terça-feira, 12 de abril de 2011

Palestra: A importância da cultura espírita e sua divulgação

com Wellington Sebastião Gonçalves
dia 16 de abril de 2011 -sábado
horário: 19h30
local: Centro Espírita Discípulos de Jesus
R. Maracaju, 244 – Centro

As mães de Chico Xavier


Trailer do filme

veja mais no site do filme e no Blog

No dia da estreia (01/04/2001) do filme 'As mães de Chico Xavier', Divaldo Franco conversa sobre o mestre, a doutrina espírita e revela algumas curiosidades. Entrevista da Rede Globo Bahia

8ª Confraternização de Juventude Espírita de MS (8ª CONJEMS), de 21 a 23 de abril de 2011

Conheça toda a programação da edição 2011 da CONJEMS no website FEMS.

sábado, 2 de abril de 2011

Notícias do lado de lá

“É tudo mentira; a comunicação com os mortos nâm-ecxistem”, afirmaria o mitológico, ontológico e parapsicólogo padre Quevedo, caso fosse pela milionésima vez questionado sobre a questão. Contudo, se expande, no mundo, a crença na possibilidade de que seja possível, por intermédio de uma mediação, obter-se notícias sobre aqueles que já seguiram viagem para outras paragens que não a nossa dura realidade regida pelas leis da física.

A constatação da intercomunicabilidade entre as dimensões distintas da existência humana tem sido profusamente difundida no mundo atual, pela literatura, seriados de tevê e produções cinematográficas. Esse evento, porém, ainda tido no campo da ficção e da paranormalidade, tem seus registros desde o atavismo de nossos ancestrais, perpassa a mitologia grega; os livros sagrados do Oriente; o Velho e o Novo Testamento, e, contemporaneamente, é exaustivamente estudado e apresentado na codificação kardequeana. 

O filme “Chico Xavier” assistido por 3,5 milhões de pessoas e “Nosso Lar” por 4 milhões de expectadores comprovam que a temática não só se dirige aos que estudam e praticam o espiritismo, como ultrapassa as mais diversas correntes dogmáticas do pensamento filosófico-religioso, despertando, cada dia mais, o interesse de multidões de expectadores.

O filme “As mães de Chico Xavier”, lançado no último dia 1o. de abril do corrente ano (2011), foi roteirizado a partir das 256 páginas do livro “Por trás do véu de Ísis” (Editora Planeta), de autoria do jornalista Marcel Souto Maior. O filme retira dessa obra jornalística três testemunhos que aborda a ultrapassagem do momento de ruptura trazido pela morte. Registra relatos mediados por Chico Xavier (1910 - 2002), atestados pelas figuras maternas enfocadas, com relação às mensagens recebidas de seus filhos mortos, desvendando uma realidade metafísica além do nosso parco entendimento.

É inegável o dom da mediunidade que distinguiu Chico Xavier como intermediário de milhares de comunicados de outra dimensão da vida, aliviando dores, explicando o inexplicável, consolando, esclarecendo e aproximando amores apartados. Sua “paranormalidade” foi exaustivamente estudada, sempre com o objetivo de desmascara-lo, exauri-lo, descredencia-lo, mas, isso nunca foi possível. Há estatísticas que contabilizam 50 milhões de exemplares vendidos de suas 451 obras psicografadas, desde 1932 - só Nosso Lar (editado pela Fedederação Espírita Brasileira) alcançou 1 milhão e oitocentos exemplares.  Tendo sua obra traduzida nos mais diversos idiomas, Chico Xavier jamais usufruiu os dividendos provenientes do direito autoral; viveu com simplicidade e sacrifício seu apostolado. Trabalhador na seara de César, ali obtinha sua sustentação, dedicando-se em extenuantes serões noturno ao labor dessa interlocução, incansavelmente.

Contudo, não era, Chico, nem santo, ou paranormal.  Dotado de grande sensibilidade sensitiva, cujos valores morais-cristãos capacitavam-lhe a ultrapassar as fronteiras do invisível, trouxe, não apenas, com as notícias do lado de lá, o alento aos corações enlutados. Trouxe, também, para a normalidade o que se considera, ainda hoje, como anormalidade; para o natural o que se entende, ainda, por sobrenatural, demonstrando na prática o que, antes, o cético professor francês Hippolyte Léon Denizard Rivail (1804-1869), sob o pseudônimo de Allan Kardec, já o fizera, em 1857, desde o lançamento, em Paris, de “O livro dos espíritos”, primeiro de suas cinco obras a respeito do tema. Com espírito lúcido, debruçara-se, ele, na questão da intercomunicabilidade entre as duas dimensões, concluindo que ambas, porém, eram regidas pelas mesmas leis naturais da vida, trazendo, já naquela época, a hipótese da preexistência e sobrevivência da alma a que chamou espírito, fundamentando os princípios da doutrina espírita. Somos todos, segundo suas constatações e as, posteriores, milhares de notícias trazidas do lado de lá, querendo ou não, crendo ou não, seres imortais, vindos de um mundo transcendental para o qual retornaremos.

 Os relatos apresentados no filme “As mães de Chico” parecem assegurar que a intercomunicação com os mortos “ecxistem”, sim. Não se tratam de testemunhos levianos, fantasiosos, dilações provenientes da perturbação de mentes vulneráveis e crentes. Quem de nós ousaria, de sã consciência, desacreditar do testemunho de um coração de mãe? Mas, para que os incrédulos comprovem, de fato, tal fenômeno, basta que aguardem um pouco mais a inexorável hora da partida, e, de lá, quem sabe, tentem encontrar um medianeiro que lhes sirvam de interlocutor. Por enquanto, em conformidade com o pensamento de William Sheakespeare, em Hamlet, acreditemos: “há mais mistérios entre o céu e a Terra do que supõe nossa vã filosofia”.
A autora, Maria Ângela Coelho Mirault é doutora e mestre em comunicação e semiótica pela PUC/SP, http://mamirault.blogspot.com/
Publicação na WebArtigos, em 01.04.2011- http://www.webartigos.com/articles/62627/1/NOTICIAS-DO-LADO-DE-LA/pagina1.html

domingo, 27 de março de 2011

A Espiritualidade está no ar


Sem dúvida, o que está lotando as salas e levando milhões de pessoas ao cinema é, antes de tudo, a mensagem cristã que a Doutrina Espírita profere.  Acreditar na vida após a vida não é prerrogativa dos espíritas. Essa crença atávica percorre a história humana desde os seus primórdios. Estudiosos dos nossos ancestrais atribuem o surgimento da cultura no instante em que as primeiras espécimes de Homem Sapiens, há 200 mil anos, passaram a enterrar seus mortos e adornar seus túmulos. Então, culturalmente, muito antes das religiões e escolas filosóficas, nossa espécie crê na sobrevivência de algo que transcende a morte.
A mensagem cristã atribuída a Jesus e trazida pelos Evangelhos há mais de 2000 anos não é outra coisa senão a proclamação da sobrevivência da vida após a morte. Se pudéssemos resumir a missão do Messias junto aos homens da Terra, poderíamos sintetizá-la na mensagem em que afirma que o reino de Deus não é deste mundo. Se não é deste mundo é de outro, daquele mundo que quis exemplificar com sua partida e seu retorno aos apóstolos. A mensagem cristã não é de morte é de vida, vida após a vida; vida transcendente, além da física, da realidade comprovável pela ciência e pelos cientistas.
A mensagem espírita segue par-e- passo a mensagem cristã. Professa a existência da vida antes e após esta vida, ou seja, viemos desse outro mundo a que Jesus se refere e para ele retornaremos. Então, o que traz de novo a mensagem espírita codificada pelo pedagogo francês Hippolyte Léon Denizard Rivail (1804-1869), cujo cognome Alan Kardec popularizou suas obras a respeito do tema? Dileto discípulo de Pestalozzi, o professor Rivail não era um paranormal, ou, o que conhecemos hoje como médium. Não era dotado de nenhum distúrbio mental, era, sim, um estudioso, um pesquisador. Fez o que muitos poderiam ter feito, mas não fizeram. Ao deparar-se com fenômenos considerados paranormais naquela distante Paris de meados do século XIX, decidiu examina-los, pesquisa-los com sua mente lúcida e não dogmática. Deparando-se com a possibilidade do intercâmbio de mensagens entre seres comuns pertencentes aos dois mundos, o de cá e o de lá, com seriedade, passou a travar um diálogo filosófico com aqueles que se denominavam Espíritos. Deduzindo a seriedade que aqueles diálogos traduziam, extraiu um corpo de doutrina que publicou em suas obras, sempre com o concurso dos intérpretes (médiuns) que lhe traduziam a mensagem da codificação espírita. Por já haver publicado diversas obras pedagógicas, entre os anos de 1828 a 1849, o professor Rivail decidiu adotar um pseudônimo e apresentou-se ao mundo, desde então, como Allan Kardec. Criou o neologismo “espiritismo” para diferenciar suas concepções da concepção sobre espiritualismo – crença na existência da vida espiritual, a qual toda religião professa. Publicou, em Paris de uma Europa efervescente suas cinco obras que expressam os postulados espíritas: O Livro dos Espíritos, 1857, O Livro dos Médiuns, 1861, O Evangelho Segundo o Espiritismo, 1864, O Céu e o Inferno, 1865, e, um ano antes de seu desenlace, sua última obra, A Gênese, 1868. Criou uma sociedade de pesquisa – a Sociedade Parisiense de Estudos Espíritas, criou e editou uma revista mensal – a Revista Espírita (1858 a 1869), onde tratava da abordagem da paranormalidade, sob a ótica da normalidade da existência da realidade do mundo do lado de lá apregoado pelos princípios cristãos e exemplificados por Jesus. De novo, verdadeiramente novo, a codificação espírita trouxe a relevância de dois temas já abordados por filósofos e religiões, ao longo da história: a possibilidade da comunicação e intercâmbio entre essas instâncias de mundos e a tese da reencarnação. Allan Kardec (o professor Hippolyte) não queria, nem imaginava, incentivar seguidores, portanto, não queria criar o kardecismo. Como todo pesquisador, intentava contribuir com um tijolo apenas para o esclarecimento filosófico-religioso da grande inquietação humana e que habita em todas as criaturas e fundamenta todas as religiões e escolas filosóficas: quem somos, de onde viemos e para onde vamos.
Pois bem, Nosso Lar trazido ao mundo literário pelo lápis do serão noturno de Chico Xavier há mais de 60 anos é uma história, uma reportagem de um de nós do lado de lá. André Luiz, o mensageiro-repórter, não é santo nem demônio e relata sua vida após a vida por intermédio da “paranormalidade” de Chico. Sua mensagem é de esperança, de consolo, de lógica. À cada um segundo a sua obra, já nos dissera Jesus, o crucificado. Em Nosso Lar é o que constatamos na história do próprio André e nas dos outros personagens, colhidos aqui e ali, do livro, pela produção do filme que já é campeão de bilheteria de filmes nacionais. Escreveu Kardec, em uma de suas obras (O Céu e o Inferno): "A Doutrina Espírita transforma completamente a perspectiva do futuro. A vida futura deixa de ser uma hipótese para ser realidade. O estado das almas depois da morte não é mais um sistema, porém o resultado da observação. Ergueu-se o véu; o mundo espiritual aparece-nos na plenitude de sua realidade prática; não foram os homens que o descobriram pelo esforço de uma concepção engenhosa, são os próprios habitantes desse mundo que nos vêm descrever a sua situação."
Pois bem, o que se assiste em Nosso Lar é exatamente isso; a descrição de situações que ocorrem do lado de lá. Talvez a visão de nos vermos tão iguais, tão humanos tanto lá como cá, nos traga a curiosidade pelo tema e nos venha levando ao cinema, independente da religião que professemos, porque se há uma verdade é a de que, tal como André, um dia partiremos e nessa partida só teremos duas alternativas, o nada, ou a continuidade de tudo. Só por isso, mesmo com ceticismo, vale a pena conhecer essa reportagem de além-túmulo.
A autora, Maria Ângela Coelho Mirault é Doutora e Mestre em Comunicação e Semiótica, http://mamirault.blogspot.com

quarta-feira, 16 de março de 2011

Curso de Esperanto em Campo Grande-MS

Nova turma do Curso de Esperanto com a Profa. Maria Garcia, terá início no dia 22 de março de 2011. O horário das aulas será das 17 às 19 horas.
Local: Sede da Federação Espírita de MS
Av. Calógeras, 2209 – Centro
Fones: (67) 3324-8322 ou 3324-3757
Inscrição gratuita no local
sobre Esperanto leia:
Afinal: para que serve o esperanto?
e
China rumo ao Esperanto

Carlos Campetti apresenta a Palestra "Educação Espírita no Contexto da Sociedade Atual", em Campo Grande-MS, dia 18/03/2011 - 19:30hs

domingo, 13 de março de 2011

Jesus não era um agênere

Roustaing e seus discípulos se apoderaram de resultados de pesquisas inglesas e alemães, assim como das palavras atribuídas ao apóstolo Paulo em Hebreus 7:3, para ajustá-los à “hipótese espiritualista” do Jesus fluídico.[1]
Propagavam a inverdade de que os resultados de tais pesquisas teriam causado a Kardec “fundas decepções se vivera bastante para ver provado por R. Wallace, Hare, Varley, Crookes, Webert, Zöllner, etc., que um Espírito, sem ser um agênere, pode tomar um corpo fluídico, concretizado, tangível, e no qual se observam a circulação do sangue e todas as aparências da vida”.[2]
Em absoluta desfaçatez, diziam que Kardec e “seus adeptos” alimentavam “um santo horror” às manifestações físicas, e que o mestre “pretendia que o corpo de um Espírito não podia ser senão uma aparência fluídica e que a nossa mão nenhuma resistência experimentaria tocando a aparição”.[3]
Não leram, decerto, o item 125 de O Livro dos Médiuns, no qual Kardec afirmou que o fenômeno dos agêneres “é uma variedade de aparições tangíveis”. (Grifo meu.) Logo, pode ser tocada. No seu artigo “Os Agêneres”, publicado na Revista Espírita de fevereiro de 1859, o mestre explicou com clareza meridiana:

Se um Espírito tem o poder de tornar visível e palpável uma parte qualquer de seu corpo etéreo, não há razão para que não o possa fazer com os outros órgãos. [...] Se, para certos Espíritos, é limitada a duração da aparência corporal, podemos dizer que, em princípio, ela é variável, podendo persistir mais ou menos tempo; pode produzir-se a qualquer tempo e a toda hora. Um Espírito cujo corpo fosse assim visível e palpável teria, para nós, toda a aparência de um ser humano; poderia conversar conosco e sentar-se em nosso lar qual se fora uma pessoa qualquer, pois o tomaríamos como um de nossos semelhantes. [...] Como, para nos entendermos, precisamos dar um nome para cada coisa, a Sociedade Parisiense de Estudos Espíritas os chama agêneres, assim indicando que sua origem não é o resultado de uma geração.

Ante o exposto, o que Roustaing teria querido dizer ao afirmar “que um Espírito, sem ser um agênere, pode tomar um corpo fluídico”? Em quê, afinal de contas, a teoria basilar da sua revelação difere da dos agêneres? Na duração? Mas o Codificador afirmou que, “em princípio”, a duração do fenômeno pode persistir “mais ou menos tempo”. Em sua crítica a esta tese do corpo fluídico tangível de Jesus, Kardec afiançou ainda: “Sem dúvida nada há nisso de materialmente impossível para quem quer que conheça as propriedades do invólucro perispiritual”.[4]
Demais, em relação a esta nuança exclusivamente fenomênica, bem como no que se refere unicamente à interpretação das máximas morais do Cristo, é que Kardec disse, no princípio de seu artigo (de junho de 1866), não estar a obra de Roustaing, “em nenhum ponto, em contradição com a doutrina ensinada em O Livro dos Espíritos e em O Livro dos Médiuns”. Importa-me ressaltá-lo, porque estas palavras foram e são mais de uma vez deturpadas pela propaganda rustenista, que lhes atribui uma extensão que não possuem. Kardec foi bem explícito:

Dissemos que o livro do Sr. Roustaing não se afasta dos princípios de O Livro dos Espíritos e de O Livro dos Médiuns. Nossas observações assentam sobre a aplicação desses mesmos princípios à interpretação de certos fatos. É assim, por exemplo, que ele dá ao Cristo, em vez de um corpo carnal, um corpo fluídico. (Grifos meus.)

Apenas quanto “à interpretação de certos fatos” é que a tese de que o corpo de Jesus era fluídico não se afasta dos princípios exarados em O Livro dos Espíritos e em O Livro dos Médiuns; afinal, agêneres ocorrem. No que disse, Kardec focalizou, portanto, apenas e tão somente o viés fenomênico. Todavia, a tese rustenista se afasta, sim, e muito, de O Livro dos Espíritos e O Livro dos Médiuns no que respeita à sua motivação. Segundo ela, “Jesus era demasiadamente puro para vestir a libré do culpado; sua natureza espiritual era incompatível com a encarnação material”.[5]
Assim, o Cristo haveria tomado um corpo fluídico concretizado porque teria sofrido processo diferenciado de evolução. A encarnação humana seria exclusivamente um castigo resultante de uma queda, de verdadeira involução do Espírito. Jesus, pois, não se teria manifestado num corpo fluídico porque assim o quis, mas porque lhe era impossível encarnar num corpo normal, porquanto este se destinaria apenas a Espíritos falidos. Logo, no Jesus de Roustaing, o princípio do corpo fluídico justifica-se pelo da degradação de certos Espíritos, reedição do mito da queda angélica.
Kardec, por outro lado, deixou clara sua rejeição à tese rustenista por ser inviável moralmente, em função de preconizar um Jesus de aparência, a produzir ilusões aos olhos humanos e que não hesitou sequer em simular a gravidez em sua própria mãe. Em razão disto, desde sua crítica de junho de 1866, o Codificador manifestou-se contrariamente a esta ideia; “em nossa opinião”, disse ele, “em nossa opinião, os fatos podem perfeitamente ser explicados sem sair das condições da humanidade corporal”.
Em 1868, no cap. XV, n. 66, de seu último livro, o mestre estabeleceu a posição espírita sobre o corpo de Jesus. E não estava mais apoiado apenas em sua opinião, e sim na “sanção do controle universal”. Já havia “recolhido documentos bastante numerosos nos ensinos dados de todos os lados pelos Espíritos, a fim de poder falar afirmativamente e ter a certeza de estar de acordo com a maioria”, como prometera no artigo de análise dos volumes rustenistas, quase dois anos antes.
Em sua crítica de junho de 1866, o Codificador dissera que iria esperar os “numerosos comentários” que a tese de Os Quatro Evangelhos não deixaria de “provocar da parte dos Espíritos”. Como à época o movimento espírita não era paroquiano e não havia censura acerca de assuntos polêmicos, os “numerosos comentários da parte dos Espíritos” hão de ter ocorrido sem muita demora e as “objeções sérias” que, segundo Kardec, já em 1866, tinham sido feitas à tese roustainguista foram, por certo, confirmadas. Roustaing mesmo nos leva a este entendimento, por meio de sua ironia sarcástica, mas patética, contida nesta declaração estapafúrdia:

Na França, em geral, pouco se lê. Os espíritas, habituados, na sua maioria, a aceitar tudo, disseram: O chefe, o mestre certamente aplicou a sua contraprova universal aos três volumes de J.-B. Roustaing; não podemos, por conseguinte, comprar nem ler uma obra inútil.[6]

Possível também é inferir-se disto que até aqueles dissidentes declarados não duvidaram de que Kardec houvesse aplicado seu criterium à pretensa Revelação da Revelação; tanto que a crítica, por um breve momento, só incidiu sobre a sua suposta “carência de exatidão”; disseram que o emprego que Kardec fazia de seu método era “prudente e judicioso”, embora não fosse o mestre por ele “esclarecido de um modo seguro”.[7] Oras! Acaso J.-B. Roustaing obteve sua Revelação de forma mais confiável, ao acatar o que por uma única médium foi transmitido? Aliás, não se há procedido deste jeito absolutamente temerário? Presentemente, não se aceita tudo com base apenas na “alta” confiabilidade de alguns poucos médiuns?
Nas páginas que foram suprimidas do prefácio de Os Quatro Evangelhos de 1920 se encontra, pois, a prova de que a universalidade do ensino dos Espíritos repeliu, sim, logo em seu nascedouro, as teses rustenistas. É o que se pretende negar hoje mediante o fabrico mal-acabado de uma pseudouniversalidade para estes conceitos, na qual uma quantidade ínfima de médiuns, que se encontram sob idêntica influência institucional, recebe confirmações às fantasias rustenistas.
Em A Gênese, XV, 66, não se trata mais, portanto, da opinião do Codificador sobre a natureza do corpo de Jesus, mas da concordância universal do ensino dos Espíritos a rejeitá-la em sua versão fluídica; donde o mestre estabelecer inapelavelmente sobre este sistema neodocetista:

[...] tudo, até ao último brado, no momento de entregar o seu espírito, não teria passado de um vão simulacro, para enganar quanto à sua natureza e fazer crer no sacrifício ilusório de sua vida, numa comédia indigna de um simples homem honesto, e com mais forte razão de um ser tão superior. Numa palavra: Jesus teria abusado da boa-fé dos seus contemporâneos e da posteridade. Essas são as consequências lógicas dessa teoria, consequências que não são admissíveis, porque o rebaixariam moralmente, em lugar de o elevarem. Assim, Jesus teve, como todos nós, um corpo carnal e um corpo fluídico, o que é comprovado pelos fenômenos materiais e pelos fenômenos psíquicos que assinalaram a sua existência.

[1] Os Quatro Evangelhos. Prefácio. F.E.B., 1920, p. 61.
[2] Os Quatro Evangelhos. Prefácio. F.E.B., 1920, pp. 48 e 49.
[3] Os Quatro Evangelhos. Prefácio. F.E.B., 1920, p. 48.
[4] Cf. Revista Espírita. Jun/1866. Os Evangelhos Explicados.
[5] Os Quatro Evangelhos. Vol. I, n. 14.
[6] Os Quatro Evangelhos. Prefácio. F.E.B., 1920, p. 47.
[7] Os Quatro Evangelhos. Prefácio. F.E.B., 1920, p. 47. Cf. Cap. 5: Os Critérios Kardecianos.
O autor, Sergio Aleixo, é escritor e palestrante espírita. É Vice-presidente da Associação de Divulgadores do Espiritismo do Rio de Janeiro. O artigo faz parte de um estudo dos fundamentos metodológicos espíritas em contraposição ao cisma rustenistapublicado no Blog O primado de Kardec

quinta-feira, 10 de março de 2011

“A educação espírita no contexto da sociedade atual” é tema de palestra em Campo Grande-MS, dia 18/03/2011

Palestra pública: “A educação espírita no contexto da sociedade atual”
Palestrante: Carlos Campetti Sobrinho
Dia 18 de março de 2011 - sexta-feira
Horário: 19h 30
Local:  Centro Espírita Discípulos de Jesus
R. Maracaju, 244 - Centro - Campo Grande-MS
Carlos Campetti é jornalista com pós-graduação em Marketing, médium e expositor espírita Brasileiro, com 45 anos de idade, casado e pai de dois filhos. Membro do Conselho Superior da Federação Espírita Brasileira e colaborador do Conselho Espírita Internacional. Foi membro da Diretoria da Federação Espírita Brasileira de 1982 à 1992 com atuação na área administrativa, coordenação de equipes de trabalho, elaboração e coordenação de cursos, seminários em âmbito local, nacional e internacional sobre temas referentes a administração de centros espíritas.

terça-feira, 8 de março de 2011

O Centro Espírita Amor e Caridade, de Dourados-MS, completa 65 anos de atividades

Caríssimo Irmão
O Centro Espírita Amor e Caridade, fundado em 1º de março de 1946, completa 65 anos de existência e de atividades em prol a divulgação da Doutrina Espírita. É uma data de júbilo para o Movimento Espírita,para os espíritas idealizadores e fundadores deste manancial de luz na cidade de Dourados o qual somos gratos aos pioneiros nesta Seara do Mestre Jesus pela perseverança e fé.
Como forma de confraternização pela data especial, convidamos Vossa Senhoria e sua familia, para participarem de uma palestra, a ser proferida pelo confrade Cel. Pedro de Almeida Lobo, da cidade de Campo Grande , coodernador dos trabalhos da Cruzada dos Militares Espíritas em nosso Estado, no dia 12 de março - sábado, com início às 19h 30min. O tema da preleção será "Amizade: elo que liga quem ama a pessoa amada".
Sentiremo-nos muito honrados com a vossa presença e de sua familia e agradecemos desde já, além da divulgação deste evento comemorativo.
Rogando a Deus as bençãos a todos nós,subscrevo-me mui,
Fraternamente.
Iraci Leite Martins
Secretária da Cruzada dos Militares Espirítas

quinta-feira, 10 de fevereiro de 2011

O velho problema da felicidade

Kardec indaga aos Espíritos se "Pode o homem gozar de completa felicidade na Terra.” Os Benfeitores respondem: “Não, por isso que a vida lhe foi dada como prova ou expiação. Dele, porém, depende a suavização de seus males e o ser tão feliz quanto possível na Terra."[1]
Experimentamos momentos decisivos a cada instante da vida. Não podemos esperar outro clima de luta, nem outro lugar de batalha, senão aquele com o qual nos defrontamos, resultado das nossas realizações do presente e do passado. “O problema da felicidade pessoal nunca será resolvido pela fuga ao processo reparador”.[2] As dores deixam marcas, porém, lembremos que “o lutador que não traz a cicatriz da batalha, ao receber quaisquer condecorações externas, não é vitorioso!'[3] Portanto, sofrer também compõe as linhas do currículo humano. A felicidade é uma resultante da vitória na refrega.
Não podemos esquecer que a Terra é um mundo de expiações e provas. Por isso, a felicidade total não se encontra aqui no Planeta, mas em mundos mais evoluídos. Em nosso Orbe a felicidade é relativa, consoante diz o item 20, capítulo V (Bem-aventurados os aflitos), em “O Evangelho segundo o Espiritismo”.[4]
A felicidade reside na paz da consciência tranqüila do dever cumprido e, amando indistintamente o próximo, sem qualquer expectativa de recompensa pelo bem praticado, estaremos cumprindo o importante e inesquecível mandamento de Jesus Cristo: “Amai-vos uns aos outros, como eu vos amei”.[5] Quando esta máxima for cumprida, certamente a Terra estará transformada e, conseqüentemente, usufruiremos a felicidade de um mundo melhor.
A felicidade depende, exclusivamente, de cada criatura. Brota da sua intimidade, depende de seu interior, como ensinou o doce Mestre Galileu: “o reino dos céus está dentro de vós.”[6] Portanto, a verdadeira felicidade reside na conquista dos tesouros imperecíveis da alma.
Estabelecendo, conforme o Eclesiastes, que a verdadeira "felicidade não é deste mundo"[7], Jesus preconizou que o homem deve viver no mundo sem pertencer a ele, facultando-lhe o autodescobrimento para superar o instinto e sublimá-lo com as conquistas da razão, a fim de planar nas asas da angelitude.
A felicidade se expressa no bem que se faz ao próximo. Quando o “eu” egoísta de cada ser tiver cedido lugar ao amor pelo seu semelhante, iremos presenciar uma comunidade equilibrada, harmônica e feliz. “A alegria de fazer feliz é a felicidade em forma de alegria”.[8]
Na Grécia clássica, o filósofo Epicuro procurou demonstrar que a sabedoria é, verdadeiramente, a chave da felicidade. Antes dele, Diógenes, cognominado “O Cínico”, estabelecia que o homem deve desdenhar todas as leis, exceto as da Natureza, vivendo de acordo com a própria consciência e com total desprezo pelas convenções humanas e sociais.  Entre os pensadores gregos, Sócrates, considerado o pai da ciência moral, em sua dialética a expressar-se, não raro de forma irônica, combatia os males que os homens fomentam para gozarem de benefícios imediatos, objetivando, com essa atitude de reta conduta, o bem geral, a felicidade comunitária.
Para a filósofa Dulce Critelli, “confundir felicidade com desejo é um escorregão herdado do estoicismo e do epicurismo, as primeiras escolas filosóficas a pensar a moral de forma individual. Desde então, muitas pessoas acreditam que a felicidade está na satisfação do prazer. Por isso, a roupa de grife, a cirurgia plástica e o carro do ano são tão valorizados. Antes, admirávamos pessoas honradas e generosas” .[9] “Não é feliz o homem em possuir ou deixar de possuir, mas pela forma como possui ou como encara a falta de posse.”[10]
Segundo Joanna de Angelis, “depois da Segunda Guerra Mundial o existencialismo reconduziu o homem à caverna, fazendo-o mergulhar nos subterrâneos das grandes metrópoles e ali entregando-se à fuga da consciência e da razão pelo prazer, numa atitude de desconsideração pela vida, alucinado pelo gozo imediato”.[11]
“O estágio atual de evolução espiritual média do ser humano não lhe garante ausência total de sentimentos de ódio, inveja, rancor, egoísmo e de atitudes compatíveis com esses sentimentos.”[12]
Em uma sociedade onde o homem fosse consciente da vontade de Deus, isto é, da prática do bem, não haveria violência, drogas, seqüestros, prostituição, poligamia, traição, inveja, racismo, inimizades, tristeza, fome, ganância e guerras; e mais, não encontraríamos pessoas perambulando pelas ruas, embriagadas, sujas, cabelos desgrenhados, roupas ensebadas, catando coisas no lixo ou esmolando, em razão de quedas morais.
Sabemos que os psiquiatras, psicanalistas e psicólogos auferem, por seus serviços, significativa remuneração, porque estão com suas agendas lotadas, atendendo pacientes que, em sua grande maioria, sofrem do “mal do século”: a depressão. Existe, à disposição dos profissionais autorizados, uma infinidade de comprimidos como, por exemplo: as pílulas para emagrecimento, as do sono (benzodiazepínicos), calmantes (ansiolíticos), excitantes, etc. Propagam essas drogas como se elas fossem a solução para todos os males. Para o psiquiatra Roberto Shinyashiki, "o mundo exige que as pessoas estejam permanentemente alegres e, por isso, ele se tornou o paraíso das drogas e do Prozac". Para Shinyashiki, o importante é ouvir a própria consciência em vez de buscar os aplausos dos outros.”[13]... Astrólogos, esotéricos e embusteiros de toda sorte, também enriquecem às custas da ingenuidade alheia, fomentando a ilusão de uma fórmula mágica para a felicidade. Esquecem-se de que grande parte das angústias humanas tem, como causa, a falta de religiosidade.
“A depressão é dez vezes mais freqüente, hoje, do que era em 1960. Ela também ataca cada vez mais cedo. Acredito que o que aconteceu foi um excesso de confiança nos atalhos que prometem a felicidade imediata: drogas, consumismo e sexo casual, entre outros exemplos. Tudo isso é fruto do narcisismo. E o narcisismo pode levar à depressão. Preocupar-se demais consigo próprio só faz intensificar tendências depressivas. Os profissionais da auto-ajuda vivem apregoando que todo mundo deve ‘entrar em contato com seus sentimentos’. Ora, há limite para isso. Talvez fôssemos mais felizes se nos preocupássemos mais com o outro”.[14]
Cremos que as teorias atuais sobre o bem-estar em Psicologia e Economia estão, ainda, a desejar. Urge que novas propostas teóricas interpretem a felicidade em termos de valores mais duradouros. Tais dados comprovarão a assertiva dos Espíritos e do Evangelho de que os bens materiais não trazem felicidade.  A felicidade não é resultante de privilégios biogenéticos e de personalidade, nem mesmo pode ser adquirida pela obtenção de um bem de consumo.
Desfrutamos de uma realidade tecnológica que, num passado recente, era impossível imaginarmos, exceto nos filmes de ficção. Recordo-me do início da década de 70, quando não havia como pensar em fornos de microondas, aparelhos de videocassete, telefones celulares, microcomputadores, cartões magnéticos, e, principalmente, a Internet. No entanto, atualmente, são recursos comuns.
Os programas de televisão, de qualidade dúbia, tornaram-se os preceptores dos nossos filhos. As novelas impõem a moda, invertem os valores éticos da vida real, deturpam consciências, transformam cabeças, e mudam culturas. Folhetins instigam muita alegria ruidosa, incontáveis expressões festivas, exibição de gozos, mas muito pouca harmonia nos telespectadores.
Cremos que os pequeninos sacrifícios em família formam a base da felicidade no lar. O Professor da Universidade da Virgínia (EUA), Jonathan Haidt, em seu livro “The Happiness Hypothesis”, escreveu: “a família e os amigos são mais relevantes do que o dinheiro e a beleza. Uma condição que nos torna felizes é a capacidade de nos relacionarmos e estabelecermos laços com os demais."[15]
Ter um princípio religioso propicia não apenas viver por mais tempo, mas como se sentir mais feliz do que os contumazes agnósticos e ateus. "A religião dá a esperança de que tudo vai melhorar, mesmo que seja após a morte. Ela conforta"[16], explica o cientista da religião Frank Usarski, da PUC de São Paulo, autor do best-seller “Sucesso é ser feliz.”
O Espiritismo nos dá suporte moral e outras diversas motivações, revelando-nos a imortalidade, a reencarnação e a lei de causa e efeito. Explica-nos que a felicidade é possível e que se constrói no dia-a-dia pelo esforço continuado, fortalecendo-nos para a luta contra as nossas tendências inferiores.
Desenvolvamos, pois, o hábito de colocar espiritualidade em nossa vida. Aprendamos a observar o mundo pela ótica do espírito e sejamos felizes, compreendendo a vida como um dom de Deus.
O autor, Jorge Hessen é Licenciado em Estudos Sociais, Bacharel em História, Escritor, Jornalista e Articulista com vários artigos publicados na Revista "O Médium" de Juiz de Fora-MG, "Reformador"da FEB, "O Espírita" de Brasília, do "Jornal da Federação de Mato Grosso" e do Jornal da Federação do Distrito Federal", http://jorgehessen.net/

FONTE:
[1] idem
[2] Xavier Francisco Cândido. Fonte Viva,  Ditado pelo Espírito Emmanuel, RJ: Ed. FEB,
[3] Franco, Divaldo Pereira. Compromissos Iluminativos – Ditado pelo Espírito Bezerra de Menezes  Ba: Ed Leal, 2004
[4] Kardec, Allan. O Evangelho Segundo o Espiritismo, RJ: Ed FEB , 2003, item 20, Cap V
[5] (Jo 15, 12).
[6] (Lucas 17:20-21).
[7] (Ec 6:1-5)
[8] Franco, Divaldo Pereira. Estudos Espíritas  – Ditado pelo Espírito Joanna de Ângelis , RJ: ED FEB, 1971
[9] Cf. Istoé on line (13/09/2006) in Segredos da Felicidade
[10] Franco, Divaldo Pereira. Estudos Espíritas  – Ditado pelo Espírito Joanna de Ângelis, RJ: ED FEB, 1971
[11] idem
[12] Fonte: Jornal Mundo Espírita – Jan/1998/artigo de Nilson Ricetti Xavier Nazareno
[13] idem
[14] Martin Seligman, de 61 anos, professor da Universidade da Pensilvânia, nos Estados Unidos e também ex-presidente da Associação Americana de Psicologia
[15] idem
[16] idem

segunda-feira, 17 de janeiro de 2011

Globalização de tudo


Estava pensando outro dia, a respeito do que considero o írreversível processo de globalização.
Interessante que algumas nações desejam exportar de tudo. Que seus cidadãos possam fazer o que quiser em qualquer parte do mundo, mas consideram globalizável somente o resto do mundo, das suas fronteiras para fora. Isso é uma grande hipocrisia.
Como exemplo disso, podemos citar os Estados Unidos erguendo muros na sua divisa com o México.
Europa que historicamente pilhou de tudo, do Novo Mundo até o Oriente, tenta conter imigrantes que buscam um lugar ao Sol para sobreviver dignamente, vejo ações mesquinhas e covardes das autoridades espanholas maltratando cidadãos no Aeroporto de Barajas, em Madri, uma das portas da comunidade européia, argumentando que faz parte da política de gerenciamento de fronteiras e que recebe o nome de "Espaço Schengenem". Na realidade isso é exemplo de falta de educação e de ingratidão. Mas a derrubada desse tipo de barreira também é inevitável, assim como os muros que Israel insiste em construir na Palestina. Tudo em vão. Ainda bem, é só uma questão de tempo, pois esse ranço é fruto da ignorância, do preconceito, da discriminação, cujo tempo está sendo vencido pela fraternidade e pela solidariedade, que são sentimentos nobres e inerentes ao ser humano cada vez mais detentor do saber, do conhecimento.
É como se quisessem erguer uma barreira e separar pobres dos ricos, doentes dos sadios, bonitos dos feios.
Mas queria dizer que esse processo de globalização avança de forma consistente em todos os setores. É a globalização da cidadania, de todos os povos, de todas as religiões, dos costumes, das culturas, de doutrinas filosóficas, enfim do saber.
O ser humano é isso, é resultado dessa somatória, de erros e de acertos. E aí vemos como inevitável a superação da cultura da guerra, do confronto pela do diálogo, da convivência e do respeito pelas divergências.
Ronaldo São Romão Sanches, e-mail: ronaldo.autonomista@gmail.com

sexta-feira, 7 de janeiro de 2011

O Despertar da Consciência


A doutrina espírita, desde o seu advento até os dias atuais, promove no homem uma revolução interior revelando-nos como seres de infinitos potenciais e preparando-nos para a chegada dos novos tempos, no qual o homem conscientiza-se, modifica-se interiormente e ruma à própria auto-iluminação.
Cabe a cada um de nós separar o joio, que se encontra depositado nos celeiros do nosso íntimo na forma de nossas imperfeições e vicissitudes, tais como o orgulho, o egoísmo, etc., para que assim possamos cultivar o trigo, que irá fermentar o amor fraternal latente em toda criatura humana, transformando o ser num homem novo que almeja a Luz Crística. Para tanto, cabe a cada um de nós estarmos vigilantes, pois o Evangelho convida a todos a estarmos adequadamente trajados para o (1)festim de núpcias.
Desde a mais remota antiguidade, as vozes proféticas já anunciavam novos caminhos, os quais Jesus deu cumprimento através de sua lei, completando os preceitos da fé ancestral e iluminando almas adormecidas com o seu amor e com a luz da boa nova. Posteriormente, a doutrina espírita, por sua vez, resplandeceu através das célebres (2)comunicações que despertaram as mais variadas consciências, ecoando desde os simples casebres aos respeitados palácios.
O (3)Mestre Lionês, ao assumir a missão (4)consoladora, daria início, então, à era da consciência, na qual o homem lançar-se-ia a uma jornada épica pelos caminhos da própria conquista interior. Nesse sentido, o espiritismo nos enseja ao auto-descobrimento, sendo este um caminho que iremos extrair do elixir da vida eterna, pois (5)conhecereis a verdade, e a verdade vos tornará livres”. Assim é Cristo pulsando em nós para retomarmos a estrada de damasco!
O homem aflora para o despertar da consciência, transformando-se no “Homem Integral”, que se verá livre de suas próprias amarras interiores. Sejamos nós candidatos voluntários a esta nova era de luz e testemunhemos a voz do Cristo ecoando em nosso âmago: (6)quem crê em mim fará as obras que eu faço e fará ainda maiores do que estas”.

*“Essa lei é revelada pelos espíritos do Senhor, hoje que o homem está maduro para compreender”.
*Evangelho Segundo Espiritismo – Cap. XXVII, item 20.

José Antonio da Cruz, Catanduva-SP
02/01/2011

Referências:
(1) E.S.E – Cap. XVIII. Item 1.
(1) Bíblia – São Matheus Cap. XXII, vv. 1 a 14.
(2) Livro dos Espíritos: Introdução e Livro dos Médiuns (Allan Kardec).
(2) História do Espiritismo (Arthur Conan Doyle).
(3) Referência a Allan Kardec.
(4) E. S. E – Cap. VI. Item 3.
(4) Bíblia João Cap. 14, vv. 15 a 17 e 26.
(5) BíbliaJoão Cap. 8, v. 32 .
(6) Bíblia João Cap. 14, v 12.
Leitura recomendada: E. S. E – Cap. II. Meu Reino Não é Deste Mundo.