domingo, 26 de abril de 2009

Centro Espírita a ser inaugurado brevemente busca trabalhadores para suas atividades

Será inaugurado brevemente o Centro Espírita Renovando Atitudes. O Centro está localizado na Av. Centaurea, 532 - Bairro Cidade Jardim, em Campo Grande-MS, e está precisando de trabalhadores que ajudem a dinamizar as atividades da casa.
Mais informaçoes com Ricardo Goes através do e-mail: goes.correia@gmail.com e do fone (67) 9250-0828.

terça-feira, 14 de abril de 2009

CURSO DE CAPACITAÇÃO DE TRABALHADORES DA ÁREA DE ASSISTÊNCIA E PROMOCÃO SOCIAL ESPÍRITA

Data: 19 de abril de 2009 (Domingo)
Local: Sede da FEMS
Av. Calógeras, 2209 - Centro
Horário: 8h às 17h
(com almoço no local)

Informações:
Federação Espírita de Mato Grosso do Sul
fone: (67) 3324-3757
www.fems.org.br

sexta-feira, 10 de abril de 2009

Entrevista: Amílcar Del Chiaro Filho (1935-2006)

Reproduzimos aqui a entrevista que o Terra Espiritual realizou com o Amilcar, que desencarnou em novembro de 2006. Ao que tudo indica deve ter sido realizada no ano de 2004. Achamos importante pela visão que ele tinha da vida, da Doutrina Espírita e pelo trabalho que desenvolveu, sempre de forma incansável e com muito otimismo. Com certeza excelentes exemplos.

Ronaldo São Romão Sanches
Espiritismo-MS


Escritor, estudioso, médium, palestrante e divulgador da Doutrina Espírita, Amílcar Del Chiaro Filho é um trabalhador incansável do Espiritismo. Apesar das várias adversidades que enfrentou na vida desde a infância, sempre seguiu em frente em busca da construção de um futuro melhor.

Além de todas essas atividades Amílcar ainda encontra tempo para manter o site Amílcar Website (www.guarulhos.tur.br/sol), onde através de vasto conteúdo fornece informações e esclarecimentos sobre o Espiritismo.
Esta semana a equipe Terra Espiritual teve a oportunidade de entrevistá-lo e reproduz abaixo o teor da entrevista.

TE - Como foi que o senhor se tornou espírita?
ACF - Meu pai foi espírita e desde pequeno ouvi alguma referência sobre reencarnação e manifestações de espíritos, mas não foi este o fator determinante, porque saí de casa muito cedo, aos sete anos, para ser internado num Asilo Colônia para hansenianos, onde fiquei até os 16 anos. O Espiritismo aconteceu em minha vida já em São Paulo, atendendo o convite de uma irmã, Norma Del Chiaro. Isto foi ali por 1954. Na segunda semana que fui ao Centro Espírita inscrevi-me como sócio, retirei O Livro dos Espíritos emprestado da Biblioteca do Centro, e nunca mais parei de estudar. Logicamente precisei de alguns anos para que o conhecimento se sedimentasse em meu íntimo.

TE - Quais foram seus primeiros obstáculos, ao seguir o Espiritismo, e como senhor os superou?
ACF - Não tive grandes obstáculos, inclusive porque foi uma época em que morei sozinho, às vezes em pensões e às vezes no próprio local de trabalho. Nesta fase da minha vida era metalúrgico, trabalhava em "torno de repuxo" numa pequena metalúrgica, e à noite armava minha cama no salão da metalúrgica e dormia. A princípio eu era muito crédulo em relação ao Espiritismo, acreditando em tudo que via ou ouvia, me encantava com livros que só alguns anos depois percebi que não tinha nenhuma qualidade. Encantava-me com oradores, mas pouco a pouco fui desenvolvendo o meu senso crítico. Logicamente continuo admirando autores e oradores, mas sempre usando o bom senso.

TE - Quando e como o senhor descobriu a sua mediunidade?
ACF - Na primeira fase no Espiritismo, embora estudasse bastante, mas sem participar nenhum curso, e sim como autodidata, eu apenas freqüentava o Centro sem me empenhar ou me compromissar. Em 1958 casei-me e vim morar em Guarulhos e participar de um grupo familiar de Espiritismo. Na época Guarulhos tinha um único Centro Espírita organizado, com estatuto e registrado em cartório, mas o Centro ficava no interior do antigo Sanatório Padre Bento, que abrigava hansenianos. A cidade tinha alguns grupos familiares que depois vieram se transformar em Centros Espíritas. Foi nesta época que comecei a sentir os primeiros sinais de mediunidade e me dediquei a educá-la, aprimorá-la. Nesta época o Sanatório Padre Bento passou por grandes transformações, ficando liberada a entrada e saída pela portaria. O Centro Espírita, que existe até hoje e se chama Discípulos do Evangelho, estava passando por uma crise forte porque seus dirigentes já idosos não tinham condições de manter o Centro. Algumas pessoas receberam alta e mudaram-se para outros locais e alguns desencarnaram. Esses acontecimentos me levaram a assumir a direção do Centro, e juntamente com um irmão, hoje desencarnado, mantivemos o Centro aberto. Nesta fase minha mediunidade tomou contornos claros e me ajudou muito, mas nos momentos que estava dirigindo reuniões, separava completamente a minha responsabilidade pessoal da mediunidade.

TE - Que recomendações o senhor daria aos médiuns iniciantes para que possam utilizar adequadamente este talento?
ACF - Em primeiro lugar muito estudo. Conhecer profundamente a obra kardequiana é de vital importância. Lembrar sempre que desenvolver mediunidade é desenvolver sentimentos. Outra coisa importante é saber que o Espiritismo não lhe exige nenhuma santidade, mas apenas honestidade, lealdade e conhecimento. Allan Kardec afirmou na Revista Espírita que, em Espiritismo, antes de crer é preciso compreender. Confiar nos espíritos protetores, porém, compreender que eles são limitados, não sabem tudo e podem se enganar. Não ter receio de questionar autores consagrados, expositores, dirigentes ou médiuns, quando não compreender ou não aceitar determinadas coisas. Mas, acima de tudo amar muito. O amor é a grande energia que pode mudar o mundo.

TE - E para os médiuns que não desejam trabalhar sua mediunidade o que o senhor recomendaria?
ACF - Existem muitos médiuns que nem mesmo sabem que são médiuns. Não podemos encarar a mediunidade como punição, nem problema, porque na maioria das vezes é solução. As pessoas que não querem cultivar a mediunidade deveriam compreender que eles queiram ou não, são médiuns, pois esta é uma faculdade natural do ser humano. Conhecendo a mediunidade pode-se ter controle sobre ela. Repudiando-a, somos dominados por ela. Mais do que ser médium é preciso ser bom, honesto, leal, capaz de amar até mesmo quando não se é amado.

TE - Qual deve ser o comportamento dos pais ao descobrirem que seus filhos, já na infância, possuem mediunidade?
ACF - Os pais devem encarar o fato com naturalidade. Logicamente a criança não tem condições de exercer a mediunidade em plenitude, por isso é preciso controlar a faculdade mediúnica com passes, ambiente sadio no lar. É preciso que se trate com a máxima naturalidade a mediunidade para que a criança perceba que não é nada de excepcional. Mas é preciso, também, tomar cuidado para não se bajular a criança por causa da mediunidade, para que ela não a utilize como instrumento de opressão sobre os pais e familiares.

TE - O que o senhor acha da opinião de alguns estudiosos que acreditam que todos os fenômenos mediúnicos são resultados do inconsciente coletivo?
ACF - Os que falam isto tentam explicar sem explicar. A mediunidade está plenamente comprovada e somente os negadores sistemáticos e os que tenham interesse em negá-la se apegam a qualquer explicação que deixe de fora os espíritos. Desde Pierre Janet até os dias de hoje, muita água já passou por baixo da ponte, mas alguns psiquistas e alguns parapsicólogos continuam com suas idéias cristalizadas como se estivessem ainda no século XIX-.

TE - Que mudanças o Espiritismo trouxe para sua vida?
ACF - O Espiritismo mais do que trazer mudanças na minha, me deu a vida de presente. Minha vida sempre foi muito sofrida, especialmente a partir do três anos de idade. Pobreza, doenças, sofrimentos físicos e morais de grande intensidade. Separação da família, discriminação, preconceitos. Nada disto me levou à revolta ou descrença, mas a uma certa indiferença pela vida e pelos valores estabelecidos. Havia sempre uma indagação: por quê? O Espiritismo foi como a luz do sol na manhã nublada da minha vida. Antes eu apenas vivia. Hoje eu existo e sei que posso mudar a minha vida.

TE - Nas suas obras literárias, notamos que a valorização da vida e a superação das adversidades são temas de destaque. O senhor acha que as pessoas, atualmente, estão sem fé na vida?
ACF - Esta é uma questão em que não se pode generalizar. Muitas pessoas estão à deriva na vida, mas muitas outras são exemplos de dignidade e fé. Os meus livros procuram despertar a fé, o entusiasmo pela vida. Entusiasmo tem em si a raiz grega THEOS, que significa Deus. Quem vive com entusiasmo tem Deus dentro de si. A valorização da vida é muito importante. Eu faço uma palestra sobre a valorização da vida que começa com uma citação de Léo Buscáglia: “A vida é um presente que Deus nos deu. A forma como vivemos é o nosso presente a Deus. Que sua vida seja maravilhosa, emocionante”.

TE - Como surgiu a idéia de criar seu próprio site na Internet?
ACF - Foi a bondade de um amigo. Eu tenho um amigo que se chama Ronaldo Viegas que tem uma empresa que cria HP comerciais. Ele é espírita e um dia estávamos conversando na secretaria do Centro Espírita e ele disse: Vamos criar um site na Internet para você? A princípio relutei, mas acabei aderindo. Esta Página ele não cobra nada, e juntamente com os seus funcionários se dedicam a fazê-la bonita e eficiente. Ela me dá muito trabalho para estar sempre atualizada, mas vale a pena.

TE - Além dos livros e da Internet, que outras atividades o senhor desenvolve dentro do movimento espírita?
ACF - Sou articulista e já escrevi para vários jornais e revistas espíritas. Atualmente não tenho escrito muito para a imprensa escrita, mas pretendo fazê-lo novamente. Mantive colunas em jornais da grande imprensa da nossa cidade. Num deles por dez anos e outro por seis anos. Sou radialista da Rede Boa Nova de Rádio há 27 anos. No momento faço a produção e apresentação dos programas Sol Nas Almas e Gente Como A Gente. Este último é sobre o mundo da pessoa portadora de deficiências. Participo da equipe do Diálogos Espíritas, com o Éder Fávaro, e do Conversa Amiga Com Você e Ação Dois Mil, também com o Éder. Sou produtor do Quem Pergunta Quer Saber e Campanha Boa Nova Pela Paz. Escrevo radionovelas e tenho algumas aparições em televisão. Sou delegado da CEPA 0 - Confederação Espírita Panamericana, para Guarulhos. Sou presidente do Grupo de Estudos e Pesquisas Espíritas Herculano Pires, da cidade de Guarulhos e faço palestras. No ano de 2003 fiz em média 10 palestras por mês, fora do Grupo que participo.

TE - Como o senhor vê o movimento espírita atualmente no Brasil?
ACF - Está muito dividido. Em alguns setores há um certo engessamento, e Espiritismo é liberdade. Ele deveria ser o maior movimento democrático do mundo, mas não é. Infelizmente quando se pensa diferente separa-se, mas não deveríamos nos separar pelas poucas coisas que pensamos diferentes, e sim nos unir por tudo aquilo que pensamos iguais. Eu tenho um imenso amor ao Espiritismo, mas não o julgo como o melhor caminho, o único ou o mais perfeito. Ele é para mim um excelente caminho porque o escolhi, mas tenho sempre em mente que o caminho é extático e o caminhante tem que ser dinâmico.

TE - Na sua visão, porque o Espiritismo ainda não conseguiu se expandir muito em outros países?
ACF - São vários os motivos: tradição, intelectualidade exacerbada, descrença, orgulho. A Europa sofreu duas guerras mundiais que arrefeceu a fé, dando oportunidade à criação da teologia radical da morte de Deus. Além disso, a situação religiosa é ainda parecida com a do tempo do Padre Alta, em Paris, que escreveu um livro intitulado: O Cristianismo do Cristo e o dos Seus Vigários. Contudo, se o Espiritismo não se expandiu nesses países, as idéias espíritas tem tomado conta das conversas, da literatura, do cinema, do teatro e até da imprensa.

TE - Este ano estamos celebrando o bicentenário de Kardec. O senhor acha que ele ainda continua atual?
ACF - Extraordinariamente atual. Os novidadeiros, os reformadores que pensam que conhecem Kardec, porém mal leram as suas obras... É verdade que algumas coisas, especialmente ligados às ciências, pois a ciência do século XIX era muito atrasada em comparação com a atualidade, mas nas questões doutrinárias, os alicerces não podem e não precisam de atualização. Para os novidadeiros só há um remédio: Kardec neles!

TE - Quais são seus projetos atuais?
ACF - Na minha idade os projetos são para os dias próximos. Mas com certeza quero continuar estudando. Estou com mais um livro no prelo, completando o 8º e um que acabei de escrever e que uma amiga minha está revisando, será o 9º - Temos um projeto para o programa Sol Nas Almas. Criei com a minha equipe um Simpósio Sol Nas Almas, para atender instituições espíritas que queiram. Tenho o projeto de continuar vivo, ou encarnado, porque tenho muitas coisas a fazer.

TE - Gostaríamos que o senhor deixasse sua mensagem aos leitores da Terra Espiritual.
ACF - Com muita prazer. — A vida é uma sonata de amor escrita por Deus na pauta do arco-íris – O sol faz a regência – A lua tange a harpa – As estrelas formam o coral – Vocês fazem o contracanto. — Muito obrigado pela oportunidade

TE - Obrigado

Visão Espírita da Páscoa

O Espiritismo não celebra a Páscoa, mas respeita as manifestações de religiosidade das diversas igrejas cristãs, e também não proíbe que seus adeptos manifestem sua religiosidade.

Páscoa, ou Passagem, simboliza a libertação do povo hebreu da escravidão sofrida durante séculos no Egito, mas no Cristianismo comemora a ressurreição do Cristo, que se deu na Páscoa judaica do ano 33 da nossa era, e celebra a continuidade da vida.

O Espiritismo, embora sendo uma Doutrina Cristã, entende de forma diferente alguns dos ensinamentos das Igrejas Cristãs. Na questão da ressurreição, para nós, espíritas, Jesus apareceu à Maria de Magdalena e aos discípulos, com seu corpo espiritual, que chamamos de perispírito. Entendemos que não houve uma ressurreição corporal, física. Jesus de Nazaré não precisou derrogar as leis naturais do nosso mundo para firmar o seu conceito de missionário. A sua doutrina de amor e perdão é muito maior que qualquer milagre, até mesmo a ressurreição.

Isto não invalida a Festa da Páscoa se a encararmos no seu simbolismo. A Páscoa Judaica pode ser interpretada como a nossa libertação da ignorância, das mazelas humanas, para o conhecimento, o comportamento ético-moral. A travessia do Mar Vermelho representa as dificuldades para a transformação. A Páscoa Cristã, representa a vitória da vida sobre a morte, do sacrifício pela verdade e pelo amor. Jesus de Nazaré demonstrou que pode-se Executar homens, mas não se consegue matar as grandes idéias renovadoras, os grandes exemplos de amor ao próximo e de valorização da vida.

Como a Páscoa Cristã representa a vitória da vida sobre a morte, queremos deixar firmado o conceito que aprendemos no Espiritismo, que a vida só pode ser definida pelo amor, e o amor pela vida. Foi por isso que Jesus de Nazaré afirmou que veio ao mundo para que tivéssemos vida em abundância, isto é, plena de amor.

Amilcar Del Chiaro Filho, radialista, escritor, palestrante e divulgador da Doutrina Espírita (1935-2006).

sábado, 28 de março de 2009

DIMENSÕES ESPIRITUAIS DO CENTRO ESPÍRITA

Parte I
Introdução:
Costumamos freqüentar o Centro Espírita durante anos sem atentarmos para aspectos mais profundos da sua importância, pois o vemos apenas como o local onde vamos buscar ajuda, consolo, amparo e esclarecimento, e onde se tem um bom ambiente espiritual, apropriado para as reuniões espíritas. Não nos damos conta de toda a complexa estrutura espiritual que mantém uma sede de atividades espíritas, no âmbito dos encarnados, para que ela possa atuar nos dois planos da vida.
Entretanto, há alguns anos, estamos sendo conscientizados, principalmente através de mensagens dos Instrutores Espirituais, do que é, na realidade, o Centro Espírita e a premente necessidade que temos de adequá-lo e preservá-lo de acordo com as diretrizes da Codificação, bem como dos cuidados com que a Espiritualidade Maior cerca e dispensa, ao longo do tempo, aos núcleos espíritas que estão incluídos entre os que são merecedores dessas providências, pelo trabalho sério, nobre e edificante que realizam.
O Espírito Manoel Philomeno de Miranda relata no capítulo 21 do livro Tramas do Destino, como são os planejamentos espirituais de um Centro Espírita, inclusive relatando os compromissos assumidos pela equipe espiritual que trabalharia diretamente com os encarnados, junto àquele que seria o seu patrono, no caso o Espírito Francisco Xavier, que foi abnegado trabalhador do Cristianismo no século XVI.1
Iremos enfocar aqui alguns desses planejamentos do plano extrafísico, e como são efetuados na prática pelos Benfeitores Espirituais, fazendo uma reflexão em torno da participação dos encarnados, enquanto tarefeiros da seara espírita.

Alicerces espirituais
O Centro Espírita é muito mais do que a casa física que lhe serve de sede. Transcende às paredes, aos muros que o circundam e ao teto que o cobre. Em verdade, o Centro Espírita é um complexo espiritual em que se labora nos dois planos da vida, a física e a extrafísica, e com as duas humanidades, a dos encarnados e a dos Espíritos desencarnados.
Em razão disso, as providências e cuidados da Espiritualidade Maior são imensos quanto ao planejamento e a organização de uma instituição espírita.
Já há muito sabemos que as planificações espirituais antecedem as dos encarnados, por isso se diz, comumente, quando se pensa e projeta uma obra espírita, que esta já estava edificada na Espiritualidade. O que é real e verdadeiro.
Os alicerces espirituais, portanto, são “levantados” bem antes, servindo de modelo para a obra que se pretende edificar no plano terreno.
O Centro Espírita não é a casa onde ele se abriga, mas, sim, o labor que ali se desenvolve, o ambiente que se cultiva e preserva, a organização intemporal que o orienta e assessora, os objetivos e finalidades que o norteiam, o ideal e o sentimento com que o conduzem. Por isso prescinde a obra espírita do luxo e do supérfluo para atender à simplicidade e ao conforto que a tornem acolhedora.
As suas bases, os seus alicerces espirituais assim argamassados farão com que a obra se erga firme na Terra e permaneça de pé vencendo as tormentas e vicissitudes humanas. É “a casa edificada sobre a rocha”, de que nos fala Jesus, capaz de resistir através dos tempos. Mas que só se materializará se a equipe encarnada colocar dia a dia os tijolos do amor e o cimento da perseverança; se os labores ali efetuados levarem o sinete da caridade e do desinteresse pessoal, transformando-se assim em templo e lar, hospital e escola.
Reafirmamos: para isto não há necessidade de que a obra seja luxuosa ou grandiosa; ela poderá ser uma casinha simples, despojada, de acordo com a realidade local, e ter uma atmosfera espiritual resplandecente, resultante do trabalho que ali se realiza, pois no dizer de Léon Denis “no mais miserável tugúrio há frestas para Deus e para o Infinito”.

A direção espiritual
Os planos iniciais para a fundação de um Centro Espírita ocorrem na Espiritualidade com antecedência de muitos anos, quando a equipe espiritual assume a responsabilidade de orientar e assessorar as futuras atividades que ali serão desenvolvidas. Isto é feito em sintonia com aqueles que irão reencarnar com tais programações. Para chegar-se a estabelecer esses compromissos são estudadas as fichas cármicas
daqueles que estarão à frente da obra no plano material, convites são feitos, planos são delineados e projetados para o futuro.
Não podemos nos esquecer que aqueles que se reúnem para um labor dessa ordem não o fazem por casualidade. Existem planificações da Espiritualidade que antecedem, portanto, à reencarnação dos que irão laborar no plano físico.
O projeto visa essencialmente a atender aos encarnados, pois através desse labor são concedidas oportunidades de crescimento espiritual, ensejos de resgate e redenção; reencontros de almas afins, de companheiros do passado ou, quem sabe, desafetos no caminho da tolerância e do perdão que a diretriz clarificadora do Espiritismo e a atmosfera balsâmica do Centro propiciarão. Para que isto seja alcançado, a Casa Espírita apresenta um leque de opções variadas de aprendizado e trabalho, onde se favorece a transformação moral, que deve ser o apanágio do verdadeiro espírita, através do exercício da caridade legítima a encarnados e desencarnados, da tolerância e da fraternidade no convívio com os companheiros – o que, em última análise, é a vivência espírita, que traz nos seus fundamentos a mensagem legada por Jesus.
Todavia, muitos desses ensejos de reconciliação, de harmonia, de progresso espiritual; muitas das esperanças e expectativas dos Benfeitores Espirituais são desdenhadas por nós, os encarnados, que esquecidos dos compromissos assumidos deixamo-nos envolver pelo personalismo, pela vaidade, pela disputa de cargos e deferências, pelo ciúme e inveja, por nos acreditarmos melhor que os outros, que somente nós sabemos e somos espíritas de verdade, que temos missão especial, quando não enveredamos por esse novo prisma de considerarmos a Casa Espírita como uma empresa, que deve ser dirigida friamente e dar constantes lucros, não importando que a Causa seja postergada e colocada em segundo plano para que tais resultados sejam alcançados, enfim, todos esses desvios de curso, todas essas idiossincrasias que abrem campo às dissidências e à sintonia com espíritos interessados em retardar a marcha do bem quanto a de nós próprios.
Quando, porém, sentimos e vivemos as diretrizes espíritas, é mais fácil compreender o nosso companheiro difícil e com ele conviver, aprendendo a estimá-lo realmente. Porque é mais fácil amar aquele que vem pedir socorro e que nos estende a mão do que o companheiro ao nosso lado, investido, muita vez, da posição de “fiscal” de nossas atitudes. Os Amigos Espirituais muito esperam de nós nesse campo da rearmonização com o nosso passado, porque, talvez, pela primeira vez já sabemos quanto às implicações do passado e responsabilidades no presente.
Por isto é essencial que nos esforcemos para viver as diretrizes espíritas, a fim de que honremos o Espiritismo não somente “com os lábios”, mas essencialmente com o coração, com o melhor de nós mesmos.

Os recursos magnéticos de defesa
Vejamos como Manoel Philomeno de Miranda explica quais as providências adotadas com relação à fundação do Centro Espírita Francisco Xavier:
“(...) antes mesmo que se definissem os planos da edificação material da Casa, foram tomadas medidas no que dizia respeito aos contingentes magnéticos no local e outras providências especiais.
Ergueu-se, posteriormente, o Núcleo, em cuja construção se observaram os cuidados de zelar pela aeração, conforto sem excesso, preservando-se a simplicidade e a total ausência de objetos e enfeites que não os mínimos indispensáveis móveis e utensílios para o seu funcionamento...
Todavia, nos respectivos departamentos reservados à câmara de passes, recinto mediúnico e sala de exposições doutrinárias, foram providenciadas aparelhagens complexas e com finalidades específicas, para cada mister apropriadas, no plano espiritual.” 2
Esses recursos magnéticos que constituem as defesas espirituais de um Centro Espírita fiel aos princípios da Codificação Kardequiana, conforme as circunstâncias o exigem, podem ser intensificados tal como é relatado no notável livro da querida médium Yvonne Pereira, Memórias de um Suicida, quando é mencionada a instituição na qual seriam realizadas algumas sessões mediúnicas especiais para atendimento de um grupo de suicidas.

A sala de exposição doutrinária
Toda Casa Espírita tem o seu espaço destinado à realização de reuniões públicas, de portas abertas, onde os expositores abordam estudos e palestras doutrinárias, especialmente das obras que constituem a Codificação Kardequiana.
Este recinto recebe da Espiritualidade o cuidado compatível com a importância das tarefas ali desenvolvidas. Espíritos especializados magnetizam o ambiente e o preservam e renovam constantemente, propiciando uma psicosfera salutar, consoante informa Manoel Philomeno de Miranda.
São instaladas defesas magnéticas que impedem a entrada de entidades desencarnadas hostis e malfeitoras, assim, só entram aqueles que obtêm permissão.
Tais cuidados são imprescindíveis em razão da natureza do trabalho que os Centros realizam. Sendo um local para onde convergem pessoas portadoras de mediunidade em fase inicial ou em desequilíbrio ou, ainda, obsidiados de todos os matizes, é fácil concluir que se não houvesse tais cautelas do Plano Espiritual, principalmente, graves problemas poderiam surgir decorrentes do ambiente espiritual e da presença de sensitivos não equilibrados.
Imaginemos, por um instante, a ambiência desta sala, relativamente aos encarnados presentes. A grande maioria dos que comparecem ao Centro o faz impelida pelos problemas e sofrimentos que os aguilhoam. Quando chegam estão aflitos, cansados, desesperados e, não raro, com idéias de suicídio ou outros tipos de pensamentos extremamente negativos. Recorrem ao Espiritismo na condição de náufragos de tormentas morais que se agarrassem a uma tábua salvadora. Trazem o pensamento enrodilhado no drama em que vivem e que é como um clichê estampado na própria aura. Vibrando em enarmonia a quase totalidade dessas criaturas estão imantadas a desafetos do passado ou a entidades outras, igualmente em desequilíbrio, que por sua vez, as envolvem em fluidos perniciosos. Várias são portadoras de monodeísmo, isto é, trazem o pensamento fixo em determinada idéia negativa, como por exemplo, no suicídio, no remorso de ato cometido, etc. Diversas estão magoadas, sofridas, ulceradas interiormente e com as forças deperecidas. Outras estão perdidas em si mesmas, sem saber qual o sentido da vida e que rumo tomar. Muitas esperam milagres que as libertem de imediato de seus problemas e umas poucas chegam por curiosidade ou desejosas de conhecer melhor o que é o Espiritismo. Mas todas essas pessoas têm um denominador comum: a esperança.
Esse conjunto de vibrações desarmônicas e a malta de desencarnados que gravitam ao seu redor – todos interessados em obstar tudo aquilo que pode significar libertação para suas vítimas, no caso a palavra esclarecedora da Doutrina – por certo afetariam os médiuns presentes ainda não equilibrados, não fossem os cuidados e vigilância dos Benfeitores Espirituais.
Há ainda outro ponto a considerar: é que sendo um local de tratamento das almas enfermas, que somos quase todos nós, é imprescindível que os recursos do “laboratório do mundo invisível” sejam mobilizados e acionados para o atendimento espiritual. Os Espíritos especializados fazem, portanto, a triagem dos desencarnados que irão entrar, sempre visando os que estão em condições de ser beneficiados, mas outros são momentaneamente afastados de suas vítimas enquanto estas permanecem no Centro. Em decorrência, grande é o número de entidades que ficam postadas do lado de fora da Casa, como que aguardando permissão para entrar ou interessados em achar alguma brecha nas defesas magnéticas com o intuito de causarem perturbações. Mesmo estes não ficam sem a ajuda do Alto, pois aparelhagem especial transmite a palavra dos expositores amplificando-lhes a voz.
No transcurso da exposição doutrinária grande amparo é prestado ao público. Equipes especializadas atendem aos que apresentarem condições espirituais-mentais favoráveis, receptivas, medicando-os e, até mesmo, realizando cirurgias espirituais.
Por outro lado, a aproximação de entidades benfeitoras junto aos encarnados torna-se mais fácil pela natureza do ambiente e por estarem estes com o pensamento voltado para os ensinos clarificadores da Doutrina, o que lhes modifica, temporariamente, os panoramas mentais, favorecendo o otimismo e a renovação interior. Concomitantemente, os “espíritos arquitetos”, muitas vezes, utilizam dos recursos dos painéis fluídicos que “dão vida” aos comentários do expositor, favorecendo o entendimento dos desencarnados presentes. Isto, aliás, acontece em palestras sempre que o ambiente favoreça.
Toda essa programação, todavia, só se realizará se o Centro Espírita tiver o seu ambiente preservado de quaisquer frivolidades e mercantilismo; de intrigas e personalismo; se ali se cultivar a conversação sadia e edificante; se naquele local se praticar a verdadeira caridade e o estudo sério, e onde as principais metas sejam esclarecer, aliviar e consolar as almas que por ali aportarem, colocando-se assim à altura da proteção dos Espíritos Superiores.

Parte II
O ambiente espiritual da reunião mediúnica
Os cuidados dos Espíritos que se dedicam à preservação do ambiente espiritual da sala onde são realizados os trabalhos mediúnicos são constantes e intensos, pois nada pode ser negligenciado, sob pena de comprometer-se o êxito da reunião.
O local destinado à sessão mediúnica tem, por assim dizer, uma fiscalização permanente, pois, principalmente no caso do recinto consagrado às sessões de desobsessão, muitos Espíritos necessitados e sofredores ficam aí alojados, em regime de tratamento para seu refazimento e reequilíbrio.
No dia da reunião o recinto passa por rigorosa assepsia a fim de livrá-lo e preservá-lo de larvas psíquicas (que são criadas por mentes viciosas de encarnados ou desencarnados); de ideoplastias perniciosas (formas-pensamento, clichês mentais); de vibrações deprimentes, constituindo tudo isso os “invasores microbicidas das regiões inferiores”, conforme esclarece João Cleofas.3
Importante ressaltar que tais “invasores microbicidas” contaminam o homem invigilante que apresente, por sua vez, pensamentos doentios, descontrolados, que são verdadeiras brechas ao assédio inferior, resultando daí a parasitose mental, ou vampirismo.
João Cleofas elucida que a sala mediúnica é o “ambiente cirúrgico para realizações de longo curso no cerne do perispírito dos encarnados como dos desencarnados”, como também local onde “se anulam fixações mentais que produzem danos profundos nas tecelagens sensíveis do espírito.” Além disso, há necessidade de se isolar e defender o recinto das investidas de Espíritos inferiores, o que leva os Benfeitores Espirituais a cercá-lo por meio de faixas fluídicas visando impedir a entrada de tais entidades. Assim, só entrarão no ambiente aqueles que tiverem permissão dos dirigentes espirituais.
A sala mediúnica, conquanto seja limitada no seu espaço físico, no outro plano apresenta-se adimensional, já que se amplia de acordo com a necessidade, permitindo abrigar um número muito grande de desencarnados que são trazidos para tratamento, para esclarecimento, para aprendizagem, etc. Tem ainda mobiliário próprio e aparelhagens instaladas pela equipe espiritual. Esta equipe conta com elementos especializados nesses trabalhos, inclusive aqueles denominados por Efigênio Vítor de “arquitetos espirituais”4, que têm a seu encargo a tarefa complexa de criar os quadros fluídicos indispensáveis ao tratamento ou esclarecimento das entidades comunicantes. Esses quadros fluídicos não são criados ao sabor do acaso mas obedecem a uma programação e à pesquisa sobre o passado dos que precisem desse recurso. Tais painéis fluídicos são tão perfeitos que possuem “vida” momentânea, com movimentos, cor, como se fossem uma tela cinematográfica na qual as personagens são pessoas ligadas ao manifestante, ou ele mesmo se vê vivendo cenas importantes em sua existência de Espírito imortal.
Tudo isso nos dá uma pálida idéia do grandioso trabalho do mundo espiritual; é “o laboratório do mundo invisível”, citado por Kardec, que esclarece: “(...) Os objetos que o Espírito forma, têm existência temporária, subordinada à sua vontade, ou a uma necessidade que ele experimenta. Pode fazê-los e desfazê-los livremente.” 5
E dizer que com a nossa invigilância podemos prejudicar num relance toda essa estrutura! Isto acontece quando comparecemos despreparados para a reunião, trazendo vibrações negativas, desequilibrantes; quando trazemos o pensamento viciado e contaminamos o recinto cuidadosamente preparado. Nesta hora, os tarefeiros da Espiritualidade usam recursos de emergência, isolando o faltoso, para que a maioria não seja prejudicada. Em caso mais grave, porém, poderá ocorrer um desequilíbrio nos circuitos vibratórios que defendem a sessão, o que possibilitará a entrada de Espíritos perturbadores e conseqüente prejuízo para os trabalhos e os participantes.
Como vemos, integrar uma equipe mediúnica é um encargo de grande responsabilidade. Importa considerar que somente as reuniões mediúnicas sérias merecerão dos Benfeitores Espirituais todo esse cuidadoso preparo mencionado.
Se os encarnados corresponderem, o grupo mediúnico crescerá em produtividade sob a chancela de Espíritos bondosos. Em caso oposto, a reunião nada produzirá de positivo, tornando-se presa fácil paras Espíritos inferiores.
A opção é nossa, dos encarnados. Os Amigos Espirituais estão sempre dispostos a secundar os nossos melhores esforços. São eles que traçam as diretrizes dos trabalhos mediúnicos; que na realidade dirigem as atividades, mas ficam na dependência de nossa cooperação, pois uma sessão para a prática da mediunidade somente existe com o concurso dos dois planos da vida. Se estivermos receptivos às orientações e apresentarmos por nosso lado um esforço de iniciativas identificadas com os seus propósitos, as duas equipes – a espiritual e a dos encarnados – tornar-se-ão homogêneas e o grupo vibrando no mesmo diapasão de Amor atenderá com sucesso aos irmãos que ainda jazem na ignorância e no mal.

A sala de passes
O recinto destinado aos passes apresenta características próprias, em virtude do trabalho ali realizado. Sendo local de atendimento ao público é natural que este interfira na ambiência. Entretanto, como se pode deduzir, a grande maioria das pessoas que buscam o socorro do passe o fazem imbuídas dos melhores sentimentos, é o que informa Áulus, instrutor espiritual de André Luiz. Referindo-se à sala de passes, esclarece estarem ali reunidas “(...) sublimadas emanações mentais da maioria de quantos se valem do socorro magnético, tomados de amor e confiança”. Estas vibrações permanecem no ambiente e se acumulam, a tal ponto que, no dizer de Áulus, criam uma atmosfera especial formada “(...) pelos pensamentos, preces e aspirações de quantos nos procuram trazendo o melhor de si mesmos”. Esse conjunto vibratório surpreendeu André Luiz, quando este observou uma sala de passes, pelo “ambiente balsâmico e luminoso” que apresentava.6
Tal como acontece com a sala mediúnica, o recinto destinado a essa atividade recebe dos Espíritos especializados a assepsia e as defesas magnéticas imprescindíveis à manutenção e preservação do ambiente. Quanto ao atendimento aos enfermos, o autor espiritual explica que há um “quadro de auxiliares, de acordo com a organização estabelecida pelos mentores da Esfera Superior”, enfatizando que para o bom êxito do labor de passes há que se observar: experiência, horário, segurança e responsabilidade daquele que serve.
No momento dos passes é possível a alguns médiuns videntes divisarem a intensa movimentação dos Benfeitores, que se utilizam de aparelhagens especiais adequadas aos enfermos presentes.
A organização do Mundo Espiritual é, pois, exemplar. Não obstante, nós, os encarnados, deixamos muito a desejar com as nossas falhas costumeiras, que vão desde a invigilância em nosso cotidiano até a freqüência irregular, o que por certo prejudica os trabalhos.
É fundamental, portanto, que haja uma conscientização, de nossa parte, da grandeza e complexidade dos labores espirituais, a fim de participarmos de modo mais eficiente e produtivo. Que isso não seja, porém, um fator que leve ao misticismo (mas sim à responsabilidade) e que venha a influir ou modificar a nossa conduta no instante do passe ou no ministério mediúnico. Embora o trabalho que se desenvolve “do outro lado” seja complexo, a nossa participação deve ser a mais simples possível, permeada, contudo, do mais acendrado sentimento de amor ao próximo.
Que nos lembremos sempre que para exercermos tais atividades a nossa preparação é toda, principalmente, interior. É no nosso mundo íntimo que devemos laborar. É a nossa transformação para melhor a cada momento.
Assim, não é a cor do vestuário nosso ou do paciente, a nossa gesticulação ou a sala ser azul ou branca que irão influir na qualidade da transmissão energética no instante dos passes, mas sim, a nossa mente impulsionando e direcionando essas energias fluídicas, o nosso desejo de servir, a nossa capacidade de ser solidário com aquele que ali está e de amá-lo como a um irmão. Por isso, a simplicidade deve ser a tônica no momento do passe, já que este é, essencialmente, um ato de amor. E o amor é simples, desataviado e puro, tal como exemplificou Jesus.

CONCLUINDO, registramos, para nossa reflexão, a palavra de Emmanuel que enaltece a magna finalidade da Doutrina dos Espíritos:
“Ao Espiritismo cristão cabe, atualmente, no mundo, grandiosa e sublime tarefa.
Não basta definir-lhe as características veneráveis de Consolador da Humanidade, é preciso também revelar-lhe a feição de movimento libertador de consciências e corações.” 7
É fundamental estarmos cônscios da imensa responsabilidade que assumimos quando da fundação de uma instituição espírita; não podemos esquecer que responderemos por tudo o que fizermos perante Jesus e a Espiritualidade Maior e, sobretudo, diante de nossa consciência. Jesus vem e nos convida, novamente. Quais os frutos que podemos oferecer? Nossos celeiros ainda estão vazios?
Para encerrar, nada melhor do que o notável texto de Bezerra de Menezes, que reúne todas as diretrizes e, em simultâneo, também as advertências, imprescindíveis, a fim de que se preserve e mantenha a ambiência espiritual do Centro Espírita, fazendo jus, assim, aos cuidados e empenho dos Benfeitores Espirituais que o edificaram no plano extrafísico, para que ali sejam efetuadas as curas das almas, esclarecendo e confortando os corações e, sobretudo, libertando consciências:
“As vibrações disseminadas pelos ambientes de um Centro Espírita, pelos cuidados dos seus tutelares invisíveis; os fluidos úteis, necessários aos variados quão delicados trabalhos que ali se devem processar, desde a cura de enfermos até a conversão de entidades desencarnadas sofredoras e até mesmo a oratória inspirada pelos instrutores espirituais, são elementos essenciais, mesmo indispensáveis a certa série de exposições movidas pelos obreiros da Imortalidade a serviço da Terceira Revelação. Essas vibrações, esses fluidos especializados, muito sutis e sensíveis, hão de conservar-se imaculados, portando, intactas, as virtudes que lhe são naturais e indispensáveis ao desenrolar dos trabalhos, porque, assim não sendo, se mesclarão de impurezas prejudiciais aos mesmos trabalhos, por anularem as suas profundas possibilidades. Daí porque a Espiritualidade esclarecida recomenda, aos adeptos da Grande Doutrina, o máximo respeito nas assembléias espíritas, onde jamais deverão penetrar a frivolidade e a inconseqüência, a maledicência e a intriga, o mercantilismo e o mundanismo, o ruído e as atitudes menos graves, visto que estas são manifestações inferiores do caráter e da inconseqüência humana, cujo magnetismo, para tais assembléias e, portanto, para a agremiação que tais coisas permite, atrairá bandos de entidades hostis e malfeitoras do invisível, que virão a influir nos trabalhos posteriores, a tal ponto que poderão adulterá-los ou impossibilitá-los, uma vez que tais ambientes se tornarão incompatíveis com a Espiritualidade iluminada e benfazeja.
Um Centro Espírita onde as vibrações dos seus freqüentadores, encarnados ou desencarnados, irradiem de mentes respeitosas, de corações fervorosos, de aspirações elevadas; onde a palavra emitida jamais se desloque para futilidades e depreciações; onde em vez do gargalhar divertido, se pratique a prece; em vez do estrépito de aclamações e louvores indébitos se emitam forças telepáticas à procura de inspirações felizes; e ainda onde, em vez de cerimônias ou passatempos mundanos, cogite o adepto da comunhão mental com os seus mortos amados ou os seus guias espirituais, um Centro assim, fiel observador dos dispositivos recomendados de início pelos organizadores da filosofia espírita, será detentor da confiança da Espiritualidade esclarecida, a qual o elevará à dependência de organizações modelares do Espaço, realizando-se então, em seus recintos, sublimes empreendimentos, que honrarão os seus dirigentes dos dois planos da Vida. Somente esses, portanto, serão registrados no Além-Túmulo como casas beneficentes, ou templos do Amor e da Fraternidade, abalizados para as melindrosas experiências espíritas, porque os demais, ou seja, aqueles que se desviam para normas ou práticas extravagantes ou inapropriadas, serão, no Espaço, considerados meros clubes onde se aglomeram aprendizes do Espiritismo em horas de lazer.” 8

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS:
1. FRANCO, Divaldo P. Tramas do Destino, pelo Espírito Manoel P. de Miranda. 7. ed., Rio de Janeiro: FEB, 2000, cap. 21, p. 196.
2. Idem, ibidem, p. 200.
3. FRANCO, Divaldo P. Depoimentos Vivos. Diversos Autores Espirituais, João Cleofas.
4. XAVIER, Francisco C. Instruções Psicofônicas, pelo Espírito Efigênio Vítor. 7. ed., Rio de Janeiro: FEB, 1995, cap. 44.
5. KARDEC, Allan. O Livro dos Médiuns. 70. ed., Rio de Janeiro: FEB, 2002, cap. VIII, item 129.
6. XAVIER, Francisco C. Nos Domínios da Mediunidade, pelo Espírito André Luiz. 29. ed., Rio de Janeiro: FEB, 2002, cap. 17, p. 161-162.
7. XAVIER, Francisco C. Missionários da Luz, pelo Espírito André Luiz. 36. ed., Rio de Janeiro: FEB, 2001, “Ante os tempos novos”, p. 8.
8. PEREIRA, Yvonne A. Dramas da Obsessão, pelo Espírito Bezerra de Menezes. 9. ed., Rio de Janeiro: FEB, 2001, Conclusão, item III, p. 145, 146 e 147.

Autora: Suely Caldas Schubert
Fonte: revista Reformador, da FEB, de fevereiro e março de 2004

sexta-feira, 27 de março de 2009

Palestra com Francisco Atílio Arcoleze no ICEMS, em Campo Grande-MS, dia 28/03

Será realizada no ICEMS - Instituto de Cultura Espírita de MS palestra com o Sr. Francisco Atílio Arcoleze, com o tema: O apóstolo Pedro.

Dia 28/03/09, sábado, às 19:30 hs.

O ICEMS, é localizado na Rua 26 de agosto, 850 - centro, em Campo Grande-MS, em frente ao SENAC.

Almoço Beneficente - domingo: 29/03/09 - em prol do Lar Mãe Mariana, anexo ao Centro Espírita Caminheiros de Jesus

Prezados amigos

Será realizado no próximo domingo, dia 29/03, Almoço Beneficente, muito bem organizado, churrasco excelente.
A receita será em prol do Lar Mãe Mariana, anexo ao Centro Espírita Caminheiros de Jesus, na Chácara Estrêla do Sul, próximo ao bairro Otávio Pécora.
O Lar é responsável por 110 crianças, e oferece educação do 1º grau em convênio com a Prefeitura Municipal de Campo Grande e diversas atividades esportivas, profissionalizantes e esportivas em tempo integral, bem como alimentação (almoço e merendas).

O almoço será servido das 12 as 14 horas - levar pratos e talheres.
custo: R$ 15,00 - crianças até 7 anos não pagam
Local: Loja Maçônica Ordem e Progresso
Rua Frei Henrique de Coimbra, 70 - Jardim Paulista

Campo Grande-MS
localização

mais informações: Ronaldo São Romão Sanches
cel. 9632-1291

sexta-feira, 13 de março de 2009

Seminário em Ponta Porã-MS: “Libertação do Sofrimento” com Divaldo Pereira Franco

A realização é da Federação Espírita de Mato Grosso do Sul em comemoração aos 30 anos da entidade.
Data: 4 e 5 de abril, às 14h.
Local: Loja Maçônica Aquidaban em Ponta Porã-MS.
Quem for participar das atividades com o Divaldo em Ponta Porã deve preencher uma Ficha de Inscrição. A inscrição é gratuita e servirá somente para controle da quantidade de participantes.
Mais informações através dos e-mail: fems@fems.org.br

FEMS promoverá em abril a 7ª Confraternização de Juventudes Espíritas de MS - CONJEMS

1
A Federação Espírita de Mato Grosso do Sul - FEMS, irá promover dias 10 (sexta), 11 (sábado) e 12 (domingo) de abril de 2009 a 7ª Confraternização de Juventudes Espíritas de MS - CONJEMS.
O tema central será "Jovem espírita - Construtor de uma nova sociedade" e o eixo temático: "Família, Vida e Paz".
O público alvo são os jovens de 13 a 21 anos, integrantes das Juventudes Espíritas das Casas Espíritas de Mato Grosso do Sul.
As inscrições devem ser feitas na FEMS, sendo que até 25 de março o custo será de R$ 20,00 e de 26 de março a 2 de abril será R$ 35,00.
O evento será realizado na Base Aérea de Campo Grande.
Atividades para os pais:
dia 11 de abril, sábado, das 14h às 17h30 - Dinâmica de grupo, e às 19h30 - Apresentação ao público.
Mais informações pelo fone (67) 3324-8322.

Agenda do dia 14/03/09, sábado, do Espaço Chico Xavier em Campo Grande-MS

domingo, 1 de março de 2009

Divaldo Pereira Franco vem novamente a MS, nas comemorações dos 30 anos da FEMS

Dia 3 de abril de 2009, sexta-feira, às 19:30hs, realizará palestra pública no Centro de Convenções Rubens Gil de Camillo em Campo Grande-MS.
Em Ponta Porã, apresentará um Seminário, que será dividido em duas partes, a primeira no dia 4 de abril a partir das 14 horas e a segunda parte no domingo, 5 de abril, a partir das 8 horas. O evento será realizado na Loja Maçônica Aquidaban. No sábado, às 19:30 horas, também na Loja Maçônica Aquidaban, haverá palestra pública.

30 Anos da FEMS: Palestras e Seminário com Suely Caldas Schubert dias 27, 28 e 29 de março de 2009

Os eventos fazem parte das comemorações dos 30 anos da Federação Espírita de Mato Grosso do Sul - FEMS e serão realizadas em Campo Grande e Corumbá.
Palestra:
As cinco vertentes da mensagem de Jesus
dia 27 de março de 2009, sexta-feira, às 19:30hs
local: Câmara Municipal de Campo Grande-MS
Palestra:
A mensagem do Tabor
dia 28 de março de 2009, sábado, às 19 horas
local: Anfiteatro Dr. Salomão Baruki do Campus Pantanal da UFMS em Corumbá-MS
Seminário: Dimensões da mediunidade
dia 29 de março de 2009, domingo, às 8 horas
local: Anfiteatro Dr. Salomão Baruki do Campus Pantanal da UFMS em Corumbá-MS

Suely Caldas Schubert nasceu em Carangola-MG. Desde jovem, dedica-se às atividades espíritas, especialmente no âmbito da mediunidade e da divulgação do Espiritismo. Autora de nove livros, é também conhecida expositora, tendo realizado dezenas de palestras no Brasil e no exterior.
Pela Editora da Federação Espírita Brasileira lançou seus dois primeiros livros – Obsessão/Desobsessão: Profilaxia e Terapêutica (1981) e Testemunhos de Chico Xavier (1986). Outros livros de sua autoria são O Semeador de Estrelas (1989), Ante os Tempos Novos (1996), ambos pela Editora LEAL; Mediunidade: Caminho para ser Feliz (1999), pela Editora Didier; e Transtornos Mentais (2001), pela Minas Editora.
Em 1986, Suely fundou com um grupo de companheiros a Sociedade Espírita Joanna de Ângelis, em Juiz de Fora, da qual foi a primeira presidente e hoje exerce a vice-presidência. Tem uma atividade intensa na Aliança Municipal Espírita dessa cidade, onde reside e é diretora do Departamento de Mediunidade.

sábado, 28 de fevereiro de 2009

30 Anos da FEMS: Palestras e Seminário com o Médico, Homeopata e Psicoterapeuta Alberto Almeida dias 20 e 21 de março de 2009.

Os eventos fazem parte das comemorações dos 30 anos da Federação Espírita de Mato Grosso do Sul - FEMS e serão realizadas em Campo Grande e Dourados.
Palestra: A dinâmica da relação afetiva a dois
dia 20 de março de 2009, sexta-feira, às 19:30hs
local: Câmara Municipal de Campo Grande-MS
Seminário: Aprendendo a lidar com as emoções
dia 21 de março de 2009, sábado, às 14 horas
local: Teatro Municipal de Dourados-MS
Palestra: A dinâmica da relação afetiva a dois
dia 21 de março de 2009, sábado, às 19:30hs
local: Teatro Municipal de Dourados-MS

Alberto Almeida é Médico, homeopata, psicoterapeuta, com formação em Terapia de Regressão a Vivências Passadas, expositor espírita internacional, tendo ministrado palestras e seminários no Brasil e no exterior, participando inclusive do IV Congresso Espírita Mundial em Paris. É natural de Belém-PA e atuante na Associação Médico Espírita do Pará - AME-PA.

30 Anos da FEMS: Palestras e Seminário com o Psicólogo Lacordaire Abrahão Faiad dias 6 e 7 de março de 2009.

Os eventos fazem parte das comemorações dos 30 anos da Federação Espírita de Mato Grosso do Sul - FEMS e serão realizadas em Campo Grande e Três Lagoas.

Palestra: Depressão na visão espírita
dia 6 de março de 2009, sexta-feira, às 19:30hs
local: Auditório da FECOMÉRCIO-MS, Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo do Estado de Mato Grosso do Sul
Rua Almirante Barroso, 52 - Bairro Amambaí - Campo Grande-MS

Seminário: A família na visão espírita
dia 7 de março de 2009, sábado, às 14horas
local: Grupo da Fraternidade Espírita José Xavier
Rua Zuleide Peres Tabox, 751 - Três Lagoas-MS

Palestra: Depressão na visão espírita
dia 7 de março de 2009, sábado, às 19:30hs
local: Grupo da Fraternidade Espírita José Xavier
Rua Zuleide Peres Tabox, 751 - Três Lagoas-MS

Lacordaire Abrahão Faiad é Psicólogo Clínico e Organizacional, com Especialização em Psicologia e Psicoterapia Transpessoal, Master Practitioner e Trainer na arte de Programação Neurolingüística. A título de extensão e atualização fez: Neuropsicologia, Programação Neurolingüística para Psicoterapeutas, Jogos de Empresa e Elementos de Psicologia Transpessoal. Facilitador de cursos, seminários e palestras. É Diretor do Instituto Brasileiro de Plenitude Humana - IBPH.

segunda-feira, 16 de fevereiro de 2009

Seminário: Falando com os Espíritos, com Américo Sucena

A TV Alvorada Espírita apresentará o Seminário "Falando com os Espíritos" , com Américo Luís Sucena.
O Seminário será apresentado em duas partes, nos seguintes horários:
dia 21/02 – sábado às 14:00 horas, e
dia 22/02 – domingo às 8:30 horas – (continuação)

Para assistir a TV Alvorada Espírita você encontrará um link no Blog Amigo Espírita (www.amigoespirita.zip.net ), do José Aparecido, de Auriflama-SP , ou então acessando diretamente http://www.tvalvoradaespirita.com.br/

quarta-feira, 19 de novembro de 2008

Gabriel Delanne – Um Pesquisador Incansável


Virada de século, virada de milênio, ótima oportunidade para refletir e analisar as diversas contribuições feitas no século XX ao Espiritismo e as chamadas ciências do espírito. Gabriel Delanne (juntamente a Leon Denis) marca a transição do Espiritismo do século XIX, influenciado pela presença de Kardec, para o Espiritismo do início do século XX, buscando sua afirmação científica, tentando empolgar os homens de ciência da época. Nascido em Paris, no dia 23 de março de 1857 – no mesmo ano da publicação de "O Livro dos Espíritos" – Delanne foi (juntamente com Leon Denis) o discípulo mais próximo de Alan Kardec. Além disso foi provavelmente a primeira grande personagem espírita nascida em uma família espírita. Apenas para recordar, Allan Kardec tomou conhecimento dos fenômenos espíritas aos 50 anos e Leon Denis era adolescente quando ouviu falar pela primeira vez do Espiritismo. Gabriel Delanne nasceu em família espírita, seu pai Alexandre Delanne acompanhou de perto os trabalhos de Allan Kardec tendo formado um pequeno grupo familiar de estudos espíritas tendo como médium escrevente sua esposa (e mãe de Gabriel) Alexandrine Delanne.
Portanto desde criança Gabriel Delanne estava familiarizado com o vocabulário espiritista e assistiu desde muito pequeno a numerosas sessões espíritas. Delanne, inclusive, travou contato com o mestre Kardec na sua infância – Kardec faleceu quando Delanne tinha 12 anos de idade.
Uma vida atribulada e sofrida
Gabriel Delanne iniciou seus estudos no colégio Cluny (em Saone-et-Loire), depois no colégio de Grau (em Haute-Soane) e aos 19 anos ingressou na Escola Central das Artes e Manufatura. Como a situação financeira de seus pais não permitiu a conclusão de seus estudos, começou a trabalhar na Companhia de Ar Comprimido e de Eletricidade Popp onde esteve até 1892, dividindo seu tempo entre seu trabalho e sua dedicação ao Espiritismo.
Delanne não gozava de boa saúde. De menino tinha um abcesso no olho esquerdo – pelo qual foi isento do serviço militar – o qual resultou numa infeção que iria progressivamente prejudicar sua visão. No curso dos anos seu estado de saúde foi se agravando. Em 1906 a paralisia dos membros inferiores obrigava-o a andar com duas bengalas. Nem por isso abandonou as conferências na França e no exterior, sempre divulgando as idéias espíritas. No período da Primeira Guerra (1914/18) a saúde de Delanne piorou ainda mais. Cada movimento era um grande sofrimento e ainda por cima ficou cego. Em 1918 já não conseguia mais andar sendo necessário o uso de cadeira de rodas. Não obstante todos esse sofrimento físico continuou produzindo incessantemente, retirado na vila de Montmorency onde Jean Myer lhe havia dado asilo.
Sua morte se deu em 15 de fevereiro de 1926, aos 69 anos de idade. Sua sepultura se encontra no famoso cemitério parisiense de Pere Lachaise.
Contribuições ao Espiritismo
Como já dito Gabriel Delanne marcou a transição e a continuação da obra de Kardec. Defensor ferrenho do caráter cientifico da Doutrina Espírita dedicou a maior parte de seus esforços na luta por consolidar o Espiritismo como uma ciência estabelecida e complementar às outras. Foi presidente da União Espírita Francesa, presidente da Sociedade de Estudos dos Fenômenos Psíquicos, fundador e diretor da Revista Cientifica e Moral de Espiritismo. Escritor de grande talento dentre suas principais obras destacam-se: O Espiritismo Perante a Ciência, O Fenômeno Espírita, A Evolução Anímica, A Reencarnação, A Alma é Imortal, Katie King, As Materializações da Vila Carmen.
Marcam suas obras a defesa ferrenha dos conceitos espíritas e o combate ao materialismo. Utilizando o método racional empregado na época, faz uso de casos e observações para comprovar suas hipóteses. Apesar de aceitar a revelação dos espíritos, sempre procurou a comprovação através dos fatos.
No meu entender sua maior contribuição ao Espiritismo foi a tese do Perispírito. Se o conceito do Perispírito havia sido introduzido por Allan Kardec, foi Delanne quem o definiu, estudou e atribuiu diversas funções na economia corporal e espiritual. Vitalista, atribui ao perispírito a resposta às questões pendentes de sua época:
Como explicar a vida? Por que se morre? Como a estabilidade orgânica é mantida frente a renovação celular constante? Como explicar a ação inteligente da alma sobre o corpo? Onde se localiza a memória? Como se dá a evolução anímica?
Para todas esses questões Delanne ofereceu como resposta a existência do Perispírito, suas características e funções. Além disso desenvolveu brilhante explicação acerca dos fenômenos espíritas, novamente utilizando o Perispírito como peça central, sempre ressaltando que o Espiritismo não tinha nada de sobrenatural e se calcava em bases naturais, ou seja, na existência desse corpo físico, porém etéreo, ponte entre a alma e o corpo físico. Introduziu também com muita força a noção do fluido vital. Finalmente atribuiu ao Perispírito a sede da memória, estabelecendo assim uma ligação entre a reencarnação e a evolução anímica.
De certa forma todo o desenvolvimento científico tentado por diversos autores espíritas, como André Luiz e Hernani G. Andrade, baseiam-se nos postulados de Delanne. É mister admitir que o progresso da ciência demonstrou que várias hipóteses de Delanne estão incorretas, porem é notável o esforço feito por ele para colocar o Espiritismo par a par com a ciência, não só pelo método empregado, mas pela busca constante de fatos que comprovem suas proposições.
A leitura de suas obras mostra um Delanne apaixonado, convencido da força das idéias espíritas e mais que tudo consciente do impacto moral das mesmas, como nos atesta o seguinte trecho da conclusão de sua obra "A Evolução Anímica" (Delanne,Gabriel – 6a Edição; Ed. FEB – pág. 252) :
"Com a certeza das vidas sucessivas e da responsabilidade dos nossos atos, muitos problemas revelar-se-ão sob novos prismas. As lutas sociais, que atingem , nesta nossa época, um caráter de aguda aspereza, poderão ser suavizadas pela convicção de não ser a existência planetária mais que um momento transitório no curso de uma eterna evolução.
Com menos orgulho nas camadas altas e menos inveja nas baixas, surgirá uma solidariedade efetiva, em contacto com estas doutrinas consoladoras, e talvez possamos ver desaparecer da face da Terra as lutas fratricidas, ineptos frutos da ignorância , a se dissiparem diante dos ensinamentos de amor e fraternidade, que são a coroa radiosa do Espiritismo."
Por toda sua dedicação a idéia espírita, na defesa do aspecto científico do Espiritismo e por seu humanismo Gabriel Delanne merece lugar de destaque entre os pensadores que contribuíram para a evolução da idéia espírita no século XX.

segunda-feira, 17 de novembro de 2008

Palestra: ABORTO - ASPECTOS JURÍDICOS E ESPIRITUAIS, no ICEMS, dia 29/11, sábado, às 19:30 hs

A palestra "ABORTO - ASPECTOS JURÍDICOS E ESPIRITUAIS" será proferida pelo Sr. Alcir Kenupp Cunha, Juiz do Trabalho.
Data: 29/11/2008 - sábado - 19:30hs
Local: Instituto de Cultura Espírita de Mato Grosso do Sul
Rua 26 de agosto, 850 - centro
Campo Grande-MS

À sua maneira, jovens cultivam fé

Publicado dia 16/11/2008 na Revista do Instituto Humanitas Unisinos, disponível no endereço: http://www.unisinos.br/ihu/index.php?option=com_noticias&Itemid=18&task=detalhe&id=18283

Há seis anos, Valentim, de 20 anos, criado em família católica, é budista. São da mesma época os primeiros passos de Fany, de 27, no xamanismo e nos rituais do Santo Daime. Seu namorado, Gabriel, de 20, também segue as duas religiões, além de ser adepto do rastafarianismo - a mesma religião de Bob Marley (1945-1981). Wellington, de 21 anos, passou a freqüentar a igreja evangélica Bola de Neve há dois anos, após ser convencido por um vizinho. Eles podem divergir quanto a crença, mas estão unidos por viverem a fé em seu cotidiano.
A reportagem é de Emilio Sant’Anna e Simone Iwasso e publicada pelo jornal O Estado de S. Paulo, 16-11-2008.
A trajetória dos quatro jovens contraria o senso comum que atribui a essa fase da vida uma postura individualista e pouco interessada em qualquer forma de religiosidade. Uma pesquisa do Instituto Brasileiro de Análises Sociais e Econômicas (Ibase) e do Instituto Polis, realizada em sete regiões metropolitanas (Belém, Belo Horizonte, Porto Alegre, Recife, Rio de Janeiro, Salvador e São Paulo), já identificava isso em 2005.
O comportamento de mais de 8 mil jovens diante de assuntos como religião e política foi analisado para se traçar um perfil dessa população. Nesse universo, a participação em grupos é vivida por 28,1%, a maior parte pertencentes às classes A e B. A religião é o principal motivo que os une (42,5%), seguida por atividades esportivas (32,5%) e artísticas (26,9%).
A forma como os jovens vivem a religiosidade, no entanto, chama a atenção. “Essa é uma geração que experimenta mais, entra e sai das religiões com facilidade”, diz a antropóloga e pesquisadora do Ibase, Regina Novaes. “Muitas vezes, a procura leva a uma mistura de crenças pois eles se sentem mais livres para procurar um lugar em que se sintam bem.”
A vivência familiar é uma das explicações para a flexibilidade da fé. “Essa geração vem de famílias plurirreligiosas, o que é uma novidade”, explica Regina.
Valentim Conde Fernandes, 20 anos, tinha tudo para ser católico. A avó o levou para a igreja, a mãe freqüentava grupos de oração. Porém, aos 14 anos, o jovem começou a se interessar pelo budismo.
O interesse cresceu a ponto de se tornar voluntário no Templo Zu Lai, em Cotia, na grande São Paulo. Nesse fim de semana, Valentim viajou para o Rio. O destino: um retiro espiritual.
Seis anos após se converter, a família de Valentim também mudou. Aceita a religião do filho e seu objetivo: ingressar na Universidade Livre Budista e depois continuar seus estudos em Taiwan para se tornar monge. “O budismo foi fundamental para eu me entender melhor e para que eu não fosse mais uma pessoa mentindo para si mesma”, diz ele.
CRENTES
Uma pesquisa feita neste ano por um grupo conduzido pelo teólogo Jorge Cláudio Ribeiro, da Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (PUC-SP), com cerca de 1.500 universitários paulistas de 17 a 25 anos reflete a tendência dos jovens buscarem sua própria fé. O estudo mostrou que 20% dos entrevistados se declaram crentes sem religião. Ou seja, estavam ligados a práticas religiosas, sem serem filiados a nenhuma delas. “É comum ouvir dizer que a juventude perdeu as crenças, mergulhou no niilismo, no consumismo e no individualismo e abandonou as práticas religiosas. No entanto, a pesquisa descobriu que, pelo contrário, o jovem cultiva intensa religiosidade, que se integra em sua vida”, afirma o teólogo.
Os dados encontrados pelo professor vão ao encontro dos últimos dados disponíveis do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Pelo último censo, há três grandes mudanças em curso na religiosidade do brasileiro, e das quais os jovens até 24 anos fazem parte: queda no número de católicos, crescimento de evangélicos e aumento de pessoas que não se identificam com nenhuma religião tradicional.
Pouco tradicional é uma definição para as crenças do casal de namorados Fany Carolina de Castro Matriccioni, de 27 anos, e o namorado Gabriel Santana, de 21. Fany além de seguir o xamanismo - religião que une os conhecimentos ancestrais de povos indígenas e representações de seres míticos e animais - também freqüenta sessões do Santo Daime, seita que ficou conhecida pelo uso da ayahuasca, planta nativa da região amazônica.
Gabriel compartilha das duas crenças, mas também é seguidor do rastafári, crença fortemente influenciada pelo judaísmo e cristianismo. Entre seus preceitos estão o vegetarianismo e a proibição de cortar o cabelo, trançado em forma de dreadlocks. Para os rastas o uso da maconha é sagrado. “A maconha é usada como consagração. O que é banal para uns é sagrado para outros”, explica Gabriel.
CLASSE SOCIAL
Apesar da liberdade para definir sua fé, a classe social ainda é um fator importante na escolha e na forma como os jovens encaram as religiões. Enquanto os de classe mais baixa estão mais propensos a seguir as igrejas pentecostais, os jovens das classes média e alta parecem mais livres e interessados em crenças pouco ortodoxas para os padrões do brasileiro. “São os crentes sem religião, ou os agnósticos, como muitos se definem. Levam mais em conta a fé e a espiritualidade do que as instituições religiosas. Entre jovens com maior acesso à educação e a bens culturais, esse perfil aparece com maior freqüência”, diz Ribeiro.
Para o cientista político Cesar Romero Jacob, da Pontifícia Universidade Católica do Rio (PUC-Rio), há um núcleo de jovens urbanos e de classes média e alta que se encaixa nesse deslocamento das religiões tradicionais. No entanto, ele alerta que, seguindo a tendência da população em geral, o jovem das periferias das grandes cidades tende a trocar o catolicismo pelas igrejas evangélicas. “São as evangélicas neopentecostais que estão atraindo esses jovens da periferia, que se mostram presentes onde há falhas na oferta de serviços por parte do Estado, e onde a Igreja Católica não chega”, analisa.
No mapa da religião em São Paulo, traçado pelo pesquisador da PUC-Rio a partir dos dados do IBGE, a divisão fica clara: o centro expandido e a zona oeste são majoritariamente católicos (cerca de 83% da população), há bairros isolados, como a Liberdade, onde prevalece o budismo, e a zona leste é em sua grande maioria evangélica. “A moral rígida das evangélicas neopentecostais e pentecostais, como Assembléia de Deus, acaba sendo um porto seguro para as pessoas que se sentem inseguras em meio à falta de infra-estrutura e acesso a bens das periferias”, afirma Jacob.
O motoboy Wellington Silva de Oliveira Sanchez, de 21 anos, passou a freqüentar a igreja evangélica Bola de Neve, conhecida por reunir entre seus fiéis um número grande de jovens e surfistas, depois que um vizinho fez comentários sobre os cultos. “Ele falava que encontrava forças lá, que saía diferente depois do culto”, conta. “Fiquei curioso, pensei que, se fosse tão bom assim, eu também queria isso”, diz. Desde a primeira visita, já se passaram dois anos - a igreja existe há cerca de dez. “Vou toda semana, depois que largo o trabalho. Conheci minha namorada lá também.”