miserere, também conhecido como Miserere mei, Deus (em latim: "Tende misericórdia de mim, Deus") é uma versão musicada a cappella do Salmo 51 feita pelo compositor italiano Gregorio Allegri, durante o papado de Urbano VIII, provavelmente durante a década de 1630. Era executado na Capela Sistina durante as matinas, como parte do serviço exclusivo das tênebras, na quarta e sexta-feira da Semana Santa. Foi a última de doze versões do Miserere em falsobordone compostas e executadas nestes serviços desde 1514, e era a mais popular delas; a uma determinada altura, chegou a ter a transcrição de sua música proibida por lei, e só podia ser executada em serviços privados - o que aumentava o mistério em torno da obra. A versão que acabou por "escapar" do Vaticano é na realidade uma compilação de versos musicados por Allegri em 1638 e Tommaso Bai (também Baj, 1650-1718), feita em 1714.

Transição Planetária,entrevista de Divaldo Franco

Entrevista de Divaldo Franco no Programa Transição.
parte 1

parte 2

sábado, 18 de junho de 2011

I Seminário Jurídico-Espírita da AJE-MS, dia 25/06/2011, em Campo Grande-MS

I Seminário Jurídico-Espírita
Dia 25 de junho de 2011
1º Tema: O PAPEL DO JURISTA ESPÍRITA NA PROFISSÃO
EXPOSITOR: CHRISTIANO TORCHI
Duração: das 19h45 às 20h35
2º Tema: CONCILIAÇÃO - DA FORMALIDADE PARA A ESSÊNCIA
EXPOSITOR: ALCIR KENUPP CUNHA
Duração: das 20h45 às 21h35
DEBATES COM OS EXPOSITORES
Das 21h40 às 22h00
LOCAL DO EVENTO: na sede provisória à Rua Silveira Martins, 700 - Vila Alba (nas instalações da Sociedade Espírita Bezerra de Menezes). 

sábado, 11 de junho de 2011

CAMINHADA PELA VIDA em Campo Grande, dia 18 de junho de 2011

XIII SEMANA NACIONAL ANTIDROGAS
Promoção: Conselho Estadual Antidrogas (CEAD)
“CAMINHADA PELA VIDA”
Data:  18 Jun  (Sábado)
CONCENTRAÇÃO: Av. Fernando C. da Costa  (Frente antigo Fórum) - 15h
CHEGADA: Praça do Rádio Clube

A FEDERAÇÃO ESPÍRITA DE MS convida os espíritas para participarem destes eventos, fortalecendo a Campanha “Em Defesa da Vida” e demonstrando a  união e  representatividade do Movimento Espírita perante a sociedade campo-grandense. Solicitamos aos Dirigentes Espíritas que motivem, especialmente,
os jovens para participarem das atividades. No local da concentração, Diretores da FEMS estarão coordenando a participação dos espíritas. 


Informações: FEMS
fones: 3324-8322 e 3324-3757
e-mail: fems@brturbo.com.br

XIII SEMANA NACIONAL ANTIDROGAS

Promoção: Conselho Estadual Antidrogas (CEAD)
ABERTURA OFICIAL COM PALESTRAS  - 17 de junho de 2011, sexta-feira, às 13h
Palestra “Prevenção – Projetos educacionais pagos com bens e valores confiscados do tráfico
Palestrante: Dr. Odilon de Oliveira, Juiz Federal da 3ª Vara Federal Criminal Especializada em Lavagem de Dinheiro.
Palestra “Convenções e Tratados das Nações Unidas para o Controle de Drogas
Palestrante: Bo Mathiasen, representante das Nações Unidas sobre Drogas e Crime / UNODOC para o Brasil e o CONE SUL
Local: CÂMARA MUNICIPAL DE CAMPO GRANDE
XIII SEMANA NACIONAL ANTIDROGAS
OBJETIVO:
A finalidade da Semana, criada em 1999, pela Secretaria Nacional Antidrogas (SENAD), é alertar a sociedade sobre os riscos do uso de drogas e no combate ao tráfico, orientando a respeito dos fatores de proteção, na família, na escola e na comunidade em geral.
A semana comemorativa é um importante marco de parceria das Organizações Governamentais e Não-governamentais, com informações e atividades em prol da ordem social e da qualidade de vida da população.
O Conselho Estadual Antidrogas (CEAD) e os Conselho Municipais Antidrogas (CEMAD) se unem nesta semana com o compromisso de mobilizar a sociedade nas ações preventivas, focados na responsabilidade compartilhada diante do grande problema do uso de drogas atingindo principalmente a nossa juventude.

CONSELHO ESTADUAL ANTIDROGAS (CEAD/MS)
Bloco 6 – Pq dos Poderes – Campo Grande/MS
Tel: 3318 6910 / 3318 6914
E-mail: ceadms@sejusp.ms.gov.br

sexta-feira, 3 de junho de 2011

Curso de Passe, em Campo Grande-MS, dias 9 e 16 de junho

Local : Centro Espírita Amizade
Rua Wagner Jorge Bortotto Garcia, Qd 05, lote 05 – Jd. Tayaná
Datas:
9 de junho de 2011 - Quinta-feira - 1ª Parte e
16 de junho de 2011 - Quinta-feira - 2ª Parte
Horário: das 19 hs às  21h30
Realização: Departamento de Atendimento Espiritual da FEMS
Informações: (67) 3324-8322 e 3324-3757