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quinta-feira, 15 de março de 2018

Discussão sobre gênero

Em agosto de 2016, a médica estadunidense, Michelle Cretella, presidente do American College of Pediatricians (ACPeds) (Associação Americana de Pediatras), publicou relevante estudo de revisão da literatura científica relacionada à Disforia de Gênero (DG), termo utilizado para indicar o sofrimento psicológico e emocional decorrentes do conflito entre a identidade de gênero e o sexo biológico. A partir da publicação da ACPeds foram definidos protocolos médicos de atendimento aos portadores desta condição, sobretudo crianças e adolescentes.1 Doutora Cretella resume em poucas palavras a impropriedade da denominação “ideologia de gênero” e os conceitos que lhe são usualmente agregados: “O sexo é determinado pelo nosso DNA no momento da concepção, e está em cada célula do nosso corpo. Isso se resume aos cromossomos: se uma pessoa tem um cromossomo Y, é um menino; se não tem, é uma menina”.2

O termo “ideologia de gênero” passou a ser de uso comum, mesmo considerando a impropriedade das ideias e das posições radicais da ideologia serem conduzidas às escolas para debates e posições consideradas educativas. Basicamente, a ideologia de gênero consiste na afirmação de que os seres humanos nascem iguais porque a definição de masculino e de feminino é mero resultado histórico-cultural, desenvolvido pela sociedade. Os ideólogos desta posição não encontram respaldo científico e entram em rota de colisão com princípios éticos da prática médica, ainda que justifiquem suas posições como uma forma de evitar o preconceito, a homofobia e a violência contra as minorias não heterossexuais. Para os defensores da ideologia de gênero, não existem apenas os gêneros masculino e feminino, mas um espectro que pode ser livremente escolhido pelo indivíduo até que ele defina a qual gênero prefira se manifestar na sociedade.

Em termos biológicos e genéticos, contudo, esta afirmação é equivocada e pode gerar graves problemas: nascemos com um sexo biológico definido pelos cromossomos X e Y, que são marcadores genéticos configurados aos pares, na forma de XY ou XX e que representam homens e mulheres, respectivamente.3 A Ciência explica claramente e sem qualquer margem de dúvida, que a sexualidade humana é binária, surgida evolutivamente com o propósito de reprodução, sobrevivência e manutenção da espécie Homo sapiens.

Para a Doutrina Espírita, somos Espíritos, assim como para a Ciência pertencemos à espécie humana (Homo sapiens = homem sábio), surgida com a humanização do princípio inteligente, independentemente do plano de vida em que estejamos situados: o físico ou o espiritual. Os Espíritos reencarnados possuem um corpo físico, construído a partir do períspirito que, desde o momento da fecundação, já define o seu sexo biológico. Neste sentido, as inúmeras reencarnações permitem ao Espírito renascer em um corpo masculino ou feminino como parte do processo de aprendizagem espiritual. Por este motivo, quando Allan Kardec perguntou aos orientadores da Codificação espírita (O livro dos espíritos, questão 202): Quando errante [desencarnado], que prefere o Espírito: encarnar no corpo de um homem ou no de uma mulher? A resposta transmitida pelos orientadores espirituais é objetiva e muito esclarecedora: “Isto pouco lhe importa. Vai depender das provas por que haja de passar.”.4

Sendo assim, a opção de renascer com sexo masculino ou feminino reflete apenas necessidades evolutivas, geralmente vinculadas aos  mecanismos da Lei de Causa e Efeito. Vale, pois, enfatizar: ninguém nasce com um gênero. Sexo biológico é aquele  […] com o qual a pessoa nasce e define o gênero que lhe é socialmente  atribuído  desde o nascimento. Se nasce com genitália masculina, o gênero masculino é atribuído; se nasce com genitália feminina, o gênero [é] feminino; ou se com genitália ambígua ou indeterminada, o gênero intersexual.5

A rigor, os Espíritos desencarnados não têm um sexo determinante. Este aparece no corpo físico, com a reencarnação, segundo este esclarecimento registrado por Kardec:

Os Espíritos encarnam como homens ou como mulheres, porque não têm sexo. Como devem progredir em tudo, cada sexo, como cada posição social, lhes oferece provações, deveres e novas oportunidades de adquirirem experiência. Aquele que fosse sempre homem só saberia o que sabem os homens.6

Por outro lado, sabemos que há desencarnados que vivem como se estivessem encarnados, agindo como homem ou mulher, alimentando-se das sensações da prática sexual em que se envolviam quando encarnados. Manuel Philomeno de Miranda recorda no livro Sexo e consciência que As Leis da Vida permitem que o Espírito utilize variados perfis de programação reencarnatória. Desta forma, poderemos reencarnar diversas vezes em um só sexo para depois fazermos um longo percurso pelo sexo oposto ou reencarnar alternadamente em um ou outro sexo. […]

Estes conceitos evidenciam que a tarefa evolutiva de todos os Espíritos é desenvolver as qualidades psíquicas inerentes às duas polaridades.

Essas qualidades psíquicas predominantes em uma ou outra polaridade podem ser divididas em duas:

A Energia – a capacidade de enfrentamentos, a ousadia, a liderança, o destemor. Esta é uma característica predominantemente masculina.

O Amor – a capacidade de acolhimento, a doçura, a compreensão, a sensibilidade. Esta é uma característica predominantemente feminina.

Ambas as polaridades, quando plenamente desenvolvidas, levam à conquista da sabedoria.7

A consciência ou sensação de gênero é muito mais percepção sociológica e psicológica do que certeza biológica. Assim, a criança não nasce com consciência de si mesma como homem ou mulher. Esta conscientização se desenvolve ao longo do tempo e, como todos os processos de desenvolvimento, decorre das percepções subjetivas e íntimas, dos relacionamentos e das experiências vividas desde a infância. As pessoas que se identificam como “se sentindo como do sexo oposto” ou “em algum lugar no meio” não compõem um terceiro sexo. Permanecem homens ou mulheres, biologicamente falando, como concluem publicações acadêmicas de 2017, nos Estados Unidos.8

A identidade de gênero é de natureza psíquica e está relacionada às experiências reencarnatórias anteriores:

[…] é aquilo que a pessoa sente ser quando se olha no espelho ou quando reflete sobre si mesma. Pode ser masculina, feminina, ambas (ora uma, ora outra) ou nenhuma das duas, quando a pessoa não se identifica com nenhuma forma de masculinidade ou feminilidade de sua sociedade, ou quando se identifica com a expressão andrógina que mescla masculinidade e feminilidade […].9

O Espírito Emmanuel reforça essas ideias ao afirmar que a identidade de gênero tem raízes nas experiências pregressas do Espírito:

Ante os problemas do sexo, é forçoso lembrar que toda criatura traz os seus temas particulares, com referência ao assunto.

Atendendo à soma das qualidades adquiridas, na fieira das próprias reencarnações, o Espírito se revela, no plano físico, pelas tendências que registra nos recessos do ser, tipificando-se na condição de homem ou de mulher, conforme as tarefas que lhe cabe realizar. Além disso, a individualidade, muitas vezes, independentemente dos sinais morfológicos, encerra em si extensa problemática, em se tratando de vinculações e inclinações de caráter múltiplo.10

A identidade de gênero é entendida pela Ciência como uma condição psicológica que pode se manifestar desde a infância; de natureza inata, portanto. Comumente, porém, se observa mais nitidamente na pré-adolescência e na adolescência. Esta questão precisa ser analisada com firmes critérios éticos, a fim de que a discussão de gênero não se transforme em uma “ideologia de gênero”, de base ou evidências não científicas, as quais podem conduzir a ações drásticas, como por exemplo, o uso de hormônios e a esterilidade de jovens.11 Neste sentido, acadêmicos, médicos  e outros profissionais de saúde mental fazem constantes alertas, evocando o princípio ético básico da prática médica: “em primeiro lugar, nunca causar dano ou mal”.12 Tais estudiosos fazem este alerta a respeito do assunto:13

Estamos preocupados com a tendência atual de rapidamente diagnosticar e afirmar crianças e adolescentes como transgêneros, frequentemente direcionando-os para a transição médica. […]  Consideramos que cirurgias e/ou tratamentos hormonais desnecessários, cuja segurança a longo prazo ainda não foi comprovada, representam riscos importantes para crianças e adolescentes. Políticas públicas que incentivam – direta ou indiretamente – esse tratamento médico para crianças ou adolescentes que podem não ser capazes de avaliar seus riscos e benefícios são altamente suspeitos […].14

Com o surgimento de novas publicações sobre o assunto, é importante conhecer o significado de alguns conceitos:
Transgênero (trans): indivíduo que se identifica com um gênero diferente do sexo biológico ou de nascimento.

Transexual: indivíduo cuja identidade de gênero difere daquela designada no nascimento e que procura fazer a transição para o gênero oposto por meio de intervenção médica. Nos transexuais a redesignação transexual sexual ou apenas feminilização/masculinização, pode ser realizada por cirurgia (mudança de sexo) e/ou pela administração de hormônios.

Travestis (ou cross-dressers, do inglês): termo típico, muito utilizado nos países da América Latina, Espanha e Portugal, segundo o qual, a despeito da discussão do que se deva, efetivamente, ser denominado travesti, aceita-se o conceito de que são pessoas que, aparentemente, não sentem desconforto com sua genitália, gostam de se vestir de acordo com o gênero oposto e não sentem necessidade de fazer cirurgia de redesignação sexual.

Teoria Queers ou Genderqueers: trata-se da   teoria de que a orientação sexual e a identidade sexual ou de gênero dos indivíduos resultam de um constructo social e que, portanto, não existem papéis sexuais essencial ou biologicamente inscritos na natureza humana, antes formas socialmente variáveis de desempenhar um ou vários papéis sexuais. É o que caracteriza a ideologia de gênero.

Há outras denominações, mas, em síntese, podemos assim nos exprimir, generalizando:

Os transgêneros são todas as condições que não se adequam ao gênero preestabelecido ou socialmente atribuído ao nascimento. A classificação trans é, portanto, um guarda-chuva que engloba os/as transexuais, travestis, intersexuais e as pessoas queers. Para algumas destas pessoas, a sua definição é clara, para outras é conflituosa ou incerta. Alguns, como os queers não gostam de ser rotulados ou definidos em nenhum conceito rígido.15

O Espírito Emmanuel discorre a respeito da temática, apontando pontos fundamentais que servem de roteiro para um estudo mais aprofundado:16

A reencarnação explica a homossexualidade/transexualidade:
A homossexualidade, também hoje chamada transexualidade, em alguns círculos da ciência […] não encontra explicação fundamental nos estudos psicológicos que tratam do assunto em bases materialistas, mas é perfeitamente compreensível à luz da reencarnação. (p. 83).

Aumento do número de transexuais no mundo, a despeito dos preconceitos existentes:
Observada a ocorrência, mais com os preconceitos da sociedade […], essa mesma ocorrência vai crescendo de intensidade e de extensão, com o próprio desenvolvimento da Humanidade, e o mundo vê, na atualidade, em todos os países, extensas comunidades de irmãos em experiência dessa espécie, somando milhões de homens e mulheres, solicitando atenção e respeito, em pé de igualdade ao respeito e à atenção devidos às criaturas heterossexuais. (p. 83).

Discussão de gênero: normalidade versus anormalidade:
A coletividade humana aprenderá, gradativamente, a compreender que os conceitos de normalidade e de anormalidade deixam a desejar quando se trate simplesmente de sinais morfológicos, para se erguerem como agentes mais elevados da definição da dignidade humana, uma vez que a individualidade, em si, exalta vida […]. (p. 84).

As tendências da sexualidade humana:
A vida espiritual pura e simples se rege por afinidades eletivas essenciais; no entanto, através de milênios e milênios, o Espírito passa por fileira imensa de reencarnações, ora em posição de feminilidade, ora em condições de masculinidade, o que sedimenta o fenômeno da bissexualidade, mais ou menos pronunciado, em quase todas as criaturas. (p. 84).

Sexualidade em trânsito:
Em face disso, a individualidade em trânsito, da experiência feminina para a masculina ou vice-versa, ao envergar o casulo físico, demonstrará fatalmente os traços da feminilidade em que terá estagiado por muitos séculos, em que pese ao corpo de formação masculina que o segregue, verificando-se o análogo processo com referência à mulher nas mesmas circunstâncias. (p. 84 e 85).

Justificativas para as tendências homossexuais:
O homem que abusou das faculdades genésicas, arruinando a existência de outras pessoas […], em muitos casos é induzido a buscar nova posição, no renascimento físico, em corpo morfologicamente feminino […] a mulher que agiu de igual modo é impulsionada à reencarnação em corpo morfologicamente masculino, com idênticos fins. […] (p. 85).

As tendências homossexuais não se restringem a expiação provacional:
[…] E, ainda, em muitos outros casos, Espíritos cultos e sensíveis, aspirando a realizar tarefas específicas na elevação de agrupamentos  humanos e, consequentemente, na elevação de si próprios, rogam dos instrutores da Vida Maior que os assistem a própria internação no campo físico, em vestimenta carnal oposta à estrutura psicológica pela qual transitoriamente se definem. […] (p. 85).

Em razão do preconceito existente na sociedade, das desinformações relacionadas ao assunto, aos equívocos e limitações da educação familiar e escolar, pessoas que apresentam dificuldades na identidade de gênero merecem ser acolhidas com amor e respeito, porque raras são aquelas que não apresentam algum grau de sofrimento psíquico ou de disforia de gênero, sobretudo devido às agressivas manifestações da transfobia:  preconceito, ódio e violência dirigida às pessoas transgêneras.

Ao final deste singelo estudo inserimos estas ponderações do saudoso Chico Xavier, como um guia de conduta espírita ante a questão discussão de gênero:
Acreditamos que o tempo e a compreensão humana traçarão normas sociais suscetíveis de tranquilizar quantos se vinculem a semelhante segmento da comunidade, assegurando-se-lhes a bênção do trabalho com o respeito devido a todos os filhos de Deus.

Até que isso se concretize, não vejo pessoalmente qualquer motivo para críticas destrutivas e sarcasmos incompreensíveis para com os nossos irmãos e irmãs portadores de tendências homossexuais, a nosso ver, claramente iguais às tendências heterossexuais que assinalam a maioria das criaturas humanas. Em minhas noções de dignidade do espírito, não consigo entender por que razão esse ou aquele preconceito social impedirá certo número de pessoas trabalhar e de serem úteis à vida comunitária, unicamente pelo fato de haverem trazido do berço características psíquicas ou fisiológicas diferentes da maioria.

Nunca vi mães e pais, conscientes da elevada missão que a Divina Previdência lhes delega, desprezarem um filho porque haja nascido cego ou mutilado. Seria humana e justa a nossa conduta em padrões de menosprezo e desconsideração, perante os nossos irmãos que nascem com dificuldades psicológicas?17

Artigo de Marta Antunes, publicado na revista Reformador, ano 136, nº 2268, em março de 2018.

REFERÊNCIAS:

1 CRETELLA, Michelle. Gender dysphoria in children and suppression of debate. https://www.renewalministries.net/ wordpress/tag/dr-michelle-cretella/ Artigo traduzido pela Gazeta do Povo https://nihilsubsolenovum.wordpress. com/2017/10/22/pediatras-e-a- ideologia-de-genero/ Acesso em: 7 dez. 2017.

2             .              .

3 Disponível em: http://especiais. gazetadopovo.com.br/ideologia- de-genero-estudo-do-american- college-of-pediatricians. Acesso em: 5 dez. 2017.

4 KARDEC, Allan. O livro dos espíritos. Trad. Evandro Noleto Bezerra. 4. ed. 3. imp. Brasília: FEB, 2016.

5 MOREIRA, Andrei. Transexualidades, sob a ótica do espírito imortal. Belo Horizonte: AME, 2017. cap. 1, p. 29 e 30.

6 KARDEC, Allan. O livro dos espíritos. Trad. Evandro Noleto Bezerra. 4. ed. 3. imp. Brasília: FEB, 2016. Comentário de Kardec à q. 202.

7 FRANCO, Divaldo Pereira. Sexo e consciência. (Org. Luiz Fernando Lopes). 1. ed. Salvador: LEAL, 2013. cap. 7 – Homossexualidade, it. Polaridades sexuais e reencarnação.

8 CRETELLA, Michelle. Gender dysphoria in children and suppression of debate. https://www.renewalministries.net/ wordpress/tag/dr-michelle-cretella/ Artigo traduzido pela Gazeta do Povo https://nihilsubsolenovum.wordpress. com/2017/10/22/pediatras-e-a- ideologia-de-genero/ Acesso em: 7 dez. 2017.

9 MOREIRA, Andrei. Transexualidades, sob a ótica do espírito imortal. Belo Horizonte: AME, 2017. cap. 1, p. 30.

10 XAVIER, Francisco C. Vida e sexo. Pelo Espírito Emmanuel. 27. ed. 3. imp. Brasília: FEB, 2016. cap. 1 – Em torno do sexo.

11CRETELLA,Michelle. Genderdysphoria in children and suppression of debate. https://www.renewalministries.net/ wordpress/tag/dr-michelle-cretella/ Artigo traduzido pela Gazeta do Povo https://nihilsubsolenovum.wordpress. com/2017/10/22/pediatras-e-a- ideologia-de-genero/ Acesso em: 7 dez. 2017.

12           .              .

13           .              .

14 YOUTH TRANS CRITICAL PROFESSIONALS. Professionals thinking critically about the youth transgender narrative. Disponível em: https:// youthtranscriticalprofessionals.org/ about. Acesso em: 22 dez. 2017.

15 MOREIRA, Andrei. Transexualidades, sob a ótica do espírito imortal. Belo Horizonte: AME, 2017. cap. 1, p. 34.

16 XAVIER, Francisco C. Vida e sexo. Pelo Espírito Emmanuel. 27. ed. 3. imp. Brasília: FEB, 2016, cap. 21 – Homossexualidade.

17 NOBRE, Marlene Rossi S. Lições de sabedoria: Chico Xavier nos 23 anos da folha espírita. 2. ed. São Paulo: FE, 1977. Pt. 6 – Sexo e responsabilidade: energia sexual, cap. 36 – Homossexualidade e conduta, p. 69.

quarta-feira, 18 de outubro de 2017

O sono nas reuniões espíritas

Quais as causas do sono de que muitos companheiros se queixam quando participam de uma reunião mediúnica ? Como evitá-lo ?

As causas podem ser várias. Desde o cansaço físico, quando o indivíduo que vem de atividades muito intensas e que, ao sentar-se, ao relaxar-se, naturalmente é tomado pelo torpor da sonolência. Também, pode ser causado pela indiferença, pelo desligamento, quando alguém está num lugar, fisicamente, entretanto, pensando em outro, desejando não estar onde se acha. Compelido por uma circunstância qualquer, a pessoa se desloca mentalmente.
O sono pode, ainda, ser provocado por entidades espirituais que nos espreitam e que não tem nenhum interesse em nosso aprendizado para o nosso equilíbrio e crescimento. Muitas vezes, os companheiros questionam: “Mas nós estamos no Centro Espírita, estamos num campo protegido, e como o sono nos perturba?” Temos que entender que tais entidades hipnotizadoras podem não penetrar o circuito de forças vibratórias da Instituição, ficam do lado de fora. Mas, a pessoa que entrou no Centro, na reunião, não sintonizou-se com o ambiente, continua vinculada aos que se conservam fora, e através dessa porta, desse plug aberto, ou dessa tomada, as entidades que ficaram lá de fora lançam seus tentáculos mentais, formando uma ponte. Então, estabelecida a ligação, atuam na intimidade dos centros neuroniais desses incautos, que dormem, que se dizem desdobrar: “Eu não estava dormindo . . . apenas desdobrei, eu ouvi tudo . . .” Eles viram e ouviram tudo o que não fazia parte da reunião. Foram fazer a viagem com as entidades que os narcotizaram.
Deparamos aí com distúrbios graves, porque quando termina a reunião o indivíduo está fagueiro, ótimo e sem sono e vai assistir à televisão até altas horas, depois de se haver submetido aos fluidos enfermiços. Por isso recomendamos àqueles que estão cansados fisicamente, que façam um ligeiro repouso antes da reunião, ainda que seja por poucos minutos, para que o organismo possa beneficiar-se do encontro, para que fiquem mais atentos durante o trabalho doutrinário. Levantar-se, borrifar o rosto com água fria, colocar-se em uma posição discreta, sempre que possível ao fundo do salão, em pé, sem encostar-se, afim de lutar contra o sono.
Apelar para a prece, porque sempre que estamos desejosos de participar do trabalho do bem, contamos com a eficiente colaboração dos Espíritos Bondosos. Faze a tua parte que o céu te ajudará.
Temos, então, o sono como esse terrível adversário de nossa participação, de nosso aprendizado, de nosso crescimento espiritual. Não permitamos que ele se apodere de nós. Lutemos o quanto conseguimos, e deveremos conseguir sempre, para combatê-lo, para termos bons frutos no bom aprendizado.

J. Raul Teixeira, do livro Diretrizes de Segurança

quinta-feira, 19 de novembro de 2015

A Força está na Filosofia...

Viana de Carvalho declarou através da psicografia de Divaldo Franco que o movimento espírita cresce, mas que a doutrina permanece esquecida, quando não mutilada em muitos de seus aspectos.

O movimento espírita tem crescido. Segundo a Encyclopaedia Britannica, em 2005 estimava-se a existência de 10 milhões de espíritas no mundo inteiro. Os dados do IBGE, conforme o censo brasileiro de 2000, apontam para 2.262.401 de espíritas em um total de 169.872.856 brasileiros. Ou seja, 1,33% da população brasileira declara-se espírita.

O Brasil é o país com maior número de profitentes da Doutrina Espírita. O movimento espírita brasileiro, com seus esforços de estudo e divulgação, tem conseguido resultados muito eficientes quanto à aceitação do Espiritismo como religião. A este respeito deve-se considerar as informações do relatório do censo, conforme o sítio do próprio IBGE:

“Segundo a publicação, entre as religiões mais numerosas, os espíritas apresentaram os melhores indicadores, tanto de escolaridade (98,1% são pessoas de 15 anos ou mais de idade alfabetizadas), como de rendimento: 8,4% deles ganhavam mais de 20 salários mínimos, enquanto para o total da população, apenas 2,7% tinham esse rendimento. Entre aqueles que ganhavam até 1 salário mínimo, os espíritas tinham a menor proporção (7,9%).”

Vê-se que o Espiritismo tem alcançado com mais intensidade as camadas mais esclarecidas da sociedade.

O movimento espírita, como esforço humano para o estudo, a vivência e a divulgação do Espiritismo, tem contribuído para estes resultados. Entretanto devemos considerar os resultados efetivos destes números para a verdadeira contribuição que o Espiritismo deve desempenhar na Terra. Segundo Allan Kardec, o codificador, “pelo Espiritismo a humanidade deve entrar numa nova era de progresso moral, que lhe é conseqüência inevitável” – declara ele na conclusão de O Livro dos Espíritos. E consoante este propósito, é justo perguntar:

Como está o entendimento e a vivência do Espiritismo?

Em diferentes localidades, temos encontrado companheiros do movimento espírita preocupados com as atitudes e posturas de muitos espíritas que – estranhamente – conflitam com os preceitos doutrinários recomendados pelo Espiritismo. São atitudes de conflito desnecessárias, posturas de absolutismo em pontos de crença, segmentação do conhecimento espírita, retirando-lhe a integridade científico-filosófico-religiosa caracterizada em seus fundamentos; desconhecimento dos fundamentos teóricos doutrinários e conseqüentes práticas mediúnicas equivocadas, etc. Atônitos ante os descalabros de ações – que mais atrapalham que auxiliam, vimos companheiros de lide espírita a se perguntar o que está ocorrendo...

Em nossa visão a resposta é clara: como movimento estamos apostando numa estratégia equivocada: Salientamos a riqueza do tesouro, mas raros sabemos do que se trata!

Novamente recuperamos a palavra de Allan Kardec:

“Falsíssima idéia formaria do Espiritismo quem julgasse que a sua força lhe vem da prática das manifestações materiais e que, portanto, obstando-se a tais manifestações, se lhe terá minado a base. Sua força está na sua filosofia, no apelo que dirige à razão, ao bom-senso.”

O Espiritismo é doutrina educativa. Nasce como esforço educacional que emana dos Espíritos e tem por propósito a renovação da cultura humana pela compreensão de que o Espírito não é uma entidade sobrenatural, mas uma das potências da natureza. A principal implicação deste fato é a revisão dos arcabouços da ciência, pela introdução de um novo conceito estrutural – a saber, o espírito como elemento inteligente do universo. Considerando a ação do espírito no Universo, a ciência renova-se em suas percepções e explicações. Daí decorre toda uma nova formulação sobre o Mundo, sobre a explicação dele. Esta formulação ocorre no entendimento humano, renovado pelo conhecimento revelado pelos Espíritos, e necessariamente ponderado pelo crivo da razão humana.

Mas como construir um novo modelo sobre o mundo sem conhecer os elementos que fundamentam tal construção? Em outras palavras: como ver o mundo através da doutrina espírita sem entender a própria doutrina espírita? Como adotar atitudes conseqüentes da fé raciocinada – aquela que pode encarar a razão face a face – sem que a razão tenha sido preparada para debruçar-se sobre as graves questões da Vida?

A força do Espiritismo está em sua filosofia... E é por isto que devemos empregar nosso tempo por estudá-lo, por refleti-lo, por meditá-lo... Sem este esforço não alcançaremos qualquer resultado efetivo.

E ante a exigüidade do tempo que a atual existência nos coloca, como alunos matriculados na escola que devem aproveitar o ano letivo, refletimos sobre a conclamação de André Luiz, em sua obra mais famosa, Nosso Lar:

“Irmãos que estais na Terra... Acendei vossas luzes antes de atravessardes o portal da Grande Sombra! Buscai a Verdade antes que ela vos surpreenda! Suai agora, para não chorardes depois...”

André Henrique de Siqueira
Brasília, outubro de 2007
André Henrique de Siqueira é Doutor em Ciência da Informação pela UnB e bacharel em Ciência da Computação pela UFRN, é especializado em Arquitetura da Informação. Em 1996 publicou um dos primeiros sites espíritas no Brasil. Desde 1979 atua como evangelizador e coordenador de grupos de estudos sistematizados do Espiritismo. Tem mantido uma agenda de palestras sobre a temática espírita por todo o país. É servidor público federal no Banco Central do Brasil, professor em diferentes cursos de Pós-Graduação Lato e Strito Senso e cooperador do Espiritismo.Net desde 2001.

sábado, 27 de setembro de 2014

As novas formações familiares

Há cerca de 20 anos, ocorreu numa casa espírita fluminense o seguinte episódio: um expositor fazia uma palestra sobre família. Em dado momento, ele disse que se há só a mãe e o filho, não é uma família. Faltava um elemento: o pai. Por isso, mãe e filho não bastavam para formar uma família. No momento em que ele dizia isso, uma moça, mãe solteira que ia a um centro espírita pela primeira vez, entrava para assistir à palestra e ficou em pé, olhando para ele, extremamente incomodada com o que ouvira. E com toda razão. Afinal, ela e o filho, se não eram uma família, seriam o que, então? 

Semanas depois, num treinamento interno, esse e todos os outros expositores foram devidamente orientados a não fazer esse tipo de comentário. Afinal, a ausência da figura paterna não desqualifica uma família. O tempo passou, e pesquisas recentes traduzem em dados o que todos já sabem: o perfil da família mudou. 

O educador e expositor espírita Álvaro Chrispino, em um seminário intitulado “O Espírita do século 21”, chama atenção, entre outros tópicos, para a necessidade de o espírita estar cada vez mais preparado para receber famílias comandadas por mães solteiras e pais solteiros, crianças criadas por avós, casais homossexuais que levam uma vida digna e resolveram adotar uma criança... 

Durante muito tempo, nos acostumamos a crer que família são pai, mãe, filhos e demais parentes. Quando muitos casais começaram a se separar e outras tantas pessoas (mulheres e homens) optaram por ter filhos sozinhas, pensou-se: – Meu Deus, a família acabou! Ledo engano. O conceito de família é que está se ampliando. 

A “Revista O Globo”, de 12 de outubro de 2008, traz, em reportagem de capa, a história do médico Sérgio D’Agostini, um bem-sucedido homem solteiro de 43 anos, morador da Zona Sul carioca. Sérgio adotou um menino recém-nascido, filho de uma moradora de rua, portador de várias doenças herdadas dos pais. Em três tempos, pôs a vida do garoto em dia, mas pôs a sua de cabeça para baixo e descobriu a saudável rotina de ser pai solteiro. A reportagem cita, ainda, que já havia 80 homens solteiros na fila da adoção. Homens que têm todo o direito de serem chamados de família quando estiverem cuidando de seus filhos adotivos. 

A pergunta 775, de O Livro dos Espíritos, de Allan Kardec, diz: “Qual seria, para a sociedade, o resultado do relaxamento dos laços de família?”. Resposta: “Um agravamento do egoísmo.” Veja bem, laços de família. Há mais de uma forma de dar esse laço firme. E achar que só existe um tipo de família (pai, mãe e filhos) e torcer o nariz para quem não se enquadra nesse padrão é contribuir para o agravamento do egoísmo.   
Casamentos entre homem e mulher com nascimento de filhos sempre haverá. E fazemos votos que sejam casamentos felizes. Mas o andar da carruagem humana está mostrando que há outros modelos de família. E se há, é porque pessoas que não se enquadram naquilo que se convencionou como padrão querem ser solidárias, dar amor, conduzir uma criança pela vida... 

Como fazemos parte da grande família humana, ajudemos para que essas novas formações familiares sejam bem acolhidas na casa espírita. 


Artigo publicado em O Consoladornº 131, de 10 de novembro de 2009. O autor, Marcelo Teixeira é expositor espírita, dirigente do Departamento de Divulgação da União Municipal Espírita de Petrópolis (UMEP), jornalista e publicitário.

A omissão dos bons - Falta de energia não é bondade.

Várias questões de O Livro dos Espíritos figuram entre as minhas preferidas. A 932 é uma delas.

“932. Por que, no mundo, tão amiúde a influência dos maus sobrepuja a dos bons?”
“Por fraqueza destes. Os maus são intrigantes e audaciosos, os bons são tímidos. Quando estes o quiserem, preponderarão.”

Conheço gente que pensa serem o bem e o mal duas forças antagônicas e de igual poder que vivem em eterna luta. É a visão maniqueísta, sobre a qual já falei no livro Inquietações de um espírita.

É equivocado achar que o bem e o mal têm igual potência. O mal é somente a ausência do bem. Só isso. Quando o bem chega, o mal bate em retirada. É como a escuridão: ao acendermos uma luz, um fósforo que seja, a escuridão perde a força. Se a rua está às escuras e acendemos a luz do quarto, não é a escuridão que entra pela janela, é a luz que sai por ela.

Para quem acha que estou sendo um tanto piegas, vamos a exemplos com mais sustança, como dizem os antigos.

O livro Libertação, do espírito André Luiz, psicografia de Chico Xavier, mostra um vasto local de baixíssima vibração espiritual comandado por uma entidade astuta, mas profundamente infeliz, porque se mostra enredada em planos de ódio e vingança. Para pô-los em prática, comanda diversos espíritos igualmente infelizes, que cumprem suas ordens, atuando sobre o psiquismo de várias criaturas encarnadas. A equipe da qual André Luiz faz parte inicia, então, com amor, coragem e paciência, uma plano que aos poucos vai conduzindo aquelas almas à redenção de si mesmas pelo trabalho de reerguimento moral. Ao final do livro, a mãe do, digamos, chefe do bando aparece, esplendorosa, nimbada de luz para buscar o filho, que não a encontrava havia muito tempo, visto que, tão logo desencarnou, se deixou levar por sentimentos inferiores. Ele, então, emocionado ante a presença da mãe, deixa cair toda a máscara de crueldade, revela-se frágil, carente, a mãe o leva embora e a luz do bem se faz presente, inundando o lugar de paz. O bem não foi tímido, foi audacioso, trabalhou de forma diligente e o mal se dissipou.

Outro ótimo exemplo está no livro Sexo e Obsessão, de Manoel Philomeno de Miranda, psicografia de Divaldo P. Franco. No livro, o Marquês de Sade (sim, ele mesmo!), espírito altamente vinculado ao sexo vicioso – tanto que a palavra sadismo deriva de seu nome – embora séculos depois de sua morte, é também surpreendido, no plano espiritual, pela presença da mãe. E com o concurso dos amigos espirituais (sim, eles mesmos!), é iniciado um processo de redenção daquela alma, pois o bem sempre vence.

Assim também deve ser conosco. Somos de fato muito tímidos quando nos defrontamos com o mal. E não estou falando do mal enorme, simbolizando por um vampiro, uma assombração ou coisa que o valha. Tampouco estou falando do bem em grandes proporções. Aliás, precisamos parar de achar que bem e mal são coisas de grandes escalas. Também são, mas podem estar presentes igualmente nas pequenas ações do dia a dia.

É curioso esse dado do ser humano. Achar que para fazer o bem é necessária grande soma em dinheiro, feitos grandiosos etc. Conheço gente que diz ter o sonho de construir um hospital se ganhasse na loteria. De fato é um sonho louvável, mas enquanto isso, os bancos de sangue vivem vazios, suplicando por doadores, e quase ninguém aparece para doar sangue. Por essa razão, o mal, representado por doentes necessitados e por baixos estoques de sangue, prospera. E prospera por quê? Por fraqueza dos bons, traduzida em preguiça, falta de interesse, medo da agulha... E eu falo isso de cadeira, pois sou doador de sangue.

Fiz meu primeiro curso universitário à noite no Rio de Janeiro, morando em Petrópolis. À época (1988 a 1992), os ônibus Rio-Petrópolis-Rio não possuíam ar condicionado. Nos dias quentes, era necessário abrir a janela para refrescar o ambiente. Só que havia janelas que não eram janelas, eram vidros fixos. Quem viaja muito em ônibus interurbanos sabe que, dependendo da poltrona comprada, senta-se ao vidro, e não à abertura da janela. Eu, como viajava sempre, já sabia quais assentos eram janelas e quais eram vidros.

Certa vez, num dia quente de verão, cheguei cedo à Rodoviária Novo Rio e comprei janela. Fui então lanchar. Quando embarquei no ônibus, havia um homem sentado no assento de janela que eu havia comprado. Em suma, ele comprou um assento que era no vidro, e não na abertura da janela, e sentou-se no meu lugar. Ele, então, de forma autoritária, despachando-me, disse para que eu sentasse no lugar dele, que era janela também. Eu sabia que não era, mas por covardia moral sentei-me e vim emburrado para casa, julgando-me o homem mais tolo do mundo. Não havia sido corajoso para lutar pelo direito de sentar no assento que eu havia escolhido. Deixei o mal, representado por um sujeito folgado e arrogante, me vencer.

O tempo passou, fui pegando idade, estudando a Doutrina Espírita e aprendendo a não ser omisso ante o mal nosso de cada dia. Por várias vezes, vi-me em situações parecidas com a que relatei e fiz, com educação e força moral, valerem os meus direitos.

Um belo exemplo aconteceu quando eu esperava para atravessar a rua na faixa de pedestres e um carro só faltou passar por cima de mim para estacionar... na faixa de pedestres! Como logo atravessei a rua, acabei não me manifestando, mas passei a ficar atento ao fato. Tempos depois, estava eu esperando para atravessar no mesmo local quando chegou um carro, encostou mais à frente e começou a dar marcha a ré para estacionar na faixa, onde eu aguardava para, no meu direito, atravessar a rua. Não arredei pé de onde estava. Fiz o motorista desistir de estacionar na faixa e sair em busca de outra vaga. Senti-me vitorioso; o mal da falta de respeito aos direitos do próximo na via pública havia sido derrotado por mim. Fiz valer o meu direito e o de muitos pedestres.

Em 2005, estava em Brasília, quando tive a oportunidade de assistir ao seminário Diretrizes para uma vida feliz, ministrado pelo médium e tribuno baiano Divaldo Pereira Franco. Foi um seminário de dois dias (sábado e domingo à tarde). No domingo de manhã, foi promovido um bate-papo de Divaldo com dirigentes dos centros espíritas da região, do qual também participei.

Uma das perguntas feitas a Divaldo versou justamente sobre se devemos ou não chamar atenção de algum companheiro de centro espírita que está fazendo algo errado. Divaldo disse que sim. Se a pessoa está errada, deve-se chamar-lhe atenção, claro que com respeito e carinho, mas precisa realmente ser advertida, a fim de não continuar cometendo o mesmo erro. – E se ela ficar chateada? – perguntou alguém. Resposta de Divaldo: – Se ela ficar chateada é problema dela. O que não podemos é deixar o mal triunfar por receio nosso.

Ele, então, aproveita a deixa e conta que, certa vez, depois de uma série de palestras, estava na fila do check in do aeroporto, a fim de voltar para Salvador, onde mora. Veio, então, um sujeito e furou a fila, postando-se à frente de Divaldo que então disse: – O senhor furou a fila. O homem retrucou: – Ah, mas eu estou com pressa. Divaldo rebateu: – As outras pessoas também. Foi por isso que elas chegaram antes do senhor. Qual é o seu destino? O homem respondeu: – Salvador. Divaldo finalizou: – O meu também. Por favor, para o fim da fila.

O homem então não teve alternativa a não ser procurar o fim da fila e lá esperar a sua vez.

Finalizando, Divaldo disse uma frase que nunca mais esquecerei e que levo comigo até hoje, a fim de fazer valer meus direitos e não ser omisso diante do mal: – Não confundam falta de energia com bondade.

Espero de coração que você, que lê estas linhas, tenha essa frase sempre em mente e não deixe prosperar o mal presente nas pequenas coisas do dia a dia.

por Marcelo Teixeira

segunda-feira, 30 de abril de 2012

Médico em psiquiatria defendeu sua tese de doutorado sobre médiuns espíritas


Alexander Moreira de Almeida é médico e doutor em psiquiatria pela USP – Universidade de São Paulo, coordenador do NEPER – Núcleo de Estudos de Problemas Espirituais e Religiosos do Instituto de Psiquiatria do Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da USP e diretor técnico e clínico do HOJE – Hospital João Evangelista. O fato de registro, é que o doutor Alexander de Almeida defendeu sua Tese de Doutorado sobre “Fenomenologia das experiências mediúnicas, perfil e psicopatologia de médiuns espíritas" recorrendo a dezenas de médiuns espíritas e a varias associações espíritas de São Paulo, onde concedeu uma entrevista exclusiva ao Jornal de Espiritismo.

Como médico psiquiatra, o que o levou a escolher tal Tese de trabalho, para o seu doutoramento: “Fenomenologia das experiências mediúnicas, perfil e psicopatologia de médiuns espíritas"?
Alexander Moreira de Almeida – A importância que as vivências mediúnicas tiveram e ainda têm nas diversas civilizações e, mesmo assim, serem praticamente inexploradas no meio acadêmico.

Como os seus examinadores e a própria Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo, viram a sua Tese de Doutorado?
AMA – Muito bem. Sempre recebi todo o apoio do Departamento de Psiquiatria da USP, da FAPESP (Fundação de Amparo Á Pesquisa do Estado de São Paulo), bem como a banca teve uma postura muito científica: - rigorosa, mas aberta.

E o orientador da Tese de Doutorado? Quem foi?
AMA – Francisco Lotufo Neto, professor livre-docente do Departamento de Psiquiatria da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo.

Quem foram seus examinadores?
AMA – Prof. Dr.. Paulo Dalgalarrondo, Doutor pela Universidade de Heildelberg (Alemanha), livre-docente em Psiquiatria da Faculdade de Medicina da Unicamp (Universidade Estadual de Campinas); Prof. Dr. Leonardo Caixeta, psiquiatra, doutor em Neurologia pela Universidade de São Paulo, professor da UFG (Universidade Federal de Goiás); Prof. Homero Vallada, livre-docente, Professor de Psiquiatria da Faculdade de Medicina da USP e da Universidade de Londres, maior especialista em genética psiquiátrica no Brasil e pelo Prof. Dr. Paulo Rossi Menezes, psiquiatra e epidemiologista, doutor pela London Universisty, livre-docente da faculdade de Medicina da USP.

Existiu algum critério específico para a composição da Banca Examinadora?
AMA – Que fossem pesquisadores destacados e que estudassem áreas relacionadas ao tema da tese.

Durante seu estudo, verificou por certo o grau de escolaridade dos médiuns espíritas. São eles incultos e ignorantes como se diz?
AMA – 46,5% dos médiuns tinham escolaridade superior ou superior com pós-graduação. O Censo Brasileiro de 2000 mostrou que o Espiritismo é a única religião em que a proporção de adeptos aumenta quanto maior o nível educacional do segmento estudado.

Os médiuns espíritas sofrem de transtornos dissociativos, psicóticos ou transtornos de personalidade múltipla?
AMA – Eles também podem apresentar estes e outros transtornos mentais, como qualquer indivíduo, no entanto, a prevalência de problemas psiquiátricos entre os médiuns estudados foi menor que o encontrado na população geral.

Então os médiuns espíritas não são esquizofrênicos?
AMA – Não, eles são até mais saudáveis que a população geral. Isto, apesar de terem muitas vivências alucinatórias e de influência que normalmente são consideradas como sintomas clássicos de esquizofrenia.

Como a mediunidade é vista pela medicina?
A.M.A – Como a expressão de uma manifestação cultural, religiosa, que não necessariamente é patológica. Sobre a explicação de sua origem, habitualmente é considerada como um fenômeno dissociativo em que se manifestam conteúdos do inconsciente do indivíduo. No entanto, estas ideias são baseadas em muitas opiniões e poucas pesquisas.

A mediunidade é causa de doenças mentais?
AMA – Apesar de, historicamente, nos últimos 150 anos ter se acreditado nisto, não há evidências a este respeito.

Quais os possíveis mecanismos neurofisiológicos da mediunidade?
AMA – Desconheço estudos a este respeito, tudo que eu dissesse seria meramente especulativo.

Alguns colegas defendem que a glândula pineal é o órgão sensorial da mediunidade. Sabemos que essa hipótese não é nova. O espírito de André Luiz através do respeitado médium Francisco Cândido Xavier trouxe de novo a “lume”. Qual a sua opinião?
AMA – Há uma longa história de associação da pineal com o Espírito, isto vem desde Descartes. Do ponto de vista científico, desconheço qualquer estudo trazendo evidências da pineal se relacionar com mediunidade. Entretanto, sem dúvida é uma interessante hipótese a ser testada.

Sendo médico e doutor em psiquiatria, o que é a mediunidade?
AMA – Penso que a mediunidade é uma manifestação de uma habilidade humana que tem estado presente na maioria das civilizações ao longo da história. A origem destas vivências em muitos casos, acredito, pode estar realmente no inconsciente dos médiuns. Entretanto, há um considerável número de casos em que esta explicação é insuficiente, apontando para alguma fonte externa ao médium.

Como relaciona psiquiatria, espiritualidade e mediunidade?
AMA – A psiquiatria deve estar interessada numa visão abrangente e multifacetada do ser humana, assim a espiritualidade deve ser levada em conta, como todas as demais dimensões da existência humana. Por fim, a mediunidade é uma vivência que pode nos revelar muito sobre o funcionamento da mente e sua relação com o corpo. Muitos de nossos trabalhos na área podem ser acessados na página www.hojenet.org no item “teses & artigos”.

Como distingue em seus pacientes “mediunidade” com distúrbios meramente neuropsicológicos?
AMA – Esta pergunta não admite uma resposta simples. Faz-se necessária uma avaliação cuidadosa e ampla da pessoa, o que ela tem vivenciado, suas crenças e seu contexto social e cultural. Em linhas gerais, para uma certa vivência ser considerada indicativa de um transtorno mental, deve estar associada a sofrimento, falta de controle sobre sua ocorrência, gerar incapacitação, coexistir com outros sintomas de transtornos mentais e não ser aceita pelo grupo cultural ao qual pertence o indivíduo.

Ao receber um paciente portador de faculdade mediúnica, como conduz o caso?
AMA – Trato o transtorno mental existente além de recomendar que o paciente continue com suas práticas religiosas. No entanto, se ele estiver com desequilíbrios mais graves, inicio o tratamento farmacológico e psicoterápico e solicito o afastamento das atividades mediúnicas. No entanto, recomendo que continue participando das demais atividades religiosas (palestras, orações, cultos, passes...).

O seu estudo reuniu a maior amostra de médiuns espíritas alguma vez investigada na área médica no mundo. A sua tese já teve repercussões no meio médico ou em algum centro de investigação universitário? Quais?
AMA – Tenho apresentado os resultados da tese em congressos científicos no Brasil e nos EUA, como por exemplo o Congresso Brasileiro de Psiquiatria e International Conference on Mediumship promovido pela Parapsychology Foundation

Nesses congressos científicos, como os investigadores brasileiros e norte-americanos reagiram à sua investigação?
AMA – Muito bem, demonstrando bastante interesse.

Como vê a doutrina espírita, codificada por Allan Kardec?
AMA – Como uma proposta bem fundamentada de se fazer uma investigação científica e com bases empíricas de fenômenos antes considerados metafísicos e fora do alcance da ciência.

O que é o NEPER – Núcleo de Estudos de Problemas Espirituais e Religiosos do Instituto de Psiquiatria do Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo?
AMA – É um grupo de estudos interdisciplinar das relações entre religiosidade saúde. É composto por psiquiatras, neurologistas, historiadores, psicólogos, antropólogos, filósofos. Não está vinculado a nenhuma religião, se prende apenas à rigorosa investigação científica nesta área.

Que mensagem gostaria de deixar aos médicos europeus?
AMA – Na Europa já existem iniciativas muito interessantes na área da espiritualidade, como a Fundação BIAL em Portugal, a Society for Psychical Research e muitos médicos britânicos que investigam o tema, bem como a disciplina de parapsicologia da Universidade de Edimburgo, além de iniciativas das Associações Médico-Espíritas. Que continuem se interessando e investigando cada vez mais as desafiadoras e fascinantes relações entre espiritualidade e ciência.

DADOS DA INVESTIGAÇÃO

Total: 115 médiuns espíritas
Mulheres: 76,5%
Média de Idade: 48 anos
Desemprego: 2,7%
Curso superior: 46,5%
Média de anos no espiritismo: 16 anos
Possuíam mais de 3 tipos de mediunidade;
Incorporação: 72%
Psicofonia: 66%
Vidência: 63%
Audiência: 32%
Psicografia: 23%
Exerciam a mediunidade por semana: 7 a 14 vezes

PRINCIPAIS CONCLUSÕES

1- Os médiuns espíritas diferiam das características de portadores de transtornos de personalidade múltipla e possuíam uma alta média de sintomas de primeira ordem para esquizofrenia, mas estes não se relacionavam aos escores de outros sintomas psiquiátricos e não se relacionavam a problemas no trabalho, família ou estudos.

2- A maioria teve o início de suas manifestações mediúnicas na infância e estas, atualmente, se caracterizam por vivências de influência ou alucinatórias que não necessariamente implicam num diagnóstico de esquizofrenia.

3- A mediunidade provavelmente se constitui numa vivência diferente do transtorno de personalidade múltipla.

Texto: Luís de Almeida

Fonte: Entrevista publicada dia 05/12/2011 no site: Espiritualidade e Sociedade.

segunda-feira, 16 de abril de 2012

Anencefalia

* Joanna de Ângelis

Nada no Universo ocorre como fenômeno caótico, resultado de alguma desordem que nele predomine. O que parece casual, destrutivo, é sempre efeito de uma programação transcendente, que objetiva a ordem, a harmonia.
De igual maneira, nos destinos humanos sempre vige a Lei de Causa e Efeito, como responsável legítima por todas as ocorrências, por mais diversificadas apresentem-se.
O Espírito progride através das experiências que lhe facultam desenvolver o conhecimento intelectual enquanto lapida as impurezas morais primitivas, transformando-as em emoções relevantes e libertadoras.
Agindo sob o impacto das tendências que nele jazem, fruto que são de vivências anteriores, elabora, inconscientemente, o programa a que se deve submeter na sucessão do tempo futuro.
Harmonia emocional, equilíbrio mental, saúde orgânica ou o seu inverso, em forma de transtornos de vária denominação, fazem-se ocorrência natural dessa elaborada e transata proposta evolutiva.
Todos experimentam, inevitavelmente, as consequências dos seus pensamentos, que são responsáveis pelas suas manifestações verbais e realizações exteriores.
Sentindo, intimamente, a presença de Deus, a convivência social e as imposições educacionais, criam condicionamentos que, infelizmente, em incontáveis indivíduos dão lugar às dúvidas atrozes em torno da sua origem espiritual, da sua imortalidade.
Mesmo quando se vincula a alguma doutrina religiosa, com as exceções compreensíveis, o comportamento moral permanece materialista, utilitarista, atado às paixões defluentes do egotismo.
Não fosse assim, e decerto, muitos benefícios adviriam da convicção espiritual, que sempre define as condutas saudáveis, por constituírem motivos de elevação, defluentes do dever e da razão.
Na falta desse equilíbrio, adota-se atitude de rebeldia, quando não se encontra satisfeito com a sucessão dos acontecimentos tidos como frustrantes, perturbadores, infelizes...
Desequipado de conteúdos superiores que proporcionam a autoconfiança, o otimismo, a esperança, essa revolta, estimulada pelo primarismo que ainda jaz no ser, trabalhando em favor do egoísmo, sempre transfere a responsabilidade dos sofrimentos, dos insucessos momentâneos aos outros, às circunstâncias ditas aziagas, que consideram injustas e, dominados pelo desespero fogem através de mecanismos derrotistas e infelizes que mais o degrada, entre os quais o nefando suicídio.
Na imensa gama de instrumentos utilizados para o autocídio, o que é praticado por armas de fogo ou mediante quedas espetaculares de edifícios, de abismos, desarticula o cérebro físico e praticamente o aniquila...
Não ficariam aí, porém, os danos perpetrados, alcançando os delicados tecidos do corpo perispiritual, que se encarregará de compor os futuros aparelhos materiais para o prosseguimento da jornada de evolução.
É inevitável o renascimento daquele que assim buscou a extinção da vida, portando degenerescências físicas e mentais, particularmente a anencefalia.
Muitos desses assim considerados, no entanto, não são totalmente destituídos do órgão cerebral.
Há, desse modo, anencéfalos e anencéfalos.
Expressivo número de anencéfalos preserva o cérebro primitivo ou reptiliano, o diencéfalo e as raízes do núcleo neural que se vincula ao sistema nervoso central…
Necessitam viver no corpo, mesmo que a fatalidade da morte após o renascimento, reconduza-os ao mundo espiritual.
Interromper-lhes o desenvolvimento no útero materno é crime hediondo em relação à vida. Têm vida sim, embora em padrões diferentes dos considerados normais pelo conhecimento genético atual...
Não se tratam de coisas conduzidas interiormente pela mulher, mas de filhos, que não puderam concluir a formação orgânica total, pois que são resultado da concepção, da união do espermatozoide com o óvulo.
Faltou na gestante o ácido fólico, que se tornou responsável pela ocorrência terrível.
Sucede, porém, que a genitora igualmente não é vítima de injustiça divina ou da espúria Lei do Acaso, pois que foi corresponsável pelo suicídio daquele Espírito que agora a busca para juntos conseguirem o inadiável processo de reparação do crime, de recuperação da paz e do equilíbrio antes destruído.
Quando as legislações desvairam e descriminam o aborto do anencéfalo, facilitando a sua aplicação, a sociedade caminha, a passos largos, para a legitimação de todas as formas cruéis de abortamento.
... E quando a humanidade mata o feto, prepara-se para outros hediondos crimes que a cultura, a ética e a civilização já deveriam haver eliminado no vasto processo de crescimento intelecto-moral.
Todos os recentes governos ditatoriais e arbitrários iniciaram as suas dominações extravagantes e terríveis, tornando o aborto legal e culminando, na sucessão do tempo, com os campos de extermínio de vidas sob o açodar dos mórbidos preconceitos de raça, de etnia, de religião, de política, de sociedade...
A morbidez atinge, desse modo, o clímax, quando a vida é desvalorizada e o ser humano torna-se descartável.
As loucuras eugênicas, em busca de seres humanos perfeitos, respondem por crueldades inimagináveis, desde as crianças que eram assassinadas quando nasciam com qualquer tipo de imperfeição, não servindo para as guerras, na cultura espartana, como as que ainda são atiradas aos rios, por portarem deficiências, para morrer por afogamento, em algumas tribos primitivas.
Qual, porém, a diferença entre a atitude da civilização grega e o primarismo selvagem desses clãs e a moderna conduta em relação ao anencéfalo?
O processo de evolução, no entanto, é inevitável, e os criminosos legais de hoje, recomeçarão, no futuro, em novas experiências reencarnacionistas, sofrendo a frieza do comportamento, aprendendo através do sofrimento a respeitar a vida…
Compadece-te e ama o filhinho que se encontra no teu ventre, suplicando-te sem palavras a oportunidade de redimir-se.
Considera que se ele houvesse nascido bem formado e normal, apresentando depois algum problema de idiotia, de hebefrenia, de degenerescência, perdendo as funções intelectivas, motoras ou de outra natureza, como acontece amiúde, se também o matarias?
Se exercitares o aborto do anencéfalo hoje, amanhã pedirás também a eliminação legal do filhinho limitado, poupando-te o sofrimento como se alega no caso da anencefalia.
Aprende a viver dignamente agora, para que o teu seja um amanhã de bênçãos e de felicidade.

*Página psicografada pelo médium Divaldo Pereira Franco, na reunião mediúnica da noite de 11 de abril de 2011, quando o Supremo Tribunal de Justiça, estudava a questão do aborto do anencéfalo, no Centro Espírita Caminho da Redenção, em Salvador, Bahia

domingo, 5 de fevereiro de 2012

Entendendo as influências espirituais

O pensamento é a segunda maior força no Universo, depois do poder de Deus.
Quando desejamos assistir uma emissora de rádio ou TV, temos de usar o botão de sintonia, é exatamente assim que funcionam as ondas mentais, uma questão de sintonia, apesar de o rádio receber todos os tipos de irradiação proveniente das diversas emissoras, somente ouviremos aquela que foi sintonizada. O mesmo acontece com o nosso pensamento quando recebemos influencias dos espíritos que se sintonizam pelo “endereço vibracional” de nossa mente, que é regido pela Lei da afinidade.
Sabemos que em determinadas pessoas esse poder é extraordinário, ao passo que, em outras, mal se nota esse efeito. Todavia, podemos desenvolver esta percepção com exercício contínuo, aumentando assim seu potencial.
Para melhor fixarmos isso, é importante salientar que: pensamento gera sentimento, que gera comportamento.
Tudo está ligado às forças da mente e essa força depende do nosso pensamento.
Em O Livro dos Espíritos, de Allan Kardec, na pergunta 459 lemos: Influem os Espíritos em nossos pensamentos e em nossos atos? "Muito mais do que imaginais. Influem a tal ponto, que, de ordinário, são eles que vos dirigem". Quando nos encolerizamos com algum problema, baixamos o padrão de frequência mental e entramos nas zonas vibratórias de cor laranja ou roxa, facilitando as influências das entidades que ali se encontram. Com isso podemos receber sugestivamente “ordens” dos espíritos inferiores, achando que tudo o que estamos pensando naquela hora seja fruto da nossa própria concepção..
Mas como perceber se estamos sendo influenciados por um mau espírito? Lembremo-nos de educar o nosso pensamento. Ora, se estamos em discussão com alguém, toda a ideia que seja ruim, nociva, e que venha a destratar e agredir a outrem, não pode ser proveniente de uma entidade superior, portanto temos de manter a calma para não sermos influenciados por essas entidades. Mas se a ideia vier com uma vontade de harmonizar, de unir, de apascentar, podemos estar recebendo influência de um bom espírito. Mas não são somente os desencarnados que fazem este tipo de emissão. Quando sentimos inveja, orgulho ou tendência ao mal, nossa mente emite as mesmas formas de energias negativas.

Nunca estamos sozinhos

Os padrões vibratórios são sutis, mas, se conseguirmos exercitar essa percepção, teremos plena condição de sentir essas emanações. Você, leitor, já se deparou com pessoas e lugares onde não se sentiu bem? Conversando com alguém, já não percebeu que a pessoa transmite uma sensação ruim? É exatamente esse tipo de sensação que devemos observar, mas não é por causa disso que devemos achar que a outra pessoa seja ruim, apenas ela pode estar passando por problemas espirituais ou estar com alguma doença física e transmite essa sensação.
O fato é que, de alguma forma, ela está com o padrão vibratório alterado e você poderá ajudá-la a se reerguer, com a percepção aguçada e o devido conhecimento doutrinário, deverá fazer a sua parte orientando-a para que não se abata pelo desânimo.
Quando estamos alegres, de bem com a vida, nos sentimos inspirados, é justamente nesse momento que estamos vibrando a nossa frequência mental nos padrões acima da linha verde e entrando ou chegando perto da linha azul, justamente onde vibram os espíritos de luz que nos incentivam à prática do bem e dos bons sentimentos, tanto no trabalho quanto em casa, nos estudos e nas relações sociais, e até os animais sentem esta vibração, pois eles também possuem essa percepção.
Portanto, quando começamos a entender como funciona a nossa mente, fica mais fácil identificarmos as influências externas, controlando o nosso padrão mental, não deixando chegar abaixo da linha verde, como citado.
Tudo isso na teoria é fácil, mas sabemos que na prática existe muita dificuldade. Todavia, com esses pequenos esclarecimentos, podemos aprender a nos policiar constantemente, para que não percamos a paciência e entremos nos padrões vibratórios inferiores que nos deixarão em situações difíceis devido à nossa própria invigilância.
A prática do pensar, está ligada diretamente à Lei de afinidade.

Fonte: O livro dos Espíritos – Allan Kardec
formatação: MILTER- 29-01-2012

domingo, 3 de julho de 2011

O que foi o "Auto-de-fé de Barcelona"?

Foi a queima, em praça pública, em Barcelona, Espanha, de 300 volumes de obras espíritas, que Kardec havia remetido ao livreiro Maurice Lachâtre, em 09 de outubro de 1861, às 10:30 horas.
Maurice Lachâtre era um intelectual e editor francês que achava-se estabelecido em Barcelona com uma livraria, quando solicitou a Kardec seus livros para divulgá-los na Espanha. Só não contava com a intolerância do bispo da cidade que havia ordenado que as obras fossem apreendidas e queimadas numa grande fogueira. O episódio, ocorrido a 9 de outubro de 1861, conhecido como o Auto-de-fé de Barcelona, apenas serviu para revigorar a coragem do livreiro.
O livreiro Maurice Lachâtre foi um grande propagandista do Espiritismo na Espanha e havia encomendado trezentos volumes de diversos títulos espíritas a Allan Kardec. O material chegou à Espanha através de tramitação legal, com impostos e taxas devidamente pagos por Kardec e com a documentação correta. O destinatário pagou os direitos de entrada dos volumes, mas antes que os mesmos fossem entregues, uma relação dos títulos foi entregue ao bispo de Barcelona, pois a liberação de livros e/ou sua censura, competia à autoridade eclesiástica. O bispo tomando conhecimento da natureza dos livros ordenou que fossem apreendidos e queimados em praça pública pela mão do carrasco.
Os livros deveriam em tal situação ser devolvidos ao remetente em seu país de origem - a França. Contudo, tal não aconteceu e o espetáculo - só assim pode-se classificar tal ato de intolerância e intransigência - foi marcado para o dia 9 de outubro de 1861. Naquela data, às 10:30 horas, os volumes foram queimados como se fossem réus da inquisição.
Essa atitude intransigente prosseguiu, dissimulada, mas acirradamente, por muito tempo após a queima dos livros, porém contribuiu enormemente para a propaganda da doutrina espírita.
Na "Revista Espírita", de novembro de 1861, Kardec diz: Não informamos nada, aos nossos leitores, sobre esse fato, que já não saibam pela via da imprensa; o que ocorreu de admirar, foi que os jornais, que passam geralmente por bem informados, hajam podido colocá-lo em dúvida; essa dúvida não nos surpreende; o fato em si mesmo parece tão estranho para o tempo em que vivemos, e está de tal modo longe de nossos costumes que, alguma cegueira que se reconhecesse ao fanatismo, crê-se sonhar ouvindo dizer que as fogueiras da inquisição se acendem ainda em 1861, à porta da França; a dúvida, nessa circunstância, é uma homenagem prestada à civilização européia, ao próprio clero católico. Em presença de uma realidade incontestável hoje, o que deve mais espantar, é que um jornal sério, que cai cada dia, sem dó nem piedade, sobre os abusos e as usurpações do poder sacerdotal, não haja encontrado, para assinalar esse fato, senão algumas palavras zombeteiras, acrescentando: "Em todo caso, não seremos nós que nos divertiremos, neste momento, em fazer girar as mesas na Espanha." ("Siècle", de 14 de outubro de 1861) (...)
(...) O que não é menos exorbitante, e o que contra o qual se espanta, é não se ter visto um protesto enérgico, é a estranha pretensão que se arroga o bispo de Barcelona de fazer a polícia na França. Ao pedido que foi feito de reexportar as obras, respondeu com uma recusa assim motivada: A Igreja católica é universal, e os livros, sendo contrários à fé católica, o governo não pode consentir que eles vão perverter a moral e a religião de outros países. Assim, eis um bispo estrangeiro, que se institui em juiz do que convém ou não convém à França! A sentença, portanto, foi mantida e executada sem mesmo isentar o destinatário das despesas de alfândega, que se teve muito cuidado em fazê-lo pagar.
Eis a narração que nos foi pessoalmente dirigida: "Este dia, nove de outubro de mil oitocentos e sessenta e um, às dez horas e meia da manhã, sobre a esplanada da cidade de Barcelona, no lugar onde são executados os criminosos condenados ao último suplício, e por ordem do bispo desta cidade, foram queimados trezentos volumes e brochuras sobre o Espiritismo, a saber:
"A Revista Espírita", diretor Allan Kardec;
"A Revista Espiritualista", diretor Piérard;
"O Livro dos Espíritos", por Allan Kardec;
"O Livro dos Médiuns", pelo mesmo;
"O que é o Espiritismo", pelo mesmo;
"Fragmento de sonata", ditado pelo Espírito Mozart;
"Carta de um católico sobre o Espiritismo", pelo doutor Grand;
"A História de Jeanne d'Arc", ditada por ela mesma à Srta. Ermance Dufaux;
"A realidade dos Espíritos demonstrada pela escrita direta", pelo barão de Guldenstubbé.
Assistiram ao Auto-de-Fé:
"Um padre revestido das roupas sacerdotais, trazendo a cruz numa mão e a tocha na outra mão;
"Um notário encarregado de redigir a ata do Auto-de-Fé;
"O escrevente do notário;
"Um empregado superior da administração da alfândega;
"Três moços (serventes) da alfândega, encarregados de manter o fogo;
"Um agente da alfândega representando o proprietário das obras condenadas pelo bispo.
Uma multidão inumerável encobria os passeios e cobria a imensa esplanada onde se elevava a fogueira. Quando o fogo consumiu os trezentos volumes ou brochuras Espíritas, o padre e seus ajudantes se retiraram, cobertos pelas vaias e as maldições dos numerosos assistentes que gritavam: "Abaixo a inquisição!"
Numerosas pessoas, em seguida, se aproximaram da fogueira, e recolheram as suas cinzas. Uma parte dessas cinzas nos foi enviada; com elas se encontra um fragmento de "O Livro dos Espíritos" consumido pela metade. Nós o conservamos preciosamente, como um testemunho autêntico desse ato insensato. Toda opinião à parte, esse assunto levanta uma séria questão de direito internacional. Reconhecemos ao governo espanhol o direito de proibir a entrada, sobre o seu território, das obras que não lhe convém, como a de todas as mercadorias proibidas. Se essas obras tivessem sido introduzidas clandestinamente e em fraude, nada haveria a dizer; mas são expedidas ostensivamente e apresentadas na alfândega; era, pois, uma permissão legalmente solicitada. Esta acreditou dever referi-la à autoridade episcopal que, sem outra forma de processo, condena as obras a serem queimadas pela mão do carrasco.
Examinando-se este assunto do ponto de vista de suas consequências, diremos primeiro que não houve senão uma voz para dizer que nada podia ser mais feliz para o Espiritismo. A perseguição sempre foi aproveitável à idéia que se quis proscrever; por aí se lhe exalta a importância, se lhe desperta a atenção, e fazendo-o conhecer por aqueles que o ignoram. Graças a esse zelo imprudente, todo o mundo, em Espanha, vai ouvir falar do Espiritismo e quererá saber o que é; é tudo o que desejamos. Podem-se queimar os livros, mas não se queimam as idéias; as chamas das fogueiras as super-excitam em lugar de abafá-las. As idéias, aliás, estão no ar, e não há Pirineos bastante altos para detê-las; e quando uma idéia é grande e generosa, ela encontra milhares de peitos prontos para aspirá-la. O que se lhe haja feito, o Espiritismo já tem numerosas e profundas raízes na Espanha; as cinzas da fogueira vão fazê-las frutificar. Mas não será só na Espanha que esse resultado será produzido, é o mundo inteiro que lhe sentirá o contragolpe. Vários jornais da Espanha estigmatizaram esse ato retrógrado, como o merece. "Las Novedades de Madrid", de 19 de outubro, entre outros, contém, sobre esse assunto, um notável artigo. (...)
Espíritas de todos os países! Não vos esqueçais desta data de 9 de outubro de 1861; ela será marcada, nos fastos do Espiritismo; que ela seja para vós um dia de festa e não de luto, porque é a garantia do vosso próximo triunfo!
Entre as numerosas comunicações que os Espíritos ditaram sobre esse acontecimento, não citaremos senão as duas seguintes, que foram dadas espontaneamente na Sociedade de Paris; elas dele resumem todas as causas e todas as consequências:
"O amor da verdade deve sempre se fazer ouvir: ela dissipa a névoa, e por toda a parte brilha ao mesmo tempo. O Espiritismo chegou para ser conhecido por todos; logo será julgado e colocado em prática; quanto mais houver perseguições, mais depressa esta sublime Doutrina chegará ao seu apogeu; seus mais cruéis inimigos, os inimigos do Cristo e do progresso, com isso se surpreendem de maneira que ninguém ignore que Deus permite àqueles que deixaram esta Terra de exílio de retornar para aqueles que amaram. Tranquilizai-vos; as fogueiras se extinguirão por si mesmas, e se os livros são lançados ao fogo, o pensamento imortal lhes sobrevive." (DOLLET)
Nota. Este espírito, que se manifestou espontaneamente, disse ser o de um antigo livreiro do século dezesseis.
"Era preciso alguma coisa que ferisse, com um golpe violento, certos Espíritos encarnados para que se decidissem ocupar-se desta grande Doutrina que deve regenerar o mundo. Nada é inutilmente feito sobre a vossa Terra, para isso, e nós, que inspiramos o Auto-de-Fé de Barcelona, sabíamos bem que, assim agindo, faríamos dar um passo imenso para a frente. Esse fato brutal, inaudito nos tempos atuais, foi consumado para atrair a atenção dos jornalistas que permaneciam indiferentes diante da agitação profunda que abalava as cidades e os centros Espíritas; deixavam dizer e deixavam fazer; mas se obstinavam em fazer ouvido de mercador, e respondiam pelo mutismo ao desejo de propaganda dos adeptos do Espiritismo. Por bem ou por mal, é preciso que dele falem hoje; uns constatando o histórico do fato de Barcelona, os outros desmentindo-o, deram lugar a uma polêmica que dará volta ao mundo, e da qual só o Espiritismo aproveitará. Assim, hoje, a retaguarda da inquisição fez seu último Auto-de-Fé, porque assim o quisemos." (SAINT DOMINIQUE)
Prossegue Kardec na "Revista Espírita" de dezembro de 1861: Os jornais espanhóis não foram tão moderados em reflexões, sobre esse acontecimento, quanto os jornais franceses. Qualquer que seja a opinião que se professe com respeito às idéias espíritas, há, no próprio fato, alguma coisa de tão estranha para o tempo em que vivemos, que ele excita mais piedade do que cólera contra as pessoas que parecem ter dormido há vários séculos, e despertado sem ter consciência do caminho que a humanidade percorreu, crendo-se, ainda, no ponto de partida. (...)
Em "Obras Póstumas", Kardec pergunta (À Verdade): – Não ignorais, sem dúvida, o que vem de se passar em Barcelona a respeito das obras espíritas; teríeis a bondade de me dizer se convém perseguir a sua restituição?
Resposta. – Em direito podes reclamar essas obras, e delas, certamente, obtereis a restituição, dirigindo-se ao Ministro dos Assuntos Estrangeiros da França. Mas a minha opinião é que resultará desse Auto-de-Fé um bem maior que não produziria a leitura de alguns volumes.  A perda material não é nada em comparação com a repercussão que semelhante fato dará à Doutrina.  Compreendes o quanto uma perseguição tão ridícula e tão atrasada poderá fazer o Espiritismo progredir na Espanha.  As idéias se difundirão com tanto mais rapidez, e as obras serão procuradas com tanto mais diligência, quanto as tiver queimado. Tudo está bem.
Nas palavras de Amílcar Del Chiaro Filho, o Auto-de-Fé de Barcelona foi a consagração do Espiritismo. Literalmente o seu batismo de fogo. Mas a Espanha levantou-se como um só homem, para saber o que era essa doutrina que aterrorizava o clero. A comissão episcopal foi vaiada pelo povo, e assim que a guarda armada se retirou da Praça do Quemadero, onde muitos mártires tiveram seus corpos incinerados no intuito de salvar as suas almas, o povo simples recolheu as cinzas dos livros e fragmentos que não foram consumidos pelas chamas, e levaram para as suas casas.
Um exemplar de "O Livro dos Espíritos", carbonizado pela metade, foi enviado a Allan Kardec, que o guardou como uma doce lembrança em uma urna. Lamentavelmente, a intransigência que ainda perdurou na primeira metade do século XX, fez com os nazistas, durante a 2a. Grande Guerra Mundial, destruissem a urna.
Muitas outras perseguições viriam. Muitas lágrimas ainda seriam derramadas. É por isso que o movimento espírita tem que respirar liberdade, tem que ser compreensivo, mas não conivente, porque venceu a ditadura de Napoleão 3º - a força esmagadora da perseguição religiosa, o orgulho acadêmico das ciências, o esnobismo filosófico, para firmar-se como doutrina consoladora e iluminadora.
Prof. Hermes Edgar Machado Junior
Fontes e sugestões de Leitura:
- "Revista Espirita", Allan Kardec, novembro e dezembro de 1861
- "Obras Póstumas", Allan Kardec
- "Auto de Fé de Barcelona", Amílcar Del Chiaro Filho, em www.espirito.org.br/portal/artigos/amilcar/audo-de-fe-de-barcelona.html
- "Auto-de-Fé em Barcelona", postado por Sergio Ribeiro, no blog http://aprendizdeespirita.blogspot.com/2009/10/auto-de-fe-em-barcelona.html
- Gravura "Auto-de-Fé": www.bezerramenezes.org.br/imagens/Auto_de_fe.jpg
O autor, Professor Hermes Edgar Machado Jr (ISSARRAR BEN KANAAN), é estudioso de temas relacionados à espiritualidade universalista e eclética, meditação, esperanto, hebraico, psicologia, filosofia, história, arqueologia, naturismo e informática (principalmente linux). http://benkanaan.blogspot.com - http://twitter.com/benkanaan - e-mail: benkanaan@gmail.com e benkanaan@hotmail.com 
O artigo foi publicado em 09/10/2010 no Artigonal.
A ilustração, no topo do artigo, encontrei no blog "O servidor espírita", que trás também o artigo do Amílcar Del Chiaro Filho